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Petroleiro navega a hidrogénio e evita toneladas de CO₂… o mundo está a mudar

14 Comentários

Um navio que transporta petróleo pode ajudar a testar o futuro dos combustíveis limpos. No Japão, o Kikou Maru percorreu cerca de 33 quilómetros com um motor alimentado principalmente a hidrogénio, numa demonstração que reduziu as emissões de CO₂ e levou esta tecnologia para condições reais de navegação.

Duas horas a navegar na baía de Osaka

O ensaio realizou-se a 25 de setembro de 2026, na baía de Osaka. Durante aproximadamente duas horas, o Kikou Maru utilizou o seu sistema de geração de energia a hidrogénio, evitando cerca de 1,2 toneladas de CO₂ face a uma operação equivalente com combustível fóssil, segundo os dados da Nippon Foundation divulgados pelo Splash247.

O navio pertence à Uyeno Transtech, mede 104,93 metros de comprimento e tem capacidade para transportar aproximadamente 5000 metros cúbicos de carga. Foi entregue em 2025 e posteriormente adaptado para esta demonstração.

Há um detalhe relevante nas suas dimensões: as 4500 GT indicadas nas notícias correspondem à arqueação bruta, uma medida do volume interno do navio, e não ao seu peso em toneladas.

O hidrogénio alimenta um motor de combustão

O sistema utiliza um motor de combustão interna de quatro tempos desenvolvido pela Yanmar Power Solutions. A energia produzida é convertida em eletricidade para alimentar os motores elétricos responsáveis pela propulsão.

Assim, esta solução distingue-se das pilhas de combustível, que produzem eletricidade através de uma reação eletroquímica. Aqui, o hidrogénio é queimado dentro do motor.

A Nippon Foundation explica que o projeto aposta num motor com ignição piloto. Para iniciar a combustão, é utilizada uma pequena quantidade de combustível auxiliar. A Yanmar identifica esse combustível como HVO, um óleo vegetal hidrotratado, nos seus ensaios de desenvolvimento.

O navio dispõe também de baterias de iões de lítio, que ajudam o sistema a responder às variações de carga e a otimizar o consumo, de acordo com o Splash247.

Uma experiência para levar o hidrogénio aos navios comerciais

A demonstração integra o Zero Emission Ships Project, lançado pela Nippon Foundation para apoiar a descarbonização do transporte marítimo costeiro japonês.

O projeto inclui o desenvolvimento do motor, a instalação dos equipamentos de geração e abastecimento a bordo e a preparação de procedimentos de segurança. A formação das tripulações e das equipas em terra também faz parte do programa, segundo a entidade responsável.

A experiência permite, portanto, avaliar mais do que o funcionamento de um motor: testa a integração da tecnologia num navio com dimensões comerciais.

Menos CO₂ a bordo não resolve todos os desafios

Apesar do resultado, o hidrogénio ainda enfrenta obstáculos relacionados com o preço, o armazenamento e a infraestrutura de abastecimento nos portos. Estes fatores continuam a condicionar a sua utilização no transporte marítimo.

Também é necessário olhar para a origem do combustível. Reduzir as emissões durante a navegação não significa eliminar o impacto ambiental de todo o ciclo de produção e distribuição do hidrogénio.

O Kikou Maru demonstra que esta tecnologia consegue funcionar no mar. O próximo desafio será perceber se consegue fazê-lo de forma duradoura, com combustível de baixas emissões e custos compatíveis com a operação comercial.

Comentários

14
  1. YA
    Yamahia

    Os cruzeiros permanentemente acostados ao largo da Baixa de Lisboa deveriam ser forçados a adotar este sistema. A poluição que geram supera a de todos os automóveis a circular nas oito maiores cidades do país.

    1. JL
      JL

      Então mas a T&E não está feita pelo lobby Elektro ? Agora vem com essa ?

    2. TA
      Toni da Adega

      Mentira. Usam combustíveis fósseis. No mínimo purificam o ar. Problemático era se fossem Elektro.

    3. GR
      Grunho

      Sim, mas nos cruzeiros viaja só a burguesia exploradora. É como o jacto do centeno da bola, polui mais do que à fartazana mas é só ele a poluir por mil ou dez mil. Nos carros viaja sabe-se lá quem. É preciso atacar a poluição onde ela está, ou seja, nos pobres. Eles não poluem praticamente nada, mas em compensação são muitíssimos.

  2. JI
    Jihad

    E quantas toneladas de co2 para produzir esse hidrogenio?

  3. JL
    JL

    O sistema utiliza um motor de combustão interna de quatro tempos desenvolvido pela Yanmar Power Solutions. A energia produzida é convertida em eletricidade para alimentar os motores elétricos responsáveis pela propulsão

    Este sistema está mal feito e incompleto, não devia no fim alimentar motores eléctricos, mas sim usarem a energia eléctrica produzida para produzir vapor e esse sim acionava umas turbinas para propulsão do navio. Looool

    1. TA
      Toni da Adega

      Inventam de tudo para não chamar um sistema de Elektro

  4. GR
    Grunho

    Lamento muito, mas isto do hidrogénio é só propaganda. O mais barato de produzir é obtido a partir do metano, aquecido a 400 graus com vapor de água. Produzindo CO2 puro, que depois é vendido à indústria alimentar para fazer bebidas gaseificadas. O dos electrolisadores é muito mais caro. Além disso, é um processo de perdas. Por cada 100 unidades gastas na produção, congelamento compressão e transporte , o resultado final não devolve sequer 30. É um negócio ruinoso. A não ser que se faça com o dinheiro dos contribuintes, ficando as receitas para os capitalistas. Aí dá mesmo lucro.

  5. LU
    lunatic

    A imagem que meteram no artigo, gerada por "IA", tem as hélices avante do navio??? lol Pelo menos deviam ter cuidado com as imagens geradas por IA e verificar se fazem sentido…

    1. VM

      Estás a falar da infografia? A imagem final está correta. Ora verifica.

      1. LU
        lunatic

        Sim, estava a referir ainfografia. Mas continua errado. O eixo que move as hélices tem de estar a ré do navio. Avante dos navios pode exister propulsores mas são transversais e não como mostra a infografia.

        1. VM

          Os elementos parecem-me corretos na nova imagem.

      2. LU
        lunatic

        O principal erro nesta infografia está na orientação e disposição dos elementos no navio:

        1. Hélices e motores desenhados na proa (frente):
          • A parte direita do navio é claramente a proa (identificável pelo formato afilado e pelo bolbo de proa avermelhado submerso).
          • O sistema de propulsão — motores elétricos e hélices (ponto 4) — foi colocado na proa, quando na engenharia naval a propulsão principal fica localizada na popa (traseira do navio, visível à esquerda, por baixo da ponte de comando).
        1. Inversão da zona de carga e da casa das máquinas:
          • Num petroleiro/navio-tanque convencional, o espaço central e dianteiro destina-se aos tanques de carga (os $5000\text{ m}^3$ referidos). Na ilustração, colocaram o motor de combustão, o gerador elétrico e os veios das hélices a ocupar a secção dianteira do casco, onde deveria estar o porão de carga.

        Verificado com recurso a IA.

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