O diretor-geral da Renault considera que os objetivos definidos pela União Europeia para a eletrificação do setor automóvel são pouco realistas e alerta para possíveis consequências negativas na indústria. A marca francesa defende, por isso, um papel mais relevante para os híbridos plug-in como tecnologia de transição.
Renault acelera eletrificação com novos lançamentos
Depois do forte sucesso comercial do novo Renault 5 elétrico, a fabricante prepara uma ofensiva significativa na eletrificação da sua gama. Já em maio arrancam as entregas da quarta geração do Twingo, seguindo-se, em outubro, a atualização do Mégane.
O final do ano ficará marcado por duas novidades importantes. Por um lado surge a carrinha Trafic E-Tech, descrita pela marca como o seu primeiro veículo totalmente definido por software. Por outro, chegará o radical R5 Turbo 3E, um modelo desportivo com 555 cavalos de potência, cuja produção estará limitada a apenas 1.980 unidades.
Ainda durante este ano, todos os automóveis elétricos da marca, incluindo os modelos R5, R4, Mégane e Scénic, deverão passar a contar com novas baterias LFP (lítio-ferrofosfato) nas versões de entrada, uma solução que promete reduzir custos e melhorar a acessibilidade.
Mais autonomia e nova plataforma elétrica em 2028
A Renault prepara também melhorias técnicas relevantes para 2027. Os modelos R5 e R4 deverão receber motores mais eficientes, baterias NCM (níquel, cobalto e manganês) com capacidade de 56 kWh e sistemas de carregamento mais rápidos.
Com estas alterações, ambos poderão aproximar-se dos 500 quilómetros de autonomia em ciclo WLTP. O SUV da gama deverá ainda ganhar uma variante com tração integral, possivelmente recuperando a histórica designação Savane.
O verdadeiro salto tecnológico está previsto para 2028, com a chegada da segunda geração da plataforma AmpR Medium. Esta arquitetura servirá de base aos futuros modelos elétricos compactos e médios da marca, nomeadamente as próximas gerações do Scénic e do Rafale, cuja produção deverá decorrer em Palência, Espanha.
Além da arquitetura elétrica de 800 volts, compatível com carregamentos ultrarrápidos capazes de passar dos 15% aos 80% em cerca de 15 minutos, a Renault aponta para uma redução de custos na ordem dos 40% face à geração anterior.
A nova plataforma permitirá também integrar extensores de autonomia (EREV), tecnologia que a marca descreve como “super-híbrida”, destinada a clientes que ainda não estejam preparados para a transição total para veículos 100% elétricos.
Renault pede maior flexibilidade à União Europeia
Apesar deste plano ambicioso, François Provost considera improvável que o mercado europeu consiga atingir uma eletrificação total até 2035.
Numa entrevista recente, o responsável afirmou que “a eletrificação a 100% em 2035 não é possível” e apelou a uma maior flexibilidade por parte da União Europeia. O executivo defende igualmente uma revisão das metas de emissões previstas para 2030, que obrigariam a que cerca de metade das novas matrículas fossem de veículos elétricos.
Segundo Provost, a eletrificação poderá avançar mais rapidamente nos automóveis pequenos, algo que poderá ser facilitado pela nova categoria M1E promovida por Bruxelas. Já nos veículos maiores, considera mais sensato apostar em soluções híbridas plug-in.
Na sua opinião, não faz sentido utilizar veículos totalmente elétricos com baterias de grande capacidade, como packs de 100 kWh e pesos próximos das três toneladas, para deslocações quotidianas.
Os híbridos plug-in surgem, assim, como uma solução intermédia capaz de acompanhar gradualmente os consumidores rumo à mobilidade elétrica.