Sedna está a chegar. Se não o visitarmos agora, teremos de esperar 11 mil anos
Existe um mundo nos limites do Sistema Solar que nunca foi visitado por uma nave espacial. Chama-se Sedna e está agora a aproximar-se lentamente do ponto mais próximo do Sol, oferecendo à humanidade uma oportunidade que não se repetirá durante milhares de anos.
Mesmo no momento de maior aproximação, este mundo, Sedna, continuará tão distante que chegar até lá exigiria tecnologias de propulsão que ainda não estão operacionais. Nem sabemos como as fazer.
Contudo, este planeta anão pode mostrar o tanto que ainda desconhecemos o Universo.
Uma órbita que demora 11.400 anos
Sedna foi descoberto em 2003 pelos astrónomos Michael Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz. Inicialmente designado 2003 VB12, este objeto transneptuniano apresenta uma das órbitas mais extremas conhecidas no Sistema Solar.
Uma volta completa em torno do Sol demora aproximadamente 11.400 anos. Desde que foi descoberto, Sedna percorreu apenas cerca de 0,2% da sua órbita.

O objeto deverá atingir o periélio, o ponto mais próximo do Sol, entre 2075 e 2076. Depois disso, começará novamente a afastar-se, seguindo uma trajetória que o levará para regiões ainda mais profundas do Sistema Solar.
Quando voltar a passar por esta zona da sua órbita, a humanidade terá de esperar aproximadamente outros 11 milénios.

“Próximo” continua a significar muito longe
A Terra encontra-se a uma unidade astronómica do Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros. Neptuno orbita, em média, a aproximadamente 30 unidades astronómicas.
Sedna nunca ficará a menos de cerca de 76 unidades astronómicas do Sol, o equivalente a aproximadamente 11,4 mil milhões de quilómetros. No ponto mais distante da sua órbita, poderá afastar-se para mais de 900 unidades astronómicas.
Uma missão real seria mais complexa. A sonda teria de intercetar Sedna enquanto ambos os objetos se movimentavam, transportar energia e instrumentos científicos e, idealmente, reduzir a velocidade para observar o objeto durante mais do que algumas horas.

Comunicar com a Terra demoraria quase um dia
As condições junto de Sedna seriam extremamente severas. As temperaturas podem aproximar-se dos 240 graus Celsius negativos e, a 76 unidades astronómicas, a luz solar teria apenas cerca de 1/5700 da intensidade sentida na Terra.
Um sinal de rádio demoraria aproximadamente dez horas e meia a viajar entre Sedna e o nosso planeta. Enviar uma ordem e receber a respetiva resposta poderia, portanto, demorar mais de 21 horas.
Uma nave teria de funcionar com um elevado grau de autonomia, uma vez que qualquer problema não poderia ser corrigido em tempo real pelos controladores na Terra.

Porque tem Sedna uma órbita tão estranha?
Um dos maiores mistérios de Sedna está na sua órbita extremamente alongada. O objeto nunca se aproxima suficientemente de Neptuno para que a gravidade deste planeta explique facilmente a sua trajetória.
Entre as hipóteses está a passagem de uma estrela perto do jovem Sistema Solar ou a influência gravitacional de outras estrelas quando o Sol ainda se encontrava num aglomerado estelar.
Existe ainda uma possibilidade particularmente intrigante: um grande planeta ainda desconhecido para lá de Neptuno poderá ter alterado a órbita de Sedna. É uma das razões pelas quais este pequeno mundo surge frequentemente associado à procura do hipotético Planeta Nove.
Sedna está a chegar. Se não o visitarmos agora, teremos de esperar 11 mil anos. pic.twitter.com/4qwGRtHKVU
— Pplware (@pplware) August 24, 2026
Um fóssil do Sistema Solar
Sedna tem também uma superfície muito avermelhada, provavelmente coberta por gelos antigos e materiais ricos em carbono modificados por milhares de milhões de anos de radiação.
Como passou praticamente toda a história do Sistema Solar congelado e isolado, poderá funcionar como uma espécie de cápsula do tempo, preservando pistas sobre a formação do Sol e dos planetas.
Uma missão permitiria descobrir a composição da superfície, procurar uma eventual atmosfera extremamente ténue e até verificar se existem pequenos satélites à sua volta.

Temos uma oportunidade rara
Sedna continuará a aproximar-se do Sol até 2075 ou 2076. Depois começará novamente a afastar-se, podendo atingir mais de 900 unidades astronómicas de distância.
E aqui está o mais extraordinário: Sedna voltará, mas demora aproximadamente 11.400 anos a completar uma órbita.
Quando regressar a esta região do Sistema Solar, a humanidade, se ainda existir, será certamente muito diferente. Talvez esta seja a nossa melhor oportunidade para visitar um dos mundos mais misteriosos que conhecemos.


















