Há novas regras no SNS. Saiba o que muda a partir de hoje!
A partir de hoje, uma série de mudanças entra em vigor, procurando agilizar a gestão de listas de espera para consulta e cirurgia no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A portaria publicada ontem em Diário da República, que entra esta quarta-feira em vigor, visa agilizar a gestão de listas de espera no SNS, por via de três pilares:
- Prioridade clínica em vez de ordem cronológica;
- Controlo rigoroso dos tempos de resposta;
- Digitalização e monitorização centralizada.
Elaborada sob proposta da Direção Executiva do SNS (DE-SNS), a portaria visa garantir que "o acesso a consultas de especialidade hospitalar, cirurgias e procedimentos terapêuticos se efetua de acordo com critérios de prioridade clínica e dentro dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) legalmente fixados".
O diploma estabelece um sistema de informação que suporta o SINACC, que substituiu o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).
Designado SI-SINACC, vai gerir o acesso a primeiras consultas hospitalares, cirurgias programadas e procedimentos terapêuticos em todo o SNS.

Crédito: Estela Silva/Lusa, via RTP Notícias
Quais as mudanças para consultas e cirurgias no SNS?
Segundo a portaria, a referenciação para primeira consulta de especialidade hospitalar é obrigatoriamente efetuada por via eletrónica, através do SI-SINACC, não sendo permitida a duplicação de pedidos de referenciação para o mesmo utente, com a mesma valência e diagnóstico principal, em mais do que uma entidade prestadora.
Quanto à inscrição do utente na lista para Primeira Consulta de Especialidade Hospitalar (LPCH), o diploma estabelece que deve ser efetuada após validação da referenciação clínica, no prazo máximo do TMRG aplicável em função da prioridade clínica atribuída, tendo também de ser obrigatoriamente registada no SI-SINACC.
A inscrição na Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) também deve ser realizada após validação da proposta cirúrgica por médico responsável, quando o utente estiver disponível e clinicamente apto para a intervenção.
A ordenação dos utentes na lista de inscritos é efetuada de acordo com a prioridade clínica atribuída e, em caso de igualdade, pela data de inscrição, prevalecendo o pedido mais antigo.
Sublinha a portaria, acrescentando que a definição da prioridade clínica é da responsabilidade do médico.
A portaria informa ainda que "todas as operações de agendamento são comunicadas ao utente, preferencialmente por via eletrónica, e ficam registadas no sistema informático para efeitos de monitorização e auditoria".
As faltas por motivos não justificados ou que excedam os limites legalmente previstos determinam o cancelamento da inscrição do utente na lista de inscritos.
Por forma a evitar o incumprimento dos prazos, a portaria prevê um mecanismo de externalização, permitindo encaminhar utentes para outras unidades com capacidade disponível, mediante consentimento.
Agora, os utentes passam a poder consultar a sua posição nas listas de espera através do SNS24 ou da aplicação móvel (disponível para Android e iOS), mas ficam também obrigados ao seguinte:
- Manter os contactos atualizados;
- Comparecer aos atos agendados;
- Justificar faltas.
A portaria define que a monitorização do SINACC compete à DE-SNS, com base nos indicadores do SI-SINACC, sendo que em situação de desvios ou de incumprimento, a Direção Executiva deve estabelecer, em conjunto com as entidades prestadoras, a adoção das medidas necessárias à regularização das situações detetadas.
A DE-SNS terá de apresentar à ministra da Saúde relatórios sobre o ponto de situação das listas de inscritos para consultas, cirurgias e procedimentos terapêuticos, bem como as medidas adotadas ou a adotar para melhorar os objetivos estratégicos do SINACC.
📌 Resumindo...
Com o objetivo de melhorar o acesso dos utentes, tornar o sistema mais justo e reduzir os tempos de espera no SNS, a portaria, que entra hoje em vigor, prevê:
- Criação do SINACC: estabelece um sistema nacional único para gerir o acesso a consultas e cirurgias no SNS, substituindo modelos anteriores mais fragmentados.
- Priorização clínica dos utentes: os doentes passam a ser organizados sobretudo pela gravidade e necessidade clínica, e não apenas pela ordem de inscrição.
