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“Exército de drones”: Polónia e Ucrânia unem-se para proteger a Europa

A guerra na Ucrânia transformou os drones numa das tecnologias militares mais decisivas do século XXI. Agora, a Polónia quer aproveitar esse conhecimento e construir a sua própria frota, com financiamento europeu e know-how de Kiev.


Quando a Rússia lançou a sua invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, poucos imaginavam que aquele conflito se tornaria num laboratório tecnológico sem precedentes.

Desde então, a Ucrânia tornou-se num país com larga experiência operacional no uso de drones em combate real, desde pequenos veículos adaptados para lançar granadas até sistemas de longo alcance capazes de atingir alvos a centenas de quilómetros.

Este conhecimento, conquistado ao preço de enormes sacrifícios, transformou Kiev num parceiro altamente apetecível para os países europeus que querem reforçar as suas capacidades de defesa.

Polónia bate oficialmente à porta da Ucrânia

Na cidade polaca de Rzeszów, a mesma cujo aeroporto tem servido de ponto de trânsito para o armamento ocidental enviado à Ucrânia, o primeiro-ministro do país, Donald Tusk, anunciou um projeto ambicioso.

Ao lado da primeira-ministra ucraniana, Yuliia Svyrydenko, Tusk anunciou que a Polónia vai construir uma frota moderna de drones com apoio técnico ucraniano e financiamento da União Europeia (UE).

Segundo Tusk, o objetivo passa não apenas por continuar a apoiar a Ucrânia no presente, mas garantir que os cidadãos polacos se sintam seguros no futuro.

A declaração surgiu numa conferência de segurança de preparação para a Ukraine Recovery Conference 2026.

Capacidade interna de defesa

Em setembro de 2025, drones russos foram abatidos no espaço aéreo polaco, um incidente que acelerou consideravelmente as conversas sobre soberania aérea e capacidade de resposta autónoma.

Membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (em inglês, NATO) e da UE, com fronteira direta com a Ucrânia, a Polónia percebeu que depender exclusivamente dos aliados para a sua defesa aérea não é suficiente.

Por isso, decidiu investir em capacidade própria, recorrendo os ucranianos, que aprenderam à força sobre sistemas de deteção e neutralização de drones inimigos, bem como desenvolvimento acelerado de veículos aéreos não tripulados adaptados a diferentes missões.

Assim, com outros países a mirarem a Ucrânia para conhecimento técnico e de campo, a Polónia está a posicionar-se forma inteligente.

Ser o primeiro país da NATO a formalizar esta transferência de conhecimento pode dar-lhe uma vantagem competitiva significativa, tanto em termos de defesa nacional, como de capacidade de exportação futura de tecnologia.

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