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Ciência já está a desenvolver uma vacina para a próxima pandemia

Apesar dos avisos, a COVID-19 e o seu impacto apanharam o mundo desprevenido. Portanto, a ciência já está a preparar munições, especificamente uma vacina, para a próxima pandemia.


A pandemia provocada pela COVID-19 desamparou o mundo, apanhando-o desprevenido. Muitos foram os problemas que resultaram dela, indo muito além da própria infeção e das suas consequências diretas.

Agora, considerando os avisos constantes que alertam para uma nova pandemia, a ciência decidiu antecipar-se, e já entrou em ação: um grupo de cientistas britânicos está a desenvolver uma vacina como um seguro contra uma nova pandemia causada por uma doença desconhecida, a Doença X.

O trabalho está a ser realizado no complexo laboratorial governamental de alta segurança de Porton Down, em Wiltshire, no Reino Unido, por uma equipa de mais de 200 cientistas.

Os investigadores enumeraram as ameaças de vírus animais capazes de infetar seres humanos e passíveis de, no futuro, se espalharem rapidamente pelo mundo. Por não se saber qual deles espoletará a próxima pandemia, os cientistas estão a trabalhar no combate da Doença X. Neste momento, estão a monitorizar patogénicos de alto risco, como a gripe das aves e a varíola dos macacos.

O que estamos a tentar fazer aqui é garantir que nos preparamos para que, se tivermos uma nova Doença X, um novo agente patogénico, tenhamos feito o máximo de trabalho possível com antecedência.

Esperemos conseguir evitá-la [uma pandemia]. Mas se não conseguirmos e tivermos de reagir, então, já começámos a desenvolver vacinas e terapêuticas para a combater.

Disse Dame Jenny Harries, professora e diretora da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (em inglês, UKHSA), ao Sky News, que foi guiado pelo laboratório onde a vacina está a ser desenvolvida.

Alterações climáticas estão a abrir o caminho para a próxima pandemia

Segundo a professora Harries, as alterações climáticas, bem como as mudanças populacionais, estão a aumentar a probabilidade de vivermos uma nova pandemia.

Estamos a assistir a um risco crescente a nível mundial. Parte disso deve-se a fatores como a urbanização, em que o vírus pode saltar para os seres humanos [que vivem perto], como aconteceu com a gripe das aves. E outra parte deve-se às alterações climáticas, em que animais como as carraças e os mosquitos se deslocam para locais onde antes estava frio e agora está a ficar cada vez mais quente.

Por isso, na sua perspetiva, apesar de se tratar de uma agenda de risco crescente, “podemos utilizar ativamente a nossa ciência para evitar o impacto humano”.

Dame Jenny Harries, professora e diretora da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido

A UKHSA faz parte de um esforço global que pretende desenvolver uma vacina no prazo de 100 dias, após um novo agente patogénico ser reconhecido como potencialmente pandémico. Segundo a professora, “historicamente, isso seria inédito”.

Normalmente, demoraria cinco ou dez anos. Para a COVID foram necessários cerca de 360 dias.

Apesar de ser uma missão ambiciosa, a professora acredita que, para alguns vírus, é “definitivamente possível”.

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