- Reforço dos tempos máximos de resposta (TMRG): o sistema passa a estar mais orientado para garantir que os prazos legais para consultas e cirurgias são cumpridos.
- Maior monitorização e transparência: são definidos indicadores de desempenho e mecanismos de acompanhamento para avaliar a eficiência das unidades de saúde.
- Digitalização e integração da informação: utilização de sistemas informáticos para gerir listas de espera de forma centralizada e mais eficiente.
A aplicação do novo regime será feita de forma progressiva, sendo implementada por fases conforme decisões posteriores do Governo português, permitindo uma adaptação gradual e sustentável do sistema e dos serviços de saúde às novas regras.
Imagem: Thierry Dosogne, via Expresso
Neste artigo: sns




















Têm impressos próprios para a cunha ? As listas nao andam devido ás cunhas ………
Já agora também podiam agilizar as juntas médicas para longa espera de atestado multiusos…2 anos na média é insano…
Prioridade clínica faz sentido, no entanto está aqui a porta para a cunha…
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É tudo mentira, fui inscrito cirurgia oftalmologia, assinei o documento, quando fui ver ao fim de um tempo SNS, alguém me colocou numa cirurgia de otorrino, é verdade, fiz uma queixa ERS, nada fizeram para ajudar descobrir a situação, no fim de Novembro já apareceu a dita inscrição para cirurgia de oftalmologia, portanto hvfx cirurgia cataratas mais de um ano é complicado SNS
Nesta coisa das cirurgias há que ter muito cuidado com os medicamentos que tornam o sangue mais fluido/fino, como seja o Clopidogrel e o Xarelto, geralmente receitados por cardiologistas. É preciso parar de os tomar antes da cirurgia e substituir, respetivamente, por aspirina e umas injeções.
Peçam ao médico um “desenho” centrado na cirurgia – que indique bem quando é que se deixa de tomar um e substitui por outro. Tenho um parente, telefonaram-lhe, de um hospital público e disseram~lhe – “A cirurgia é no dia X”, 2) “Os dois medicamentos (que referi) um para de tomar x dias antes e o outro y dias antes” – nada referiu sobre substitutos. Chegou lá e armou-se a maior confusão com o anestesista, que foi falar com um cardiologista, que disse que não podia ser – esses medicamentos deixavam de se tomar mas tinham que ser substituídos e não foram, adiaram a operação.
O que está em causa:
– Esses medicamentos aumentam o sangramento da operação, o que o cirurgião não quer
– Deixar de os tomar sem os substituir é o cardiologista que não quer, para não haver risco de ataque cardíaco durante a operação.
Peçam um desenho. Não se fiem no que pensam que o(s) médico(s) disse(ram) – podem ter dito uma coisa e perceber-se outra, ou um ter dito uma coisa e o o outro outra. … E a escrever as receitas também não são bons a português, às vezes querem dizer uma coisa e escrevem outra … E a isto, junta-se a pessoa que telefona, que não é médico e pode não estar a perceber as implicações.
EH, pá. Grande confusão que para ai vai. Deixe essesa ssuntos com o médico assistente, cirurgião e anestesista – se houver boa comunicação tudo corre como é suposto. Eles têm conhecimentos para resolver as situações e isso de desenhos é mais para a infância.
Trabalhei no primeiro software que passou para bases de dados as listas de espera para cirurgia que andavam em papel nos bolsos dos médicos do “sistema”.
Um partido de uma certa cor, mandou fazer um software para a gestão das listas .. a revolta dos médicos foi tal que tentaram por todos os meios boicotar o software.
Depois veio um partido de outra cor, disse que estava tudo mal, e mandou fazer uma cópia desse software a outro “fornecedor”…
Depois voltou ao tacho o primeiro partido, e toca a mudar de “fornecedor” do software …
Agora o volta outro partido e toca a mudar algumas regras e o nome ao software …
No final do dia, o médico “acons€lha” o doente a ir a uma certa Misericórdia para resolver rapidamente o assunto,
O lobby da Saúde é um poço sem fundo.
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A “reforma estrutural” é fazer desaparecer o SNS. Na pátria do capitalismo neoliberal não há e está proibida a habitação social, o ensino gratuito , fora o obrigatório, e o sistema público de saúde. É tudo privado e a pagar.