O futuro da Xbox no mercado de consolas é um tópico de debate aceso na indústria dos videojogos. Agora, uma das mentes por detrás da criação da consola original proferiu uma dura crítica que está a agitar a comunidade de entusiastas: “o hardware da Xbox está morto”.
Uma visão crítica sobre a estratégia da Microsoft com a Xbox
A atualidade da Xbox é um tema que gera discussões acaloradas entre os jogadores. A nova estratégia multiplataforma adotada pela Microsoft, que se afasta progressivamente do conceito de jogos exclusivos, entre outras decisões de negócio, levou muitos a acreditar que os dias da empresa como fabricante de hardware dedicado estão a chegar ao fim.
Laura Fryer, uma das criadoras da Xbox original, não mediu as palavras ao partilhar a sua opinião sobre o assunto.
Através do seu canal de YouTube, Fryer analisou o panorama atual da marca e deixou uma apreciação brutal sobre o plano da Microsoft, que parece cada vez mais focado em parcerias com terceiros – como a que deu origem à consola portátil Asus ROG Ally – do que no desenvolvimento de dispositivos próprios.
Na minha opinião, o hardware da Xbox está morto.
Afirmou.
É inegável que Laura Fryer é uma voz autorizada para falar sobre o universo Xbox. A sua ligação à marca remonta a meados dos anos noventa, quando integrou a equipa original dos Microsoft Game Studios. Desempenhou um papel fundamental não só no desenvolvimento da primeira consola da gigante de Redmond, mas também na criação das ferramentas que permitiram aos estúdios levar os seus títulos para a nova plataforma.
No seu vídeo, Fryer questionou a campanha de marketing da Microsoft, que promove a ideia de que “qualquer dispositivo pode ser uma Xbox”. Além disso, criticou a empresa por, alegadamente, não cumprir as promessas relacionadas com o serviço Game Pass e com a política de preços dos seus jogos.
Contudo, a sua mensagem mais marcante foi, sem dúvida, a que se focou no futuro do hardware para jogos.
Aliança com a Asus e o abandono do hardware próprio
Segundo a veterana da indústria, não existe um motivo real para os jogadores investirem numa consola portátil como a Asus ROG Ally X, anunciada recentemente. Embora reconheça que o desenvolvimento de novas consolas é um processo caro e que colocar um “autocolante” da Xbox em dispositivos de terceiros é uma solução mais simples, Fryer considera que esta abordagem representa uma traição a todo o trabalho desenvolvido há mais de duas décadas.
Obviamente, como uma das fundadoras da equipa Xbox, não gosto do estado atual das coisas. Não me agrada ver como todo o valor que ajudei a criar está a ser lentamente corroído.
Entristece-me porque, do meu ponto de vista, parece que a Xbox já não deseja ou não consegue desenvolver novo hardware. Por isso, esta aliança [com a Asus] representa uma saída lenta e definitiva do negócio do hardware. Pessoalmente, acredito que o hardware da Xbox está morto.
Comentou.
A posição de Laura Fryer é, naturalmente, influenciada por um contexto nostálgico, fruto da sua contribuição para dar vida à família de consolas da Microsoft. No entanto, é também um facto que a gigante de Redmond tem vindo a abordar a sua estratégia de hardware com uma convicção muito menor do que em tempos passados.
O fracasso comercial da Xbox One foi um duro golpe para a empresa, especialmente numa altura em que o público estava habituado à narrativa da “guerra de consolas” com a PlayStation. Desde então, o percurso tem sido uma batalha árdua.
Fryer especula que a Xbox poderá ter anúncios importantes no próximo ano, quando se celebrarem os 25 anos do lançamento da consola original, mas não adiantou se estarão relacionados com novos dispositivos.
Leia também: