O Ferrari Testarossa renasce, e a marca do cavallino rampante não poupou esforços. Quarenta anos depois de ter marcado os anos 80, o ícone de nome tão afiado como uma faca de cozinha regressa numa versão 849 que combina memória e exagero.
Não procurem as grelhas laterais ou os faróis retráteis: Maranello virou a página da nostalgia. Este regresso é um Ferrari para 2026, carregado de tecnologia híbrida, com 1.035 cavalos, e concebido para lembrar que o V8 ainda não disse a última palavra.
Sim, agora é um híbrido recarregável!
O nome Testarossa vem do italiano e significa literalmente “cabeça vermelha”.
Explicação detalhada:
- Testa = cabeça
- Rossa = vermelha
O nome refere-se às tampas das válvulas do motor V12 da Ferrari, que eram pintadas de vermelho, uma característica icónica do motor. Portanto, o nome não é apenas poético, mas também técnico, destacando um detalhe específico do carro que o tornava reconhecível e único.
Um V8 eletrificado que beira o absurdo
O coração da besta continua a ser um V8 4.0 biturbo com 818 cv, mais do dobro do Testarossa original. Adicione três motores elétricos que totalizam 217 cv, e obtém-se um conjunto de quatro dígitos.
O SF90, que substitui, parece quase razoável com os seus 986 cv. A Ferrari refez tudo: cabeças de cilindro inéditas, turbos inspirados na hipercar F80, escape alargado e uma estratégia de mudanças de caixa herdada do SF90 XX Stradale.
Resultado: um regime máximo de 8 200 rpm e, sobretudo, um som que a marca promete fiel ao ADN Ferrari, apesar dos eletrões que orbitam à volta.
O cronómetro como obsessão
Menos de 2,3 segundos para atingir os 100 km/h, mais de 338 km/h de velocidade máxima: números que a colocam a meio caminho entre o extravagante F80 e o já extinto SF90.
No circuito de Fiorano, completa a volta em 1’17’’, próxima da FXX (1 minuto e 16,20 segundos), mas ainda dois segundos atrás da F80. Nada de que se envergonhar: estamos a falar de um coupé homologado para a estrada.
O peso? Igual ao do SF90, ou seja, 1 570 kg. A Ferrari compensou com pneus sob medida, travões mais robustos e suspensão mais leve.
O chassis foi pensado para tornar a enorme potência utilizável sem recorrer à brutalidade. E se a aerodinâmica gera 415 kg de downforce a 250 km/h, é também graças a um spoiler traseiro ativo capaz de mudar de configuração em menos de um segundo.
Linhas sem nostalgia… Sacrilééégio
A Ferrari não cedeu à tentação retro, ao contrário da Lamborghini com o Countach. Aqui, nada de grelhas de ventilação com lâminas.
O 849 adota os códigos atuais de Maranello: frente geométrica, faixa preta a ligar os faróis, traseira esculpida realçada por um duplo flick que faz eco ao 512 S.
Os puristas poderão gritar ao sacrilégio. Mas a obsessão não é imitar os anos 80, é antes inscrever o emblema Testarossa na modernidade.
Pensa-se imediatamente no Ferrari F80, sobretudo na dianteira. Todos os que não puderam adquirir uma (só existiam 799) deverão ficar felizes com a chegada da nova 849 Testarossa.
Um cockpit para iniciados
No interior, a semelhança com o SF90 é evidente. O condutor está rodeado de um painel digital e de um volante carregado de comandos tácteis, com o famoso eManettino.
Surpresa: a Ferrari recuou num detalhe, abandonando o arranque háptico por um bom e velho botão físico vermelho. Na era das interfaces digitais, é quase um luxo.
O ambiente colorido pode ser bicolor preto e amarelo, mas também preto e azul, e a personalização está disponível para configurar um modelo ao seu gosto.
Um Ferrari que define prioridades
A 849 Testarossa não é apenas uma homenagem: é uma declaração. A Ferrari recusa a euforia 100% elétrica e acredita ainda no V8 híbrido, capaz de conjugar performances sobre-humanas e prazer carnal.
O preço ainda não é oficial, mas deverá ultrapassar largamente os 400.000 €. O Testarossa dos anos 80 conquistou pelo estilo exuberante. O de 2026 seduzirá pela insolência mecânica. E, no fundo, é exatamente isso que se esperava dele.