Estamos familiarizados com o império de Elon Musk e acompanhamos o crescimento da fortuna que tem acumulado, ao longo dos anos, por via das várias empresas que encabeça. Agora, uma reportagem revela que o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) ter-lhes-á atribuído pelo menos 38 mil milhões de dólares em contratos, subvenções, empréstimos e créditos fiscais, ao longo de duas décadas.
Uma vez envolvido na política dos EUA, enquanto líder do Departamento de Eficiência Governamental, com a sigla DOGE, Elon Musk disponibiliza-se (ainda mais) ao escrutínio conduzido pelo público e pelos órgãos de comunicação social.
Por isso, numa longa reportagem, o The Washington Post revela que as empresas do multimilionário beneficiaram de pelo menos 38 mil milhões de dólares em contratos, subvenções, empréstimos e créditos fiscais, ao longo de duas décadas.
Elon Musk e a sua equipa de redução de custos do [DOGE] têm tido a missão de reduzir a generosidade do governo. No entanto, Musk é um dos maiores beneficiários dos cofres dos contribuintes.
Começou por escrever o The Washington Post.
Conforme revelado, o sucesso de Elon Musk dependeu, pelo menos em parte, de investimentos governamentais fundamentais em alturas críticas, nomeadamente, para a Tesla e a SpaceX.
A reportagem do órgão de comunicação social americano procura explorar aquele que parece ser “um paradoxo”, na perspetiva de Jeffrey Sonnenfeld, professor da Escola de Gestão de Yale.
Nem todos os empresários a esta escala dependeram tanto do dinheiro federal – certamente nem a Nvidia, nem a Microsoft, nem a Amazon, nem a Meta. Com o DOGE, parece haver um paradoxo. Ele tem sido um grande beneficiário da política industrial nacional, especialmente da política industrial democrata, através de financiamento governamental.
A reportagem aponta que, embora Elon Musk defenda a autossuficiência, o seu sucesso tem-se baseado num modelo que combina investimento estatal e capital privado, numa estratégia que lhe permitiu consolidar a liderança da Tesla e da SpaceX, mas sem os mesmos riscos enfrentados por outros empresários.
Governo dos EUA foi crucial para a estabilidade da Tesla
Relativamente à Tesla, o jornal recorda o ano de 2008, quando a empresa enfrentava sérios problemas financeiros. Na altura, Elon Musk recorreu ao lobby para obter um empréstimo de 465 milhões de dólares do Departamento de Energia.
Este montante terá sido fundamental para o fabrico do Model S e para a compra da sua fábrica em Fremont, na Califórnia. Sem ele, a fabricante de carros elétricos ter-se-ia desmoronado.
Além disso, a Tesla terá conseguido 11,4 mil milhões de dólares em créditos regulamentares pela venda de créditos de carbono a outras fabricantes de automóveis, um fator crucial para a sua rentabilidade em anos importantes.
Apesar de Musk ter criticado os subsídios governamentais aos consumidores, a sua empresa tem sido uma das principais beneficiárias de créditos fiscais para a compra de veículos elétricos.
Desde a sua fundação, a Tesla recebeu, também, milhares de milhões em incentivos estatais e locais, incluindo 1,3 mil milhões de dólares no Nevada para a sua gigafábrica de baterias e 750 milhões de dólares em Nova Iorque para a falida SolarCity, que mais tarde foi absorvida pela Tesla.
Apesar destes lucros, em 2021, Musk transferiu a sede da Tesla da Califórnia para o Texas, argumentando com o ambiente regulamentar mais favorável.
SpaceX tem trabalhado para dominar a corrida espacial
Antes de realizar o seu primeiro lançamento bem-sucedido, a SpaceX já tinha recebido 278 milhões de dólares da NASA, em 2006 e, em seguida, um contrato de 1,8 mil milhões de dólares, em 2008, para transportar abastecimentos para a Estação Espacial Internacional.
O investimento governamental permitiu à SpaceX, criada em 2002, desenvolver o Falcon 9, um pilar da sua atividade atual, e beneficiar de missões de defesa e espionagem para o Pentágono, algumas delas avaliadas em milhares de milhões de dólares.
Ainda que continue dependente de contratos com agências federais, em 2024, a SpaceX gerou 9,3 mil milhões de dólares de receitas com a Starlink, o seu serviço de Internet por satélite.
Apesar do crescimento, os analistas salientam que o acesso privilegiado ao financiamento governamental permitiu à SpaceX ultrapassar concorrentes como a Boeing e a Lockheed Martin na indústria aeroespacial.
O papel dos apoios do Governo dos EUA
Nos últimos cinco anos, quase dois terços dos 38 mil milhões de dólares de fundos públicos que impulsionaram as suas empresas foram recebidos sob a forma de novos contratos ou incentivos.
Com 52 contratos ativos com agências como a NASA, o Departamento de Defesa e a Administração de Serviços Gerais, a sua ligação ao Governo dos EUA levanta questões sobre o seu sucesso empresarial.