O rover Curiosity, da NASA, continua a sua missão de mais de uma década em Marte. Recentemente, partilhou um novo vídeo panorâmico que oferece uma perspetiva deslumbrante das encostas do Monte Sharp.
Um olhar privilegiado sobre Marte
O rover Curiosity enviou para a Terra um novo registo videográfico de Marte que é, verdadeiramente, uma preciosidade: uma panorâmica imersiva de 30 segundos que nos transporta diretamente para as vertentes do Monte Sharp.
À primeira vista, as imagens captadas pelo veículo da NASA poderiam remeter para uma paisagem desértica do Chile ou do sudoeste dos Estados Unidos. Contudo, é crucial não nos deixarmos iludir: a “cordilheira” que se avista ao longe é, na realidade, a orla da gigantesca Cratera Gale, formada pelo impacto de um asteroide há milhares de milhões de anos.
O Curiosity, um laboratório sobre rodas com dimensões comparáveis às de um Mini Cooper, encontrava-se, no momento da captação, a ascender pelas encostas do Monte Sharp, uma imponente formação montanhosa com quase 5 quilómetros de altura, esculpida pelo tempo no interior da própria cratera.
Desde a sua chegada em 2012, o rover Curiosity percorreu cerca de 32 quilómetros sobre o solo marciano, onde explorou incansavelmente a Cratera Gale.
30 seconds on Mars. Enjoy this recent look, courtesy of @MarsCuriosity, at the view from the slopes of Mt. Sharp, with the distant rim of Gale Crater on the horizon. You can imagine the quiet, thin wind, or maybe even the waves of a long-gone lake lapping an ancient shore. pic.twitter.com/XEj3ZKgqc7
— NASA Mars (@NASAMars) May 20, 2025
Vídeo mostra vestígios de um passado aquático
A área onde estas imagens foram obtidas, conhecida formalmente como “unidade portadora de sulfatos”, é abundante em minerais salinos. Os cientistas acreditam que estes minerais são o legado de ribeiros e lagoas que secaram há anos, antes de Marte transitar de um mundo potencialmente semelhante à Terra para o deserto gelado que hoje conhecemos.
A NASA convida-nos a um exercício de imaginação: “pode imaginar-se o vento silencioso e ténue, ou quiçá mesmo as ondas de um lago há muito desaparecido a embater numa antiga margem”.
Apesar de acumular quase treze anos em Marte, a expedição do Curiosity não acaba. Deixou para trás o canal Gediz Vallis, onde há aproximadamente um ano descobriu, de forma inesperada, enxofre elementar (um achado intrigante, dado que na Terra está frequentemente associado a gases vulcânicos ou atividade bacteriana).
Atualmente, dirige-se para uma região com formações geológicas curiosas, denominadas “boxwork”.
Estas estruturas, visualizadas a partir do orbitador Mars Reconnaissance Orbiter, assemelham-se a uma espécie de teia de aranha, com cristas que se estendem por vários quilómetros e que, provavelmente, necessitaram de água subterrânea tépida para se formar.
💧 E onde existe água, como se sabe, reside o potencial para encontrar pistas de vida passada. Os investigadores questionam-se se estas formações “boxwork” poderiam ter albergado antigos microrganismos unicelulares.
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