Concebida para fornecer Internet de alta velocidade e baixa latência em todo mundo, a Starlink está a oferecer o serviço aos utilizadores na Venezuela até 3 de fevereiro, após a operação dos Estados Unidos da América (EUA) no país e a captura do líder deposto Nicolás Maduro.
Num comunicado, emitido no domingo, a fornecedora de Internet via satélite da SpaceX anunciou que estava proativamente a adicionar créditos de serviço a contas ativas e inativas, na Venezuela, à medida que monitorizava a evolução das condições e os requisitos regulatórios.
Embora ainda não tenhamos um cronograma para a disponibilidade de compra local, se e quando houver atualizações, elas serão comunicadas diretamente através dos canais oficiais da Starlink.
Lê-se no comunicado.
Internet via satélite apressa disponibilidade na Venezuela
Subsidiária da empresa aeroespacial SpaceX, a Starlink fornece acesso à Internet através de satélites de órbita baixa e exige que os utilizadores adquiram equipamento separado para se conectarem ao serviço.
No website da empresa, o mapa de disponibilidade informa que a Venezuela receberá o serviço “em breve”, sugerindo que a Starlink ainda não o tinha lançado formalmente no país, apesar de indicar que alguns utilizadores já estavam ativos.
Ainda não está claro, no entanto, como os serviços e preços da empresa evoluirão após o dia 3 de fevereiro.
Starlink em contextos de conflito
Este aumento temporário dos serviços de Internet gratuitos na Venezuela poderia ajudar a fornecer conectividade perante as consequências dos recentes ataques aéreos dos EUA e a operação terrestre que capturou e extraditou Nicolás Maduro para julgamento por acusações que incluem narcoterrorismo e fraude eleitoral.
Entretanto, a Venezuela não é a primeira zona de conflito onde a Starlink foi implementada.
O serviço de satélite foi lançado na Ucrânia, em 2022, para substituir as redes de Internet e comunicação danificadas pela invasão do país pela Rússia, tornando-se rapidamente uma ferramenta crítica para a conectividade civil e militar.
Ainda que as autoridades ucranianas e internacionais tenham elogiado o papel da Starlink num país devastado pela guerra, o seu uso no conflito levantou, ao mesmo tempo, questões sobre a influência que uma única empresa privada poderia exercer sobre o acesso aos serviços de Internet durante a guerra.
Além das zonas de conflito, a Starlink tem sido usada, também, para contornar a censura e os bloqueios da Internet impostos pelo governo em vários países, segundo recordado pela CNBC.
No Irão, milhares de utilizadores terão usado a Starlink para aceder a Internet sem filtros, desafiando as restrições do governo, apesar de o serviço não ser oficialmente aprovado.
Na Venezuela, o histórico de censura e bloqueios da Internet não é limpo. Aliás, o país tem-no bem documentado, especialmente durante períodos de agitação política sob os Governos de Hugo Chávez e, mais recentemente, Maduro.
A Starlink permite que a Internet seja fornecida por empresas não estatais em regimes autoritários.
Explicou Marko Papic, estrategista global da BCA Research, à CNBC, prevendo que é “altamente provável que a Starlink se torne disponível, gratuitamente, em todos os lugares onde os EUA estiverem envolvidos numa relação antagónica com o regime”.