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Acabaram as preocupações, bateria da Toyota garante 40 anos de vida

Os hipotéticos futuros clientes dos carros elétricos, escusam a sua escolha neste novo patamar da indústria automóvel pelo receio de, em poucos anos, gastar milhares de euros na substituição da bateria. Para acabar com esse “medo”, a Toyota desenvolveu uma nova bateria de estado sólido que promete maior autonomia, carregamento rápido e até 40 anos de vida útil, com apenas 10% de degradação!


Bateria de estado sólido de 40 anos da Toyota pode mudar tudo

A Toyota fez uma promessa ousada: baterias de estado sólido que duram mais do que o próprio carro. E não se trata apenas de durabilidade, mas de uma transformação profunda na forma como concebemos os veículos elétricos (VE), o seu ciclo de vida e o impacto ambiental que geram. Enquanto muitos fabricantes continuam a falar de potencial, a Toyota afirma estar às portas de uma mudança tangível.

No âmbito do Japan Mobility Show 2025, a Toyota anunciou que as suas futuras baterias reterão 90% da capacidade mesmo após 40 anos de uso. Em termos comparativos, isso equivale a quase três vezes a idade média de um automóvel particular nos Estados Unidos. Não é apenas uma melhoria incremental — é uma rutura com o atual modelo de obsolescência.

Atualmente, mesmo as melhores baterias de iões de lítio prometem entre 8 e 10 anos de vida útil. Isso implica substituições, resíduos e emissões associadas a cada nova unidade fabricada. Uma bateria que dure décadas abre a porta a veículos elétricos reutilizáveis, em que o sistema energético se mantém mesmo quando o resto do carro já cumpriu o seu ciclo.

O que muda com as baterias de estado sólido?

Menor peso, maior autonomia e menos risco de incêndio. Estas vantagens técnicas constam há anos nos planos dos fabricantes, mas poucos conseguiram avanços concretos. A Toyota, no entanto, já trabalha com fornecedores estratégicos como a Idemitsu Kosan (eletrólitos) e a Sumitomo Metal Mining (materiais catódicos), garantindo acesso prioritário a recursos essenciais.

Estas baterias substituem o eletrólito líquido das baterias convencionais por um sólido, eliminando muitos dos riscos térmicos que podem causar incêndios. Além disso, permitem uma densidade energética mais elevada, o que se traduz em mais quilómetros por carga sem aumentar o tamanho ou o peso do conjunto.

Mais ciclos, menos resíduos

Empresas como a Solid Power, em colaboração com a BMW, já alcançaram mais de 1.000 ciclos de carga completos com os seus protótipos. Estudos da Universidade de Harvard apontam para baterias capazes de manter 80% da capacidade após 6.000 ciclos, um valor impensável com as tecnologias atuais.

Traduzido para o uso diário, isto significa menos substituições, menos extração de minerais como o lítio ou o cobalto e, consequentemente, menor pressão sobre ecossistemas vulneráveis. Também reduz os custos totais do veículo ao longo da sua vida útil, mesmo que o preço inicial seja mais elevado.

Onde serão usadas primeiro?

Embora tenha havido alguma ambiguidade, a Toyota deixou entrever duas possibilidades concretas para o primeiro lançamento comercial, previsto para 2027 ou 2028: uma nova geração de híbridos ou um desportivo elétrico de altas prestações, possivelmente uma evolução do Lexus Electrified Sport Concept, herdeiro espiritual do LFA.

Gill Pratt, cientista-chefe da Toyota, sugeriu que os híbridos poderão ser os primeiros a beneficiar, devido à menor exigência energética e a ciclos de carga mais suaves.

Contudo, no mesmo evento, a marca também falou de aplicações de alta potência e longo alcance, o que aponta para um automóvel de imagem, pensado para impressionar e demonstrar as capacidades da tecnologia.

Potencial

Este tipo de baterias pode ser fundamental na transição ecológica. Não só melhora a eficiência energética, como também permite:

Tudo isto, se as promessas se confirmarem, colocará a Toyota não só como líder tecnológica, mas também como um ator-chave na descarbonização do transporte.

Ainda faltam alguns anos para a vermos nas estradas. Mas o simples facto de uma marca tão conservadora e pragmática como a Toyota apostar fortemente nesta via é um sinal claro de que a mudança já não é uma utopia.

Sim, isto é uma corrida e alguns já estão a ultrapassar pela esquerda.

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