Análise MLB: The Show 26 (Playstation 5)
Apesar de ser um desporto tipicamente norte-americano, o Baseball tem vindo a ganhar fãs e adeptos um pouco por todo o mundo e Portugal não é excepção. MLB: The Show 26 representa a mais recente investida dos San Diego Studio no mundo deste fantástico desporto. Já experimentámos.
É um dos desportos mais importantes dos Estados Unidos da América e rapidamente se encontra a ganhar o seu espaço noutros Continentes também. Cá por Portugal, apesar de ainda ser um pouco periférico, o que é certo é que os interessados neste frenético desposto são cada vez mais.
MLB: The Show 26, desenvolvido pelos San Diego Studio é o jogo oficial desta competição norte-americana e já foi lançado.
Tal como todos os jogos que representam desportos regulares com épocas anuais, MLB: The Show 26 traz todas as novidades (jogadores, estádios, regras,... ) e a maior parte das atualizações desta nova época. Mas, traz muito mais que isso. Vamos ver...
Tenho de começar por indicar que, não sou particularmente conhecedor do desporto nem da competição. No entanto, também tenho de admitir que o meu gosto pelo desporto ficou bem mais aceso, depois de experimentar MLB: The Show 26. Com efeito, trata-se de um simulador de basebol francamente bom e que, tanto para quem desconhece a série e o desporto, como para os mais familiarizados, se torna facilmente numa aquisição imperativa para a sua coleção de jogos.
Creio não ser nenhum exagero antecipar que MLB: The Show 26 consegue reproduzir de forma bastante excitante, tanto o ritmo e emotividade do basebol, como a componente mais técnica e mais tática dos seus jogadores, um pouco à semelhança daquilo que os anteriores jogos da série fizeram.
E, na tentativa de reproduzir da melhor forma essas capacidades dos jogadores os estúdios da San Diego Studio têm vindo a implementar uma série de novidades. Novidades essas que passam por novas formas de bater as bolas, novas formas de as lançar ou melhorias no comportamento dos jogadores.
No ataque às bolas, o PCI (Plate Coverage Indicator) é o ponto central da mecânica. Controlado pelo analógico esquerdo, podemos mover o PCI numa tentativa de adivinhar a zona para o onde o pitcher vai lançar a bola, com o objetivo de conseguir o melhor ponto de contato com a bola (tanto em potência como em angulo).
Os San Diego Studio apresentam várias formas de gerir o PCI, sendo uma das novas adições o Big Zone Hitting. Em vez do posicionamento preciso do PCI, o Home Plate (a zona virtual onde a bola vai cair) é dividido em segmentos, permitindo-nos guiar o swing em direção a uma área geral, enquanto nos concentramos no tempo de reação. É um modo que possibilita uma maior percentagem (talvez mais irreal também) de batidas bem sucedidas na bola, comparativamente ao Zone Hitting por exemplo. Uma vez que a zona de strike é mostrada visualmente no écran por uma moldura, a tentativa de antecipar a direção dos arremessos encontra-se bastante mais facilitada. Além disso, permite aos jogadores focarem-se principalmente no timing do movimento, ou seja, naqueles micro segundos que distinguem um Home Run de um Strike.
Por outro lado, a mecânica de Ambush Hiting está de regresso, permitindo a obtenção de vantagens de contato com a bola ao selecionar previamente a metade correta da zona de strike. Esta mecânica tenta diminuir a vantagem do pitcher no lançamento das bolas.
A batida da bola continua a ser o aspecto mais exigente, e mais delicioso do jogo. Não há outra forma de o descrever. É um momento que tanto pode ser altamente recompensador, como de desilusão completa. O momento da batida é um cocktail, no qual se mistura sincronismo, percepção do tipo de lançamento e os vários atributos de cada pitcher e batter. Tudo isso misturado, determina a excelência ou ineficiência total de uma batida. A diferença entre um Home Run ou um falhanço miserável. No entanto, não há nada tão recompensador como ouvir aquele som opaco de uma batida perfeita seguida da efusiva reação do público ao Home Run que se segue.
Enquanto estamos a vestir o papel do batter (bater a bola), os pitchers adversários (controlados pelo computador) tentam variar os seus lançamentos de forma bastante convincente. Vão alterando os tipos de lançamentos, como por exemplo, bolas rápidas, Sinkers ou Sliders tentando causar nos jogadores um constante stress de antecipação. E de certa forma consegue pois, apesar das várias métricas relacionadas com cada pitcher que o jogo nos apresenta, a sensação predominante é que nossa escolha do PCI se resume, na maioria das vezes, a apenas um palpite.
Não há nada tão recompensador em MLB: The Show 26 como o som daquela batida seca de e perfeita seguida da efusiva reação do público.
Fora do campo, MLB: The Show 26 apresenta uma tremenda quantidade e diversidade de modos de jogo. Há modos para todos os gostos e certamente os jogadores terão muitos (e bons) motivos para jogar, jogar e... jogar mais um pouco.
