Nos “debates” mais ligeiros, às profundas dissertações sobre o atual mercado automóvel, há sempre os que insistem que um “bom e velho” diesel é mais económico que um novo e tecnológico carro elétrico. Mas não, há novas informações que provam que não é bem assim!
Mais um mito urbano que cai por terra… ou por asfalto!
De acordo com cálculos provenientes de um estudo recente que analisou 400.000 quilómetros, o custo total de utilização de um Tesla Model 3 ronda os 34.000 euros, incluindo manutenção e substituições.
Na mesma distância, um BMW Série 3 a gasóleo ultrapassa os 90.000 euros. Esta diferença deve-se aos preços dos combustíveis e à complexidade mecânica, mesmo num cenário desfavorável ao elétrico.
Mito do “ouvi dizer”: ouvimos demasiadas vezes dizer que a manutenção de um automóvel elétrico é mais cara a longo prazo do que a de um veículo diesel. Pois bem, isso está completamente ao lado da realidade. E de longe.
Um elétrico é mais amigo da sua carteira… sobretudo nas manutenções!
Segundo um estudo conduzido por um especialista croata em reparação automóvel, a EV Clinic, o custo total de utilização de um Tesla Model 3 atinge cerca de 34.000 euros ao longo de 400.000 km, incluindo eletricidade, manutenção e a substituição completa da bateria, dos motores e do sistema de climatização.
À mesma distância, o BMW Série 3 diesel ultrapassa os 90.000 euros, com combustível e reparações associadas ao turbo, ao diferencial, à válvula EGR e à caixa de velocidades.
Esta diferença resulta dos preços dos combustíveis e da complexidade mecânica, mesmo num cenário desfavorável ao elétrico. Na prática, mais de 60% dos condutores carregam o veículo em casa, o que elimina o tempo e o custo associados aos carregadores rápidos.
A manutenção e a utilização são mais simples e económicas quando se comparam verdadeiramente as mecânicas. Verifica-se que um automóvel elétrico tem muito menos peças sujeitas a avarias.
Os conjuntos motopropulsores não incluem turbo nem válvula EGR, o que reduz de forma significativa as intervenções complexas. Para substituir a bateria ou motores secundários bastam alguns dias úteis, ao contrário das centenas de horas que um motor diesel exige para uma substituição completa.
No que toca a carregar e abastecer…
O carregamento rápido em corrente contínua multiplica as paragens: cerca de 1300 sessões. Mas como mais de 60% dos condutores podem ligar o automóvel em casa, a contagem termina aí: uma simples tomada doméstica é suficiente para recuperar uma bateria cheia durante a noite, e o tempo de espera deixa de entrar no cálculo de utilização.
Apontando à realidade dos Balcãs, mais de 65% dos condutores dispõem de uma tomada elétrica em casa. Ligar um VE à noite permite encontrar a bateria totalmente carregada de manhã, sem esperar num posto.
Na Croácia, o custo total da eletricidade para 400.000 quilómetros carregados em casa ronda os 9360 euros, incluindo manutenção, bateria, motores e climatização. O custo de utilização desce assim para 34 000 euros, cerca de três vezes e meia menos do que um veículo diesel equivalente.
O estudo confronta estas afirmações com os usos reais. Um BMW diesel para cerca de 550 vezes na estação de serviço ao longo de 400.000 quilómetros, com uma média de dez minutos por abastecimento, o que corresponde a 92 horas dedicadas apenas a atestar o depósito.
Um Tesla carregado exclusivamente em carregadores rápidos de corrente contínua precisa de cerca de 1.300 sessões de carregamento, cada uma com uma duração média de 25 minutos, o que representa aproximadamente 540 horas acumuladas.
Esta comparação fornece um número que os construtores diesel gostam de destacar. No entanto, a EV Clinic esclarece que este cenário não reflete a realidade quotidiana.
As ideias feitas pró-diesel desmoronam-se
Segundo as conclusões da EV Clinic, estas ideias são constantemente alimentadas por trolls online e pelo que o gabinete de estudos designa como “terrorismo diesel”. As discussões acabam sempre nos mesmos slogans:
- “os VE são mais caros”,
- “as baterias são incomportáveis”,
- “perde-se liberdade”.
A EV Clinic sublinha que 99% dos participantes nestes debates desconhecem os preços oficiais das peças de origem e não dispõem de qualquer ferramenta séria de cálculo.
E se o elétrico carregar nos postos rápidos?
A EV Clinic recorda ainda que, mesmo que a bateria tivesse de ser substituída várias vezes e que o carregamento fosse feito em postos rápidos, o automóvel térmico continuaria a ser mais caro.
Uma road trip europeia de 4600 quilómetros num Audi A6 e-tron demonstrou que um carregamento completo podia custar entre 265 e 536 euros, muito menos do que o orçamento em combustível de um veículo térmico na mesma distância.
Quanto maior for a quilometragem, mais evidente se torna a vantagem financeira de um VE.
O instituto nota igualmente que a propaganda pró-diesel na Europa, e em particular na Alemanha, influencia o debate público. Esta propaganda transforma leitores comuns em fervorosos defensores do diesel, saturando as discussões com clichés e desinformação, sem qualquer noção do uso de uma simples calculadora.
Debates “pró-diesel” cheios de clichés e desinformação
Acresce ainda que o mercado de usados oferece baterias a partir de 5000 euros e motores elétricos por cerca de 1000 euros. Além disso, a manutenção corrente adapta-se facilmente a estes veículos: as reparações frequentes custam menos e resolvem-se mais rapidamente.
Percebe-se assim porque a diferença de manutenção face a um diesel se torna tão significativa, mesmo quando o cálculo inicial parecia desfavorável ao elétrico.
A EV Clinic conclui:
Os automóveis térmicos são desprovidos de alma; limitam a sua liberdade e o seu poder de compra. O problema já não é a tecnologia, mas aceitar os factos.
É natural que a discussão se prolongue por vários anos, até que os factos dissipem os mitos, mas o essencial é que as pessoas experimentem, façam contas e aceitem a evolução.