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Rússia lança 16 satélites para rivalizar com a Starlink

A Rússia deu mais um passo estratégico na corrida global pela Internet via satélite. Na segunda-feira, 23, a empresa Bureau 1440 colocou em órbita um lote de 16 satélites de baixa altitude (LEO), integrados no projeto Rassvet, uma constelação pensada para rivalizar com a Starlink.


Rússia acelera alternativa ao Starlink com nova geração de satélites Rassvet

O lançamento foi realizado a partir de um foguetão, marcando o início da fase operacional da infraestrutura espacial russa dedicada a comunicações globais.

Segundo comunicado oficial, os satélites separaram-se com sucesso após atingir a órbita inicial e encontram-se agora sob controlo do centro de missão da empresa. Segue-se a fase de testes dos sistemas de bordo e a transferência para a órbita operacional definitiva.

O envio foi realizado pela empresa aeroespacial Bureau 1440, num foguetão Soyuz-2.1B, e marcou o início da fase operacional da constelação.

Satélites a 800 km com ambição de 1 Gbps

A Bureau 1440 revela alguns detalhes técnicos relevantes desta nova geração de satélites. A constelação deverá operar a cerca de 800 quilómetros de altitude, com velocidades de download até 1 Gbps e latência estimada em torno dos 70 milissegundos.

A arquitetura do sistema baseia-se num conceito semelhante ao das redes móveis modernas. Segundo a empresa, os satélites funcionam como verdadeiras estações base 5G em órbita, permitindo uma cobertura mais eficiente e flexível.

Os terminais de acesso foram concebidos para múltiplos cenários. Poderão ser instalados em infraestruturas fixas ou integrados em plataformas móveis, incluindo automóveis, navios, aeronaves e comboios, abrindo portas a novos casos de utilização em mobilidade.

Além disso, o sistema poderá funcionar como redundância para redes terrestres, assegurando comunicações em situações de falha ou emergência.

Um investimento multibilionário com foco inicial na Rússia

O projeto Rassvet conta com forte apoio estatal. De acordo com dados avançados pela imprensa internacional, o governo russo terá alocado cerca de 1,26 mil milhões de dólares ao desenvolvimento da infraestrutura.

A própria Bureau 1440 prevê investir mais de 4 mil milhões de dólares até 2030, num esforço que envolve cerca de 3.000 profissionais.

O objetivo é ambicioso. A empresa pretende colocar em órbita mais de 900 satélites até 2035, garantindo cobertura global. Numa fase inicial, o foco estará no território russo e regiões estratégicas, antes de uma eventual expansão internacional.

A empresa Bureau 1440 diz que o terminal foi projetado para operar em condições extremas, resistir a vibrações e manter ligação estável com satélites em combóios que podem circular até 400 km/h.

Concorrência intensa no espaço

O mercado de Internet via satélite está cada vez mais competitivo. A SpaceX lidera atualmente este segmento, com o Starlink a ultrapassar os 10 mil satélites lançados até outubro de 2025.

Outros gigantes também se posicionam. A Amazon prepara a sua própria constelação LEO através do projeto Kuiper, que já conta com algumas centenas de satélites em órbita e deverá entrar em operação comercial em breve.

Neste contexto, o Rassvet surge como a resposta russa a uma infraestrutura considerada estratégica, tanto do ponto de vista tecnológico como geopolítico.

Uma nova corrida espacial… agora pela Internet

A aposta em constelações de satélites de baixa órbita está a redefinir o acesso global à Internet. Com menor latência face aos sistemas tradicionais e maior cobertura em zonas remotas, estas soluções prometem transformar setores como transportes, energia, defesa e comunicações.

Com o Rassvet, a Rússia entra de forma mais assertiva nesta nova corrida espacial, onde a conectividade se tornou um dos ativos mais valiosos do século XXI.

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