Sunita Williams e Barry Wilmore chegaram à Estação Espacial Internacional (EEI) em junho do ano passado, numa missão que deveria durar apenas alguns dias. No entanto, uma série de fugas de hélio na sua nave levou a que esta regressasse à Terra vazia por falta de segurança. Hoje, se tudo correr como planeado, a SpaceX de Musk poderá trazê-los de volta a casa.
Musk e Trump acusam Joe Biden de querer manter os astronautas na EEI
A discussão do regresso destes astronautas dá-se desde que estes ficaram “presos” na EEI, mas nunca se chegou a uma conclusão. Esta noite, finalmente, será lançada a cápsula da SpaceX que os trará de volta a casa. Contudo, ainda não se pode celebrar, pois este lançamento já foi adiado anteriormente.
Inicialmente previsto para 12 de março, o lançamento foi adiado devido a um problema técnico que manteve o foguetão Falcon 9 e a cápsula Crew Dragon em solo. A nova tentativa ocorrerá hoje, às 23:26 (GMT – Greenwich Mean Time – hora de lisboa).
Williams e Wilmore, apesar da inesperada estadia prolongada, têm garantido em entrevistas que estão bem e que até aproveitaram a experiência.
No entanto, o caso tornou-se tema de discórdia política nos EUA, com Elon Musk e Donald Trump a acusarem a administração de Joe Biden de os ter mantido na estação por razões políticas.
Mas como é que a situação chegou a este ponto?
Apesar de se ter começado a referir que os astronautas estavam “presos” na estação, eles sempre garantiram que não se sentiam assim. Ainda assim, a NASA elaborou um plano de resgate.
O regresso de Williams e Wilmore era esperado para breve, mas a cápsula Crew Dragon necessitava de melhorias antes do lançamento. Assim, os meses passaram e os astronautas continuaram a trabalhar na EEI.
Agora, a Crew Dragon da SpaceX está finalmente pronta para o lançamento. Transportará quatro novos tripulantes para a EEI: Nichole Ayers e Anne McClain, da NASA, Takuya Onishi, da AXA, e Kirill Peskov, da Roscosmos. Estes passarão algum tempo a treinar com a atual tripulação antes de assumirem funções a tempo inteiro.
Caso o lançamento desta noite ocorra sem problemas, o regresso da Crew 9, com Williams, Wilmore, Nick Hage e Aleksander Gorbunov a bordo, está agendado para 17 de março.
A disputa política
O papel de Elon Musk neste resgate é fundamental, já que a cápsula Crew Dragon pertence à SpaceX. No entanto, a sua relação com a NASA tem sido tensa, especialmente sob a administração Biden.
Musk alega que, após a Boeing Starliner ter regressado vazia, se ofereceu de imediato para resgatar os astronautas, mas que a NASA recusou. Na altura, Joe Biden ainda era presidente e as eleições aproximavam-se, tornando a política espacial um campo minado. Musk, um apoiante declarado de Donald Trump, atualmente atua como seu conselheiro, e sugere que a administração Biden rejeitou a sua ajuda por questões políticas.
Trump recentemente dirigiu-se diretamente a Williams e Wilmore numa declaração:
Amamos-vos e vamos buscar-vos. Nunca deveriam ter ficado tanto tempo lá em cima.
No entanto, Musk não apresentou provas da sua suposta oferta de resgate. Williams e Wilmore, por sua vez, negam sentir-se “abandonados” e afirmam que nunca foram informados de qualquer proposta de Musk.
Entretanto, o clima de tensão continua a aumentar. Elon Musk tem feito declarações ofensivas sobre astronautas da Agência Espacial Europeia, enquanto vários astronautas da NASA criticam a sua postura.
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