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Polónia desconfia que carros chineses estão a passar informações e restringe a sua circulação

Os carros provenientes da China que disponham de câmaras e ligação à Internet deixam de poder aceder a locais militares e a espaços adjacentes com infraestruturas consideradas críticas, por razões de segurança nacional.

 


Polónia não confia na China

Na Polónia cresce a desconfiança em relação à tecnologia incorporada nos modelos oriundos da China, cada vez mais visíveis nas estradas europeias.

De acordo com a agência estatal PAP, o país decidiu limitar as zonas onde estes veículos podem circular, invocando preocupações de segurança nacional.

A restrição anunciada pelo governo polaco aplica-se tanto a áreas militares como a zonas adjacentes que possam albergar infraestruturas relevantes para o país. Para Varsóvia, trata-se de uma medida preventiva no âmbito da defesa nacional.

Receios sobre recolha e transmissão de dados sensíveis

O principal receio das autoridades prende-se com a possibilidade de os carros conectados transmitirem dados sensíveis através de câmaras, sensores e serviços online.

Em causa está o risco de divulgação de informações confidenciais, incluindo a localização de infraestruturas estratégicas ou detalhes relacionados com operações militares.

Assim, veículos conectados provenientes da China ficam impedidos de circular em zonas militares, vias de acesso circundantes, parques de estacionamento próximos e áreas logísticas.

A decisão não interfere com a utilização civil normal. Importa notar que, no mercado polaco, continuam a predominar marcas como a Toyota e o Grupo Volkswagen, incluindo a própria Volkswagen e a Skoda.

Marcas visadas e reação da China

A PAP refere marcas como BYD, MG, NIO, Xpeng e Aiways, embora ainda não exista uma lista oficial.

Há também relatos de meios polacos que indicam que um condutor de um veículo da Tesla terá visto o acesso a uma instalação militar recusado, mais pela arquitetura digital do automóvel do que pela sua origem.

Apesar do crescimento visível de marcas chinesas como MG, BYD, OMODA ou JAECOO em países como Portugal, no total europeu estas representam cerca de 5% da quota de mercado, menos de metade da quota do Grupo Renault.

Uma parte significativa dessa presença resulta de modelos acessíveis, como o MG ZS ou o BYD Seal U DM-i, líder no segmento dos híbridos plug-in.

Segundo dados de 2024, o grupo Geely matriculou cerca de 14.747 veículos na Polónia, aproximadamente um décimo do volume registado pelo Grupo Volkswagen.

Embora fora do Top 5, supera marcas como Ford e Mazda. Já a SAIC apresenta um crescimento sustentado no mercado polaco.

Estão a ser preparadas restrições ao acesso de carros fabricados na China para proteger localizações e instalações militares.

Afirmou um porta-voz do governo polaco, sublinhando que a medida integra uma estratégia de segurança das forças armadas.

Do lado chinês, a resposta não se fez esperar.

A China considera que o uso indevido do conceito de segurança nacional tem de parar.

Declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.

Até ao momento, nenhum outro país europeu avançou com restrições semelhantes, embora a União Europeia esteja a trabalhar em regras de cibersegurança mais exigentes para os próximos anos.

Estas preocupações não são inéditas. Recorde-se que, na Noruega, chegou a ser investigada a hipótese de autocarros elétricos integrarem um alegado “botão vermelho”, capaz de imobilizar o veículo remotamente através do cartão SIM utilizado na gestão das baterias e de outros sistemas.

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