A Casa Branca lançou um novo alerta esta quinta-feira, dia 19, ao afirmar que o Irão está tecnicamente preparado para construir uma arma nuclear num espaço de apenas duas semanas. A revelação partiu da secretária de imprensa Karoline Leavitt, que sublinhou a gravidade da situação geopolítica e o risco de uma escalada nuclear no Médio Oriente.
Uma bomba nuclear em 15 dias?
A administração norte-americana voltou a soar o alarme esta quinta-feira ao declarar que o Irão está tecnicamente capacitado para fabricar uma arma nuclear em apenas duas semanas. A afirmação foi feita pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, que indicou que o único obstáculo atual é a autorização política do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O Irão tem tudo o que precisa para obter uma arma nuclear. Tudo o que falta é uma decisão do líder supremo, e levaria quinze dias para concluir a produção dessa arma.
Disse Leavitt aos jornalistas.
Tecnologia envolvida
A construção de uma bomba nuclear exige três componentes principais: material físsil em quantidade e pureza suficientes, um sistema de detonação preciso e um invólucro que assegure a compressão e reação em cadeia.
O Irão, segundo peritos ocidentais, já dispõe de urânio enriquecido a mais de 60% – estando muito próximo do grau de armamento (cerca de 90%).
Além disso, o país desenvolveu, nos últimos anos, centrífugas avançadas (como as IR-6) que permitem acelerar o processo de enriquecimento.
Estas máquinas giram a velocidades elevadas para separar isótopos de urânio, aumentando a concentração de U-235, o isótopo essencial para a fissão nuclear.
No caso de uma bomba de implosão – a mais comum entre os arsenais atuais – é necessário um sistema de explosivos convencionais altamente simétrico, que comprime o material físsil até atingir massa crítica. Isto exige conhecimentos de engenharia explosiva, metalurgia avançada e sistemas de iniciação ultra-precisos, todos eles domínios nos quais o Irão demonstrou avanços.
Contexto político e estratégico
Desde a saída dos EUA do Acordo Nuclear (JCPOA) em 2018, o Irão tem vindo a reduzir gradualmente a sua cooperação com a AIEA e a aumentar as suas reservas de urânio enriquecido. A Casa Branca teme agora que Teerão esteja à beira de cruzar a “linha vermelha” da militarização do seu programa nuclear.
Se o Irão optasse por fabricar uma ogiva, isso poderia desencadear uma resposta regional em cadeia, com países como a Arábia Saudita a pressionarem para desenvolver o seu próprio programa. O risco de proliferação, aliado à instabilidade no Golfo e ao confronto com Israel, torna este cenário particularmente sensível.
Washington continua a apostar numa combinação de dissuasão militar, sanções e diplomacia para conter Teerão. Mas o reconhecimento público de que a capacidade técnica já existe marca uma mudança de tom e prepara o terreno para possíveis ações preventivas, caso a decisão política seja tomada em Teerão.