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O habitat dos diferentes tipos de videojogos

Todos os géneros de videojogos têm o seu habitat natural. Apesar de poderem ser jogados em praticamente qualquer lado, existem certos locais onde claramente certos tipos de jogos podem… ou melhor… devem ser desfrutados com mais prazer. Venham conhecê-los…


Todos nós, jogadores de videojogos, passamos horas e horas agarrados ao comando, teclado ou ecrã. Uns chamam-lhe hobby, outros chamam-lhe vício mas as nossas famílias preferem identificá-los como “outra vez a jogar?“. Mas a verdade é que todos temos aqueles momentos sagrados de jogo que acontecem, regra geral, sempre nos mesmos sítios.

Cada jogador tem o seu habitat natural. Há quem jogue no sofá, quem se esconda no quarto, quem transforme a secretária numa central de comando da NASA e até quem consiga jogar em locais tão improváveis que fariam um pinguim questionar as suas escolhas de vida.

Mas será que existe um habitat ideal para cada género de videojogo? Será que os jogos de terror ficam melhores jogados às escuras? Será que os simuladores de futebol exigem uma posição digna de treinador de bancada? E será que os jogos de estratégia pedem uma cadeira tão confortável que permita ignorar completamente a existência do mundo exterior durante dezoito horas seguidas?

Num exercício científico de rigor altamente duvidoso e financiado exclusivamente pela minha imaginação, tentei chegar a algumas conclusões sobre os melhores (ou piores) locais para os jogadores desfrutarem dos seus títulos favoritos, consoante o género do jogo em questão. O resultado? Digamos apenas que a ciência nunca mais será a mesma.

RPG – Geração Eremita

Nos RPG (Role Playing Games) o jogador não joga um simples jogo. Ele adota uma segunda vida e veste uma segunda pele. E estes jogos costumam ser extremamente imersivos pelo convém serem explorados em ambientes bastante tranquilos e prazerosos.

Ao fim de 200 horas, o jogador já salvou três reinos inteiros, derrotou dois deuses antigos, descobriu a cura para os zombies mas ainda não encontrou tempo para pagar a conta da eletricidade na vida real.

JRPG – Um mundo à parte

Os JRPG (Japanese RPG) são um tipo de jogos muito particular que, incluindo praticamente tudo o que os RPG têm, ainda consegue adicionar alguns elementos muito característicos:

Para se extrair todo o prazer de um JRPG, há que reunir determinados condições muito particulares, sendo que os habitats naturais para este tipo de jogo pode passar por:

FPS – O Centro de Comando Tático

Para o jogador de FPS (First Person Shooter), cada jogo, não é um jogo. É uma verdadeira operação militar com o objetivo de salvar o Mundo de uma conspiração terrorista. Um FPS é um pouco exigente no que toca ao local onde a ação decorre. Sítios como:

É claro que nada disto impede de que, toda e qualquer derrota seja sempre causada por, lag.

Tactical FPS – A Academia Militar

Nos TFPS, não existem heróis solitários nem Rambos. A vida é muito mais divertida se nos organizarmos em grupos e matarmos outros grupos que nem uns desalmados. Neste tipo de jogo podemos encontrar aspetos importantes como a existência de equipas, uma boa comunicação entre os seus elementos, disciplina e alguém sempre a gritar “Quem abriu aquela porta?!

É claro que para se poder desfrutar de um Tactical FPS em toda a sua grandeza, há alguns elementos cruciais no local onde se avança para a operação militar:

Este último requisito é frequentemente o mais difícil.

Ação – Festa da Adrenalina

Nos jogos de Ação não há tempo para planos complicados, política internacional ou diálogos de 45 minutos sobre o sexo dos anjos. Nestes jogos há explosões, perseguições, pancadaria, saltos impossíveis e muito pouco respeito pelas leis da física. Vejam lá se não concordam que os seguintes locais são ou não adequados para se jogar:

Um aspeto nefasto dos jogos de ação é que o jogador acaba por ficar convencido de que pressionar os botões com mais força aumenta o dano causado aos inimigos, o que poderá prejudicar os polegares… e também os próprios botões.

Hack ‘n’ Slash – O Ginásio dos Polegares

Nos jogos Hack ‘n’ Slash a mecânica é simples. Muito simples:

E existem uns quantos locais particularmente adequados para tratar desses inimigos:

Soulslike – A Câmara de Tortura Voluntária

Claramente um tipo de jogos que pode causar sérios problemas de saúde a quem os joga. E arrisco-me a dizer que poucas pessoas entendem completamente os jogadores de Soulslike. Ora vejamos:

É um pouco de “quanto mais me bates, mais gosto de ti“. Quais os melhores habitats para Soulslikes?

A frase mais comum que um jogador típico de Soulslike passa por “Quase que o tinha morto” ou então “Bolas, este Boss ainda tem 80% da vida“.

Jogos Narrativos – Cinema Interativo

Eis um tipo de jogos que convida os jogadores viverem uma história. A entrarem numa narrativa e, tal como se de um livro se tratasse, viverem a história tal como se do personagem se tratasse. O jogador encontra-se emocionalmente ligado a personagens fictícias desde os primeiros quinze minutos de jogo. Nada como jogar um destes títulos:

O resultado destes jogos é o de muitas vezes o próprio jogador passar mais tempo a pensar nos dilemas morais apresentados no jogo, que o próprio protagonista do jogo.

Point and Click – O Gabinete do Detetive

Um dos tipos de videojogos mais antigos e ainda assim, um dos mais apreciados. O jogador dum Point and Click é bastante metódico, extremamente escrutinador, muito atento e doentiamente focado quase a roçar a patologia. Deve ser fantástico jogar um Point and Click em:

No entanto, este tipo de jogos corresponde também a verdadeiros testes à astucia e paciência dos jogadores, pois facilmente se passam duas horas a tentar perceber como combinar uma sardinha com uma bandeira e um pente.

Puzzles – O Laboratório do Sofrimento Intelectual

Outro tipo de jogo que pode causar sérios danos aos jogadores. Particularmente ao ego e autoestima dos jogadores. É um género que alterna constantemente entre o “Sou um génio!” e o “Como é que consegui chegar à idade adulta?” Imaginem o que seria jogar em:

É aquele tipo de jogo no qual o jogador recusa procurar soluções online durante uma hora mas a partir daí, vai procurar de dez em dez segundos.

Plataformas – O Campeonato Mundial de Saltos Falhados

O jogador acredita sinceramente que mexer o corpo ajuda a personagem. Não ajuda. Mas continua a fazê-lo.

MOBA – O Centro de Gestão de Crises

Cinco jogadores. Cinco estratégias diferentes. Zero consenso.

Geralmente estes jogos duram 40 minutos mas… a discussão dura três dias.

MMORPG – O Segunda Lar

É claramente um tipo de jogo extraordinariamente amplo, socialmente. O jogador já não distingue os amigos reais dos membros da sua guilda.

É perfeitamente normal agendar uma raid com mais antecedência do que um jantar de família.

Jogos de Aventura – Explorador Desenfreado

Existe uma missão urgente. O jogador ignora-a. Existe um mundo para explorar.

Jogos de Desporto – O Ginásio Particular

Este jogador tende a interpretar cada jogo como uma final. Uma finalíssima, mesmo que seja apenas um amigável.

Alguns efeitos colaterais de quem joga títulos de desporto em apartamentos, é que os vizinhos podem ficar convencidos de que está realmente a decorrer uma partida importante.

Simulação Automóvel – O meu Cockpit

O verdadeiro fã acaba inevitavelmente por comprar um Volante, um conjunto de Pedais, um Banco e uma Estrutura metálica. E, eventualmente, uma configuração mais cara do que o automóvel real.

Stealth – O Templo do Silêncio

O objetivo é não ser visto. O jogador avança durante meia hora sem ser detectado por dezenas de inimigos e armadilhas mortais. Depois derruba uma lata virtual. Missão falhada!

Qualquer ruído externo passa imediatamente a fazer parte de um colapso nervoso.

Survival Horror – A Fábrica de Sustos

O género onde o jogador paga para ficar assustado. Local ideal:

Neste tipo de jogos, a cada cinco minutos acontece um estranho ritual:

  1.  Ouve-se um ruído.
  2. O jogador congela.
  3. Nada acontece.
  4. Relaxa.
  5. Algo acontece.

Survival – O Escuteiro Digital

Começa sem nada. Termina com uma fortaleza, uma quinta, um arsenal e uma crise de ansiedade permanente. Local ideal:

O jogador passa oito horas a sobreviver virtualmente enquanto se esquece de comer na vida real.


Cada género tem o seu habitat natural. Os jogadores de RPG desaparecem da realidade, os de Soulslike desafiam a sanidade, os de MOBA testam a paciência humana e os fãs de simuladores automóveis constroem cockpits dignos da Fórmula 1. Mas todos partilham uma necessidade fundamental:

No fundo, no fundo, todos os jogos funcionam da mesma forma: alguém ganha, alguém perde e alguém culpa o lag

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