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Primeiras imagens do momento em que os destroços da SpaceX colidiram com a Lua

A Danuri, primeira sonda lunar da Coreia do Sul, conseguiu fotografar o exato instante em que os destroços do foguetão Falcon 9, da SpaceX, embateram na superfície da Lua. As imagens foram divulgadas esta quinta-feira pela agência espacial sul-coreana (em inglês, KASA).


Há já alguns dias que a comunidade científica sabia que isto ia acontecer.

O segundo estágio de um foguetão Falcon 9, lançado em 2025 no âmbito de uma missão conjunta entre os Estados Unidos e o Japão, tinha sido abandonado em órbita depois de cumprir a sua função.

Sem combustível para ser reencaminhado para uma órbita solar segura, o pedaço de metal, com cerca de 4,9 toneladas e perto de 12 metros de comprimento, ficou à deriva no espaço, com uma trajetória que apontava, inevitavelmente, para a Lua.

A colisão ocorreu esta quarta-feira, dia 5 de agosto, pelas 7h34 da manhã em Portugal continental.

Segundo o especialista em rastreio espacial Bill Gray, citado por vários órgãos de comunicação internacionais, o impacto terá ocorrido a uma velocidade próxima dos 8700 km/h, sete vezes a velocidade do som, com uma energia comparável à libertada pela explosão de três toneladas de TNT.

A prova visual, captada em órbita

Foi a sonda Danuri, gerida pela Korea AeroSpace Administration (KASA), que conseguiu o feito de documentar o “antes” e o “depois” do embate.

A sonda ajustou a sua órbita para passar diretamente sobre a zona de impacto, junto à cratera de Einstein, e usou a sua câmara de alta resolução para captar imagens da superfície lunar nos momentos que antecederam e sucederam à colisão.

O ponto de colisão entre a parte superior do foguetão Falcon 9 da SpaceX e a Lua, capturado pela Danuri.

As imagens divulgadas mostram uma sombra escura e uma formação radial no solo lunar, sinais típicos de uma explosão de impacto. A KASA confirmou ainda a existência de alterações topográficas visíveis junto ao local, com dispersão de material ejetado pela força da colisão.

Apesar disso, o próprio flash do impacto, que durou menos de um segundo, foi demasiado ténue para ser observado a olho nu, e a cratera resultante, estimada inicialmente entre 20 e 30 metros de diâmetro, continua pequena demais para ser distinguida sem equipamento especializado.

Ainda assim, a pluma de poeira e destroços ejetados poderá estender-se por vários quilómetros, algo que continua a ser monitorizado por telescópios terrestres nos Estados Unidos.

Os dados de observação mostram mudanças no terreno próximo ao local do impacto e vestígios de dispersão de material ejetado.

Porque é que isto importa

Segundo a KASA, esta é considerada uma das observações mais completas já feitas de todo o processo de colisão de um objeto artificial com a superfície lunar, captada diretamente a partir de órbita.

Os dados recolhidos pela Danuri vão agora servir de base científica para o planeamento de uma futura observação mais detalhada do local, a cargo do Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA.

Vale a pena lembrar que este não é o primeiro caso do género. Em 2022, um estágio de um foguetão chinês tinha já colidido com o lado oculto da Lua, deixando para trás uma cratera dupla. Assim, este é o segundo impacto acidental conhecido de um foguetão na superfície lunar.

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