Road to the Show será talvez, um dos modos favoritos de MLB The Show e nesta edição, a emoção de vestir o equipamento de um jogador de Colégio e vê-lo subir pelas ligas menores até chegar às grandes ligas é uma experiência bastante empolgante. É o modo carreira de outros títulos, apresentando alguns toques de RPG, no qual podemos evoluir o nosso jogador e os seus atributos, ou adquirindo equipamentos especiais.
Gostei de me lançar no baseball universitário apesar de achar a experiência um pouco simplista, não havendo a possibilidade de se jogar uma época inteira pelo colégio que decidimos representar.
Por outro lado, existe a Diamond Dynasty (que se pode considerar semelhante ao Ultimate Team de EA SPORTS FC 26) e continuará a ser talvez, o modo preferido dos jogadores.
É o modo no qual o jogador criar planteis personalizados através de cartas de jogadores (presentes e passados) e que, dada a quantidade de cartas distintas será o paraíso de qualquer amante da modalidade. Com vários desafios, muitos eventos e inúmeros sub modos de jogo que permitem a aquisição de novas cartas a Diamond Dynasty apresenta-se como um dos modos mais viciantes do jogo.
Tal como acontece com o seu semelhante de EA SPORTS FC, existe uma tremenda oferta de desafios e tipos de jogos dentro de Diamond Dynasty. A quantidade, diversidade (inclui novo tipo de raridade de cartas e o regresso do modo Conquests, entre muito mais) é épica e, para os jogadores que sejam fãs mais acérrimos da modalidade, será certamente um local no qual irão passar longas horas a fio.
Por outro lado, quem preferir o lado mais estratégico e abrangente do baseball, vai ter no Modo Franchise uma boa fonte de emotividade. O controlo de uma equipa a longo prazo, é uma tarefa árdua e que demora o seu tempo, havendo necessidade de decisões estratégicas mais arrojadas, como por exemplo, a gestão de finanças e investimentos ou as negociações com novos jogadores.
O Centro de Negociações continua a ser uma ferramenta importante para a consolidação de qualquer equipa e com uma interface mais limpa e organizada, permite gerir todos os negócios com uma IA bastante aprimorada e eficaz.
O Modo Franchise convida os jogadores a criarem o seu próprio legado no mundo da MLB.
Adicionalmente, os verdadeiros fãs do baseball americano, irão certamente encontrar muitos motivos para sorrir com o modo Storylines. De uma forma simples, este modo permite aos jogadores vestir o equipamento de algumas das lendas das Black Leagues, nos tempos da segregação racial. Pegando em alguns atletas emblemáticos da modalidade dessa altura, os jogadores vão aprender (e sentir em primeira mão) como foram as suas carreiras e os seus momentos mais altos, através de pequenos mini jogos baseados na realidade.
Tempo ainda para referir um modo Retro no qual os jogadores mais antigos de MLB: The Show se podem deliciar com uma jogabilidade old school e altamente saudosista.
E por falar em momentos, existe ainda um Modo de Jogo Moments que, tal como o nome indica, permite experienciar alguns momentos icónicos da modalidade e de alguns dos seus grandes atletas.
Graficamente, MLB: The Show 26 encontra-se delicioso
O jogo conta com um grafismo fantástico como tenho vindo a referir e, a apresentação de cada partida é feita sob uma perspectiva quase cinematográfica com animações (mais de 500) que reproduzem todos os momentos do antes, durante e depois do jogo. Tudo isto cria um efeito de um todo, ou seja, tudo junto cria a sensação de que MLB: The Show 26 é efetivamente um produto muito completo da forma de reproduzir virtualmente o baseball. As animações estão fantásticas na maior parte dos casos. No capitulo gráfico, apenas surgem ocasionalmente algumas excepções, com algumas animações no decorrer dos jogos (celebrações) demasiado estranhas.
Numa era de constante conexão, MLB: The Show 26 mantém ainda uma constante atualização com os dados e estatísticas reais dos jogadores presentes no jogo, conferindo-lhe uma densidade e paralelismo com o mundo real de uma forma credível.
Um dos grandes trunfos de de MLB: The Show 26 é precisamente, a sua capacidade em capturar de uma forma extremamente clara e justa, a essência do baseball, desde as facetas mais táticas e técnicas como (e principalmente) ao show e emotividade que este desporto e competição trazem consigo. Os melhores momentos de MLB: The Show 26 são claramente, os que acontecem em campo sendo que as novas (e afinações) opções de batida e lançamento da bola permitem uma abordagem distinta e estratégica para cada jogo. Frustrante por vezes mas, altamente recompensador por outras, MLB: The Show 26 captura toda a espetacularidade do baseball americano de uma forma que qualquer fã da modalidade, vai-se sentir em "casa". Muito provavelmente, o melhor jogo de baseball da atualidade.




















