Os utilizadores queixam-se do incómodo que é estar a ver um vídeo e ele ser, repetidamente, interrompido com anúncios. Às vezes, vários seguidos. E a comunicar a mesma marca. Também reparou que o YouTube parece ter cada vez mais publicidade?
Recorda-se que o YouTube nem sempre mostrou publicidade? A estratégia foi adotada em 2007 e, desde então, o número de anúncios apresentados foi aumentando, progressivamente.
De facto, os utilizadores têm mostrado desagrado relativamente à quantidade de anúncios que são obrigados a ver por vídeo – tendo em conta que, em muitos casos, nem sequer podem avançá-los.
the amount of ADS on YouTube is actually becoming unbearable and insufferable. byu/GreenSaladPoop inyoutube
Este excesso de anúncios é particularmente notável nas televisões, onde são transmitidos novos formatos interativos, desenhados para dispositivos conectados, como feeds de produtos e códigos QR, permitindo a compra direta ou acesso a partir do ecrã.
Citando a PMK, já existem números que mostram os resultados desta inundação de anúncios no YouTube: mais de 50 milhões de conversões mensais em média no quarto trimestre de 2024.
Ainda que muitos utilizadores consumam conteúdos através do telemóvel ou computador, o YouTube tem crescido de forma sustentada nas smart TV, nos últimos anos.
Publicidade cresce a par do YouTube…
Segundo a Nielsen, a plataforma de vídeo tem registado um crescimento geral constante e significativo: mais de 120% desde 2021.
Aliás, em maio de 2025, ocupava a posição de liderança entre as plataformas de streaming, com 12,5% do total de visualizações na televisão, acima da Netflix ou Prime Video, e ultrapassando a televisão tradicional no seu próprio terreno.
Sobre a publicidade no YouTube, recorde que esta nem sempre foi tão invasiva quanto é hoje em dia, estabelecendo-se em banners discretos, por exemplo, fossem estáticos ou dinâmicos.
Ao longo do tempo, contudo, e à medida que a plataforma foi procurando meios de monetização, os anúncios foram sendo introduzidos, com mais e mais frequência, resultando numa receita colossal para o YouTube.
Atualmente, na plataforma de vídeo, os anúncios podem ocupar entre 15% e 20% do tempo total de visualização de um vídeo, segundo uma reportagem do Xataka. De facto, é comum encontrar dois ou três anúncios em vídeos de 10 minutos e até cinco interrupções em vídeos com mais de 15 minutos.
Não fosse tudo isto suficiente, o YouTube tem reforçado as medidas para ajustar a publicidade aos utilizadores e impedir que a passem à frente: desde continuar o anúncio mesmo que a reprodução seja posta em pausa na Smart TV, por exemplo; até dificultar a utilização de adblocks, como já vimos várias vezes.
Neste cenário, impõe-se a questão: estará esta abordagem estratégica do YouTube a prejudicar a experiência dos utilizadores e a afastá-los da plataforma?