Há muito que os fabricantes tentam bater a Tesla no mercado dos automóveis. Não é uma tarefa simples, mas agora a China encontrou finalmente o seu “Tesla Killer”. O Xiaomi SU7 superou as vendas do Model 3 em 30% e quebrou o reinado da Tesla que durava há já cinco anos.
China cria o verdadeiro “Tesla Killer”
O Xiaomi SU7 está a vender mais do que o Tesla Model 3 no segmento dos sedans elétricos premium na China, quebrando o reinado de cinco anos do fabricante automóvel americano. Esta é a primeira vez que um fabricante local consegue destronar a Tesla nesta categoria desde que o Model 3 começou a sair da linha de montagem da Gigafactory 3 de Xangai, no final de 2019.
A mudança na liderança não se deve a uma queda nas vendas da Tesla. Deve-se ao facto de os fabricantes chineses terem atingido o mesmo nível tecnológico e terem oferecido preços mais baixos. Eric Han, executivo sénior da consultora Suolei, com sede em Xangai, explica sem rodeios. Os concorrentes chineses estão a produzir automóveis com as mesmas capacidades tecnológicas do Model 3, mas a preços mais baixos.
A Xiaomi transferiu a sua experiência em eletrónica de consumo para os carros elétricos, e os números comprovam-no. O SU7 percorreu 4.264 km em 24 horas, parando apenas para recarregar. Um teste de autonomia extremo que poucos modelos conseguem suportar. E acumulou mais de 100.000 encomendas em apenas duas semanas, apesar de ter um preço superior ao do Model 3 de entrada de gama na China.
Xiaomi SU7 supera vendas do Model 3
A integração entre hardware e software funciona com a mesma coesão que a Tesla popularizou há anos. A Xiaomi fabrica mais rapidamente e atualiza o produto com mais frequência. Esta capacidade de iteração rápida é uma verdadeira vantagem, e a Tesla está a perdê-la na China, o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Han acrescenta que o sucesso do SU7 impulsiona toda a indústria chinesa a subir na cadeia de valor.
O Model 3 Highland continua a ser um automóvel sólido fora da China, mas no mercado interno, a vantagem tecnológica que a Tesla detinha há anos já não existe. Os fabricantes chineses estão a reduzir as margens com uma agressividade que as marcas ocidentais não conseguem igualar, e isso mudou o cenário. A Tesla já não se pode dar ao luxo de operar em piloto automático num mercado que dominou sem concorrência.
Os números de vendas falam por si e marcam um ponto de viragem. A Xiaomi fabricou um automóvel elétrico competitivo com autonomia comprovada, procura constante e integração técnica funcional. A Tesla continua a vender bem, mas perdeu a liderança no segmento onde mantê-la era crucial. A China já não está apenas a tentar alcançar a Tesla; está a desafiá-la de frente.