A Ford registou uma patente que descreve um sistema capaz de mover autonomamente um veículo estacionado para evitar colisões. A tecnologia necessária já existe em grande parte, mas falta saber se algum dia chegará à produção.
Uma patente para proteger o carro mesmo quando o condutor não está lá
Publicada nos Estados Unidos, a patente descreve um sistema chamado System for Detecting Moving Objects, concebido para monitorizar ameaças à volta de um veículo estacionado e reagir de forma autónoma.
O objetivo é cobrir precisamente os momentos em que o condutor não está dentro do carro, em situações tão comuns como um carrinho de supermercado que escapa ao controlo, outro condutor a recuar demasiado depressa, ou um veículo a deslizar num parque de estacionamento com gelo.
Ou seja, cenários banais que causam milhares de euros em danos evitáveis.
Como funciona o sistema da Ford?
O sistema baseia-se em câmaras externas, sensores e software que analisam continuamente o ambiente à volta do veículo.
Ao detetar um objeto em rota de colisão, a primeira resposta passa por alertas, como luzes intermitentes, buzina ou outros avisos sonoros e visuais, na tentativa de chamar a atenção do peão ou condutor que se aproxima.
Se os alertas não forem suficientes e o impacto parecer inevitável, o carro pode reposicionar-se autonomamente para um lugar diferente, desde que haja espaço disponível nas imediações.
Na prática, trata-se de uma extensão dos sistemas de segurança ativa, indo além do momento em que o condutor abandona o veículo.
Nos casos em que nem os alertas nem a recolocação sejam possíveis, o sistema recorre às câmaras para gravar o incidente, servindo de prova em caso de dano ou litígio.
Será que o sistema para evitar batidas vai chegar aos carros?
A Ford foi cautelosa nas declarações ao website Ford Authority. Conforme citado pelo Carscoops, a marca afirmou que o registo de patentes faz parte da estratégia normal de qualquer empresa para proteger ideias e construir um portfólio de propriedade intelectual.
Um porta-voz da marca sublinhou que uma patente não deve ser interpretada como um indicador dos planos de produto da empresa, como, aliás, é habitual no mundo automóvel.
De qualquer modo, apesar de a ideia existir e a tecnologia necessária para implementá-la estar disponível, o caminho entre uma patente e um produto no mercado é longo e sem garantias.