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“Esforço do Governo chinês”: planos da China para lançar milhares de satélites para o espaço

Propostas recentes enviadas à União Internacional de Telecomunicações (UIT) revelam os planos da China para desafiar a Starlink: mais de 200.000 satélites a formar um total de 14 constelações.


Longe vai o tempo em que a China não tinha espaço nas manchetes. De facto, nos últimos anos, o país asiático tem marcado o ritmo global, com um crescimento económico notável, bem como saltos significativos na mobilidade elétrica e no setor energético.

Enquanto epicentro da produção mundial de veículos elétricos, com uma relevante fatia das vendas e exportações globais, e uma infraestrutura em rápida expansão que sustenta essa transição tecnológica e industrial, a China destaca-se, também, no setor da energia, onde a procura por eletricidade renovável e capacidades de geração mais limpas cresce de forma acelerada.

Entretanto, dando cartas num mercado que tem gerado interesse, propostas enviadas à UIT, no mês passado, revelam os planos do país asiático para desafiar a Starlink, da norte-americana SpaceX: mais de 200.000 satélites a formar um total de 14 constelações.

Entre cerca de uma dúzia de propostas de empresas chinesas, a CTC-1 e a CTC-2 são as mais ambiciosas, ambas apresentadas pelo Institute of Radio Spectrum Utilization and Technological Innovation, um novo órgão nacional de investigação e desenvolvimento, responsável por mais de 95% das iniciativas.

Cada uma destas duas propostas sugere a implementação de uma constelação de 96.714 satélites.

Projetos chineses para o espaço

Com 10.824 satélites na órbita da Terra, a China representa apenas 9,43%, enquanto a gigante tecnológica SpaceX é responsável por 75,94%.

Assim sendo, o pedido para uma quantidade tão grande de recursos de radiofrequência e orbitais representa um aumento drástico relativamente aos pedidos anteriores feitos pela China.

Segundo compilado pela revista norte-americana Popular Mechanics, as submissões foram feitas pelas seguintes entidades:

De acordo com Yang Feng, fundador e diretor-executivo da Spacety, ao China Daily, “o desenvolvimento da Internet via satélite na China é caracterizado por uma coordenação nacional, na qual diferentes partes estão envolvidas”.

Esta coordenação “elevou a Internet via satélite de um empreendimento comercial independente para um novo esforço de infraestrutura do Governo chinês”.

Apesar de estar otimista quanto à viabilidade dos projetos chineses, Yang Feng admitiu que a execução de cada um deles pode não correr tão bem quanto esperado, pois a realidade é diferente do papel.

Citando a mesma revista norte-americana, “levar os satélites do conceito à constelação é uma tarefa monumental”, num processo que pode enfrentar dificuldades em todas as fases, desde a engenharia ao fabrico, até ao lançamento.

Satélites da China para Internet

Enquanto isso, a China tem em andamento constelações de satélites de Internet, incluindo a rede Guowang e a Quianfan, que deverá enviar 15.000 dispositivos até 2030.

Na Academy of Social Sciences de Xangai, o vice-diretor de pesquisa de informação, Ding Botao, mantém uma visão positiva sobre o futuro do país além da atmosfera, sinalizando “a determinação e a capacidade da China de realizar uma implementação sistemática em grande escala na órbita terrestre baixa”.

 

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