Enquanto potência global, as decisões tomadas pelos Estados Unidos da América (EUA) impactam as empresas de todo o mundo. Especificamente, como é que as taxas de Donald Trump vão afetar a indústria tecnológica europeia?
Apesar de as taxas sobre os automóveis estarem a ser fortemente analisadas, por ser um setor diretamente visado, a indústria tecnológica irá, também, sentir as decisões americanas na carteira.
De facto, à medida que as empresas tecnológicas procuram estratégias para crescer – num mercado em que erguer um negócio é particularmente desafiante -, os EUA reforçam barreiras que podem dificultar ainda mais o fluxo de crescimento, em especial das startups.
À TNW, várias empresas tecnológicas europeias, investidores e analistas explicaram que as medidas podem:
- Perturbar as cadeias de abastecimento;
- Forçar ajustamentos de preços;
- Travar o fluxo de capital de risco transatlântico.
Estes potenciais resultados poderão empurrar grandes e pequenas empresas tecnológicas europeias para uma desconcertante incerteza.
Os EUA aplicaram uma taxa de 20% às importações da União Europeia (UE), o dobro da taxa aplicada ao Reino Unido. Por sua vez, a Suíça recebeu uma pesada taxa de 32%.
Empresas europeias encaram um futuro incerto, devido às taxas dos EUA
As taxas comerciais de Trump terão um enorme impacto no panorama tecnológico global, obrigando as startups a reconsiderar as suas sedes e a avaliar mercados alternativos.
Disse Louis Fearn, diretor e responsável pela sustentabilidade na InMotion Ventures, o ramo de investimento da Jaguar Land Rover.
Por sua vez, segundo Miika Mäkitalo, diretor-executivo da empresa finlandesa HappyOrNot, que fabrica terminais de feedback para medir a satisfação de clientes, as taxas poderão forçá-la a considerar “iniciar a montagem e a produção nos Estados Unidos”, uma vez que quase metade da atividade da empresa realiza-se no estrangeiro.
Na perspetiva de Benjamin Avraham, fundador e diretor-executivo da fintech suíça Okoora, há muitos “efeitos secundários” que prejudicarão indiretamente a “comunidade de startups menores”.
Neles, incluem-se mudanças nas cadeias de abastecimento, barreiras aos investimentos de capital de risco e maior volatilidade nas taxas de câmbio.
Das consequências não escapa, também, o software. Segundo Amanda Brock, diretora-executiva do lobby OpenUK, embora o software tenha sido caracterizado como um serviço intangível, “pode estar sujeito a outras restrições comerciais”.
As taxas gerais recentemente anunciadas pelo Presidente Trump criam mais incerteza no setor tecnológico global. Estas medidas podem fazer com que as empresas da UE evitem completamente os EUA para fugir aos custos adicionais.
Explicou Martin Hartley, diretor comercial do Grupo Emagine, uma empresa internacional de consultoria tecnológica.
Startups europeias estão numa situação particularmente difícil
As novas taxas poderão obrigar as startups europeias a fazer uma escolha estratégica muito difícil.
As startups que vendem a clientes norte-americanos enfrentam, agora, duas opções: ancorarem-se na Europa e abraçarem a sua estabilidade, ou encontrarem formas de manter o acesso aos [EUA], estabelecendo operações nesse país.
Disse Matt Penneycard, sócio da Ada Ventures, sediada no Reino Unido, avisando que “Trump está a brincar com o fogo”.
Na sua perspetiva, contudo, “à medida que os EUA se tornam um local mais difícil para operar, os melhores talentos podem seguir a estabilidade – este é o momento da Europa para construir um novo Silicon Valley”.
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