Apenas algumas semanas depois de a empresa chinesa DeepSeek surpreender o mundo com uma alternativa económica ao ChatGPT da OpenAI, outra startup chinesa está a gerar entusiasmo semelhante ao lançar o que afirma ser um dos sistemas de inteligência artificial (IA) autónoma mais avançados até à data.
Manus AI: o agente que tem o potencial de “mudar tudo”
Este novo agente chama-se Manus AI e é descrito como um sistema de IA de última geração que “liga mentes a ações” e não se limita a processar informação: também executa tarefas completas em nome dos utilizadores.
Desenvolvido pela empresa Monica, o sistema foi oficialmente lançado a 6 de março e já captou a atenção internacional, com os seus criadores a afirmarem que supera o modelo DeepResearch da OpenAI no benchmark GAIA.
Ao contrário de chatbots como o ChatGPT, Grok e Gemini da Google, que requerem instruções humanas para desempenhar funções, o Manus pode tomar decisões progressivamente e concluir diversas tarefas de forma independente, segundo os seus criadores. Ou seja, não precisa de esperar que o utilizador lhe forneça instruções detalhadas antes de agir.
Por exemplo, se um utilizador lhe pedir para “encontrar um apartamento”, o Manus não se limitará a analisar listas imobiliárias, mas também investigará e avaliará fatores como taxas de criminalidade, condições meteorológicas e tempos de deslocação.
O Manus não assenta num único modelo de IA, mas sim em múltiplos sub-agentes especializados em áreas distintas, o que lhe permite executar tarefas complexas e de múltiplas etapas com grande eficácia. Além disso, funciona de forma assíncrona, o que significa que opera em segundo plano: pode fechar o computador, e só notifica os utilizadores quando os resultados estiverem prontos.
Os meios de comunicação têm destacado o impacto potencial do Manus, apontando-o como um passo significativo rumo a sistemas de IA verdadeiramente autónomos, capazes de operar sem intervenção humana constante. Isto abre novas possibilidades, mas também intensifica preocupações sobre a substituição de trabalhadores humanos e a crescente responsabilidade atribuída à IA.
Got access and it’s true… Manus is the most impressive AI tool I’ve ever tried.
– The agentic capabilities are mind-blowing, redefining what’s possible. – The UX is what so many others promised… but this time it just works.
prompt: “code a threejs game where you control a… pic.twitter.com/rUD2XV4ZVK
— Victor M (@victormustar) March 8, 2025
Num artigo de destaque, a Forbes afirma que o Manus tem o potencial de “mudar tudo”, o que desafia a ideia de que os EUA são o líder incontestado no desenvolvimento de IA. A publicação sugere que o Manus prova que a China não só alcançou os EUA nesta corrida tecnológica, como poderá até ter ultrapassado o seu rival no desenvolvimento de agentes de IA autónomos.
Potencial do Manus para aplicações práticas é inegável
Por exemplo, este agente pode analisar currículos de forma autónoma ao cruzar tendências do mercado de trabalho para identificar os candidatos mais promissores e gerar relatórios detalhados sobre cada um.
O Manus também pode ser aplicado ao desenvolvimento de software: é capaz de gerar um site a partir do zero. Além disso, após conceber o design, consegue até implementá-lo online, resolvendo problemas técnicos relacionados com a hospedagem e outras questões associadas.
Estas capacidades sugerem que o Manus pode representar uma ameaça real a determinadas profissões, uma vez que não se limita a aumentar a eficiência das tarefas, mas sim a substituí-las completamente.
E as questões éticas e desafios regulamentares?
Para além do risco de desemprego em larga escala, surge a questão da responsabilização: o que aconteceria se um agente de IA autónomo cometesse um erro dispendioso que levasse uma empresa a perder milhões de euros? Quem assumiria a responsabilidade? Atualmente, os reguladores parecem pouco preparados para lidar com o impacto de agentes de IA verdadeiramente independentes.
Contudo, pode ser que o Manus não corresponda às expectativas. Para já, a plataforma está apenas disponível para um grupo restrito de utilizadores beta, sendo o acesso feito apenas por convite.
Os seus criadores afirmam estar ainda a trabalhar na escalabilidade do sistema e na resolução de problemas relatados pelos utilizadores, mas surgiram já múltiplos relatos de dificuldades. Entre estas, destacam-se mensagens de erro frequentes, loops infinitos e falhas em fornecer fontes para os seus resultados.
Resta saber se os criadores conseguirão resolver os problemas iniciais, mas uma coisa é certa: a chegada do Manus representa um novo desafio à ideia de que as empresas tecnológicas dos EUA continuarão a dominar o panorama da IA sem concorrência significativa.
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