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A guerra das tarifas vai fazer subir o preço dos HDD e SSD… ninguém está atento a isso?

A administração dos EUA aumentou os direitos aduaneiros (vulgo tarifas) sobre os produtos provenientes da China para 145%. Não é fácil para os fabricantes de discos rígidos mecânicos deslocarem-se de um país para outro. Como tal, os SSD, assim como os HDD vão subir de preço… e poderá ser um enorme aumento!


Tarifas vão “abanar” com a tecnologia

A guerra de direitos aduaneiros desencadeada em todo o mundo pelo governo norte-americano liderado por Donald Trump está a causar estragos nos mercados.

Os consumidores já estão a notar aumentos de preços em muitos produtos e, presumivelmente, a curto prazo, veremos em muitos mais. Não há dúvida de que o mundo está a entrar em território desconhecido.

Se nos cingirmos à tecnologia, fala-se muito do impacto das tarifas sobre os chips para aplicações de inteligência artificial (IA), CPUs e outros componentes, mas as soluções de armazenamento têm passado despercebidas. Até agora.

A política tarifária dos EUA conduzirá muito provavelmente a um aumento significativo do preço dos discos rígidos mecânicos e das unidades de armazenamento de estado sólido (SSD).

A Samsung fabrica DRAM e NAND na Coreia do Sul, com alguns NAND fabricados na China. A montagem dos SSD está concentrada na Coreia do Sul. Os SSD serão provavelmente objeto de uma tarifa de 26% aplicada pela Coreia do Sul.

Discos rígidos mecânicos podem ter desempenho pior do que os SSD

A Seagate, a Toshiba e a Western Digital são os principais fabricantes de discos rígidos mecânicos.

As cadeias de abastecimento destas três empresas são muito complexas porque os componentes que utilizam para montar as suas unidades provêm de uma grande variedade de países. E, para surpresa de ninguém, muitos destes países encontram-se entre os que estão sujeitos aos direitos aduaneiros mais elevados dos EUA. Em princípio, a empresa mais prejudicada no clima atual é a Seagate.

Conforme referido, a administração norte-americana aumentou as tarifas sobre os produtos provenientes da China para 145%, e a Seagate produz uma boa parte do seu portefólio no país liderado por Xi Jinping.

Nas atuais circunstâncias, a melhor opção para estas empresas é deslocar a sua produção para os EUA, ou para um dos países que estão a ser tratados de forma um pouco mais simpática pelo governo de Donald Trump.

No entanto, não é fácil para os fabricantes de discos rígidos mecânicos deslocarem-se de um país para outro. E não é pelo facto de estes dispositivos serem montados em salas limpas, semelhantes às utilizadas no fabrico de semicondutores, para garantir que as partículas de poeira não os estragam.

A situação dos produtores de unidades de armazenamento de estado sólido não é muito diferente.

Por exemplo, a Micron fabrica DRAM, NAND e SSDs. A DRAM é fabricada em Boise, Idaho, e no Japão, Singapura e Taiwan. A isenção poderia aplicar-se aos chips DRAM e NAND, mas não necessariamente aos SSDs que contêm NAND, uma vez que não existe uma isenção específica para estes. Estes estão sujeitos aos direitos aduaneiros aplicáveis ao país de origem especificados pela administração Trump.

As cadeias de abastecimento da Samsung, Micron ou Kioxia, entre outras empresas que produzem chips de memória 3D NAND ou SSD, são tão complexas como as das empresas que produzem discos rígidos mecânicos. Contudo, os fabricantes de unidades de estado sólido têm uma vantagem que as empresas de discos rígidos mecânicos não têm: a montagem de SSD não tem de ser efetuada numa sala limpa.

Na prática, é relativamente fácil transferir a produção de SSD da China ou do Vietname para o México, Canadá ou os EUA. Mas não será viável nos próximos tempos, dada a complexidade na cadeia de fornecimento!

De qualquer modo, é provável que o preço das unidades de armazenamento de qualquer tipo aumente significativamente nas próximas semanas.

Só um regresso ao mercado pré-tarifário poderia evitar esta situação e, neste momento, esta possibilidade é remota.

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