Durante anos, Apple, Samsung e Google acomodaram-se a baterias na ordem dos 5.000 mAh. Um valor considerado equilibrado entre autonomia, espessura e peso. A China arrumou a “preguiça” dos gigantes com uma bateria de 10.000 mAh.
Bateria de 10.000 mAh? 3 dias sem carregar o smartphone
A Honor apresentou no mercado chinês dois novos modelos, Honor Win e Honor Win RT, equipados com baterias de 10.000 mAh.
Não se trata de um exercício conceptual nem de um telefone robusto e exagerado. São smartphones convencionais, mais finos do que um iPhone 17 Pro Max, mas com o dobro da capacidade energética. Sim, leu bem, o dobro!!!
O papel decisivo do silício-carbono
O salto tecnológico assenta numa aposta clara em baterias de silício-carbono. Esta tecnologia permite uma densidade energética muito superior à do lítio tradicional, que há muito atingiu um limite prático de evolução.
A Honor não detalhou todo o processo de fabrico, mas é evidente que o silício-carbono é o elemento-chave.
Nos últimos anos, esta abordagem tem vindo a demonstrar ser viável em formatos compactos, algo que até agora parecia incompatível com capacidades tão elevadas.
Fim de uma regra não escrita
Existia uma regra implícita na indústria: mais bateria significava sempre mais espessura.
Os 10.000 mAh estavam reservados a equipamentos especializados e pouco apelativos para o grande público. Os novos modelos da Honor quebram essa lógica.
Com processadores topo de gama da Qualcomm e um design relativamente fino, estes smartphones mostram que o compromisso entre autonomia e ergonomia deixou de ser inevitável.
Bateria de 10.000 mAh com tecnologia de silício-carbono, permitindo vários dias de utilização sem carregamentos frequentes. Design surpreendentemente fino para a capacidade energética oferecida, contrariando a ideia de que mais bateria implica maior espessura.
Os desafios que ainda travam o Ocidente
Apesar do avanço, o silício-carbono não está isento de desafios. O primeiro é a degradação. As primeiras gerações levantaram dúvidas, mas os dados mais recentes apontam para ciclos de carga comparáveis ao lítio tradicional, acima dos 1.500 ciclos.
O segundo obstáculo é o custo. A produção destas células é mais cara, o que ajuda a explicar porque é que estas baterias chegam primeiro à China. Não é raro que versões chinesas de smartphones tenham mais capacidade do que as variantes globais.
Por fim, a regulação. Baterias mais densas exigem normas de segurança mais rigorosas, e os enquadramentos legais ocidentais tendem a ser mais conservadores na adoção rápida deste tipo de inovação.
Um salto inevitável para toda a indústria
Nada disto significa que Apple, Samsung ou Google não consigam acompanhar este movimento. A questão tem sido o risco, não a capacidade técnica.
A Samsung já ensaiou passos intermédios, como no Galaxy M51, mas a gama alta continua presa aos 5.000 mAh. A Google mantém-se próxima dos 5.200 mAh. A Apple segue o seu próprio ritmo.
As baterias de 10.000 mAh representam um dos maiores avanços no smartphone desde a chegada da inteligência artificial.
Tornam realista o uso de dois a três dias sem carregador e obrigam a indústria a reconhecer que o lítio, tal como o conhecíamos, já não é suficiente.
Queiram ou não, os fabricantes tradicionais terão de seguir o caminho que a China abriu. A inércia industrial deixou de ser uma opção.