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WOW: NASA quer transformar o Sol no maior telescópio de sempre

A missão da NASA poderá revelar oceanos, continentes e até sinais de vida em planetas distantes. Esta “loucura” científica é possível, conforme mostrou Einstein.

NASA quer tornar o Sol uma lente gravitacional

O Sol poderá um dia tornar-se o maior telescópio alguma vez utilizado pela humanidade. Não porque a NASA pretenda construir uma estrutura à sua volta, mas porque quer aproveitar uma propriedade extraordinária prevista por Albert Einstein há mais de um século: a capacidade da gravidade de curvar a luz.

Este conceito, conhecido como “Solar Gravitational Lens (SGL)”, está a ser estudado pela NASA e poderá permitir captar imagens detalhadas de planetas situados a dezenas ou centenas de anos-luz da Terra, com uma resolução impossível de alcançar pelos telescópios atuais.

A missão “Solar Gravitational Lens” precisa de enviar um telescópio para perto de 600 UA. Chegar lá em 6 anos implica uma densidade de potência total da nave de 25 kW/kg. Segundo alguns cálculos, isso significa que 72% da massa seca da nave espacial tem de ser constituída por U235 em fissão a mais de 2400 °C!

O Sol funciona como uma gigantesca lupa cósmica

Segundo a Teoria da Relatividade Geral, qualquer objeto com grande massa curva o espaço-tempo à sua volta. Como consequência, a luz que passa junto desse objeto é desviada.

No caso do Sol, esse desvio faz com que a luz proveniente de um planeta distante seja concentrada numa região específica do espaço, criando uma enorme amplificação da imagem.

Na prática, o Sol passa a funcionar como uma lente com características impossíveis de reproduzir artificialmente.

Os investigadores estimam que esta lente gravitacional possa oferecer uma amplificação da ordem de “100 mil milhões de vezes (10¹¹)” e uma resolução angular extremamente elevada, suficiente para observar detalhes da superfície de um exoplaneta semelhante à Terra.

Um telescópio relativamente pequeno pode fazer um trabalho gigantesco

Curiosamente, o telescópio necessário para aproveitar esta lente não precisa de ser enorme.

Os estudos indicam que um telescópio com cerca de um metro de diâmetro, equipado com um coronógrafo para bloquear o brilho solar, poderá reconstruir imagens com resolução da ordem dos 25 quilómetros por pixel de um planeta potencialmente habitável situado até cerca de 30 parsecs (aproximadamente 98 anos-luz).

Com este nível de detalhe seria possível distinguir:

Além das imagens, seria possível realizar espectroscopia de elevada precisão para procurar moléculas como oxigénio, metano, vapor de água ou outras combinações que possam indicar atividade biológica.

NASA explica que o grande desafio está na distância

Existe, contudo, um enorme obstáculo. Para utilizar esta lente gravitacional, a nave teria de viajar para além de 547 Unidades Astronómicas (UA) do Sol. Para comparação:

Objeto Distância ao Sol
Terra 1 UA
Plutão ~39 UA
Limite mínimo da lente gravitacional ~547 UA

Isto significa viajar muito para além da órbita de Plutão e muito mais longe do que qualquer missão científica operacional alguma vez chegou.

A missão ainda não foi aprovada

Importa sublinhar que esta ainda não é uma missão aprovada. Trata-se de um conceito desenvolvido por Slava Turyshev, do Jet Propulsion Laboratory (JPL), no âmbito do programa NASA Innovative Advanced Concepts (NIAC), destinado a estudar tecnologias revolucionárias para futuras missões espaciais.

Nos últimos anos, o projeto tem evoluído significativamente, com novos estudos a demonstrarem que a ideia é teoricamente viável e que muitas das tecnologias necessárias começam a aproximar-se da maturidade necessária para uma futura missão.

Uma lente gravitacional amplia a distante galáxia Cosmic Seahorse nesta imagem do Telescópio Espacial James Webb divulgada a 28 de março de 2023. (Crédito da imagem: ESA/Webb, NASA & CSA, J. Rigby)

Poderá ser a primeira fotografia detalhada de outro mundo

Se esta missão se concretizar nas próximas décadas, poderá representar um dos maiores avanços da astronomia moderna.

Pela primeira vez, a humanidade poderá observar diretamente a superfície de um planeta semelhante à Terra, identificar continentes, oceanos e fenómenos meteorológicos e, eventualmente, encontrar evidências de vida fora do Sistema Solar.

Mais do que construir um telescópio maior, a NASA pretende aproveitar o maior instrumento ótico já disponível naturalmente: o próprio Sol.

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