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Aposta na prisão de Maduro rende cerca de 400 mil euros em criptomoeda

Poucas horas antes de ser anunciada oficialmente a captura do Presidente da Venezuela Nicolás Maduro, um apostador ganhou quase meio milhão de euros com a situação. A aposta de cerca de 30 mil euros rendeu à pessoa, que permanece anónima, cerca de 400 mil euros em criptomoeda.


O caso teve origem na Polymarket, uma plataforma de mercados de previsão baseada em criptomoedas, onde vários utilizadores apostaram na saída de Nicolás Maduro do poder até ao final de janeiro.

Nas curtas horas que antecederam o anúncio feito pelo Presidente Donald Trump, as probabilidades atribuídas a esse cenário aumentaram de forma significativa.

Uma única conta, criada no mês anterior e com apenas quatro apostas registadas (todas relacionadas com a Venezuela), obteve um lucro superior a 436 mil dólares (o equivalente a 373.128 euros), a partir de um investimento inicial de pouco mais de 32 mil dólares (o equivalente a 27.385 euros).

A identidade do apostador permanece anónima, segundo a BBC, uma vez que a conta está associada a um identificador de blockchain com apenas letras e números.

Mudança abrupta nas probabilidades antes do anúncio oficial

Segundo dados da própria Polymarket, na tarde de sexta-feira, dia 2 de janeiro, a probabilidade atribuída à saída de Nicolás Maduro era de apenas 6,5%.

No entanto, esse valor subiu para 11% pouco antes da meia-noite e aumentou de forma acentuada durante a madrugada de 3 de janeiro.

Uma vez que esta alteração ocorreu pouco antes de Donald Trump ter anunciado, na rede social Truth Social, que o Presidente da Venezuela se encontrava sob custódia dos Estados Unidos, foram levantadas suspeitas de que alguns utilizadores possam ter tido acesso antecipado à informação.

Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima, após ser detido pelos Estados Unidos. Imagem publicada por Donald Trump, na Truth Social.

Especialistas falam em informação privilegiada sobre captura de Maduro

O diretor-executivo da organização Better Markets, Dennis Kelleher, considera que a aposta apresenta “todas as características de uma transação baseada em informação privilegiada”.

Além do principal apostador, outros utilizadores da Polymarket terão, também, obtido ganhos na ordem das dezenas de milhares de dólares com apostas relacionadas com a captura do líder venezuelano.

Entretanto, o caso já chegou ao Congresso norte-americano, com o congressista democrata Ritchie Torres a apresentar um projeto de lei que visa proibir funcionários públicos de participarem em mercados de previsão sempre que detenham informação relevante e não pública relacionada com os eventos em causa.

Polémica em torno dos mercados de previsão não é nova

Os mercados de previsão são plataformas onde os utilizadores podem apostar dinheiro no resultado de acontecimentos futuros, com base na probabilidade de esses eventos ocorrerem.

Nestes mercados, cada evento é representado por contratos que refletem um resultado específico, por exemplo, a vitória de um candidato numa eleição ou o lançamento de um produto numa determinada data. O preço desses contratos varia consoante a procura e a oferta, traduzindo a probabilidade que o mercado atribui a esse desfecho.

À medida que surge nova informação, os apostadores ajustam as suas apostas, fazendo subir ou descer o valor dos contratos.

Visão geral do funcionamento do mercado de previsão. Crédito: Medium

Por esse motivo, os mercados de previsão são muitas vezes vistos como uma forma de agregação de conhecimento coletivo, já que combinam as expectativas e informações de um grande número de pessoas.

Plataformas como a Polymarket e a Kalshi têm registado um crescimento expressivo nos últimos anos, permitindo apostas em áreas como política, economia ou desporto. Durante as eleições presidenciais norte-americanas de 2024, por exemplo, estas empresas movimentaram centenas de milhões de dólares, segundo a BBC.

Apesar de o uso de informação privilegiada ser ilegal nos mercados financeiros tradicionais, os mercados de previsão operam com um enquadramento regulatório mais limitado.

Por isso, levantam preocupações legais e éticas, sobretudo quando envolvem acontecimentos sensíveis ou quando existe o risco de utilização de informação não pública.

Polymarket não quer pagar a quem apostou na captura de Maduro

Entretanto, a imprensa internacional está a avançar que a Polymarket anunciou que, para já, não irá pagar as apostas no valor de milhões de dólares sobre a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, alegando que a captura do então Presidente Nicolás Maduro não cumpre os critérios definidos para a aposta.

No seu site, conforme citado, a plataforma explica que a aposta refere-se a “operações militares dos Estados Unidos destinadas a estabelecer controlo”.

Segundo a Polymarket, “a declaração do Presidente Trump de que irão «gerir» a Venezuela, ao mesmo tempo que faz referência a negociações em curso com o Governo venezuelano, por si só não qualifica a missão de captura de Maduro como uma invasão“.

 

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