Foi há cerca de 2 anos, em Julho de 2014, que a Xiaomi lançou a primeira Mi Band, uma pulseira capaz de monitorizar movimentos e notificar o utilizador, entre outras funcionalidades. Popularizou-se essencialmente devido ao seu baixíssimo preço e à forma imaculada como cumpria o que prometia, funcionando com a maior parte dos smartphones.
Agora eis que é dado um passo inevitável nas suas características, surgindo uma nova versão com um ecrã OLED e um botão táctil, herdando todas as funcionalidades das versões anteriores. Será que continua a cumprir com o que promete? Veja tudo na nossa análise.
Monitorização de movimentos, alarme com vibração, desbloqueio do smartphone por proximidade e notificações personalizadas são coisas que a primeira Mi Band já fazia, com uma autonomia de cerca de 2 meses. A isso junta-se a medição da pulsação cardíaca, disponível na Mi Band 1S lançada alguns meses depois, e um grande sucesso de vendas alcançado por todo o mundo.
Para quem, como eu, que deixou há muito de utilizar um relógio de pulso e passou a recorrer exclusivamente ao smartphone para ver as horas, o facto de ter voltado a utilizar algo no pulso sem ter a possibilidade de consultar as horas fez alguma confusão… e por essa razão, achei que não me justificava a vantagem de monitorizar a actividade e receber algumas notificações em troca de algum incómodo no braço. Deixei de utilizar a Mi Band 1.
Com a chegada da nova Mi Band 2, tudo mudou. O facto de ter um ecrã OLED e a possibilidade de mostrar informação como as horas, os passos, pulsação e vários tipos de notificação, com a ajuda de um botão, levou a que voltasse a usar uma pulseira… que agora é verdadeiramente um relógio, à prova de água e poeiras.
Vídeo de unboxing
Características e design
Como já referido, esta nova Mi Band destaca-se essencialmente pela inclusão do ecrã OLED de 0,42″, de iluminação branca, e do botão capacitivo presente também na parte frontal, que agora já não é de alumínio/magnésio mas sim de vidro resistente a riscos com uma camada oleofóbica para minimizar as gorduras naturais da pele. A intensidade de brilho do ecrã é boa e não é regulável, no entanto, a incidência directa da luz solar dificulta a visualização da informação do ecrã.
O vidro protector, embora aparente ser resistente e tenha sido utilizado com muito cuidado neste primeiro mês, tem já alguns micro-riscos. Embora sejam praticamente invisíveis e não sejam de grande importância, fica a nota. Esses micro-riscos podem ser vistos nas imagens abaixo.
O botão capacitivo permite activar o ecrã e alternar entre os vários tipos de informação disponível. Poderia ser útil ter outras funcionalidades, como desencadear a contagem de um cronómetro com um toque longo, mas deverá ser algo para uma futura versão.
A pulseira de silicone sofreu melhorias e agora é mais resistente, tem maior durabilidade e é mais confortável, já que é feita de um silicone mais mole e macio que a pulseira fornecida com a primeira Mi Band. É também referida como sendo “anti-suor”, característica essa que não me consegui aperceber.
Tem certificação de protecção IP67, o que significa que é resistente a poeiras e a imersão em água doce, pelo menos a 1 metro de profundidade durante 30 minutos.
O peso da Mi Band 2 + bracelete é de 17 g, apenas 4 grama a mais que a versão anterior. A bateria, de capacidade consideravelmente superior à versão anterior (de 41 mAh para 70 mAh), tem agora um ecrã para alimentar e, por essa razão, a autonomia que desceu para cerca de 20 dias, o que não deixa de ser uma óptima marca.
Especificações
- Ecrã: 0,42″ OLED
- Método carregamento: adaptador USB
- Comunicação: Bluetooth 4.0
- Compatibilidade: Android 4.4+ e iOS 7.0+
- Cores: preto, mas já estão disponíveis braceletes em cores e materiais variados
- Protecção: IP67
- Bateria: 70 mAh lithium-ion
- Autonomia: 20 dias
- Outros: acelerómetro, vibração
- Tempo de carregamento: 3 horas
- Dimensões: 4,03 x 1,57 x 1,05 cm
- Tamanho bracelete: 15,5 – 21,0 cm
- Peso total: 17 g
Software e funcionalidades
A app Mi Fit, disponibilizada oficialmente pela Xiaomi e compatível com qualquer versão da Mi Band, está disponível para Android e iOS, existindo também uma versão não oficial para Windows Mobile que possui as funcionalidades básicas.
Na app Mi Fit, além de ser possível aceder a todo o histórico de actividade física, sono, pulsação cardíaca e peso, é ainda possível configurar vários pormenores como notificações, alarme, desbloqueio do smartphone, entre outros. Abaixo está uma lista completa de funcionalidades.
- Relógio
- Medição da pulsação cardíaca
- Desbloqueio do smartphone (compatível com smartphones Xiaomi ou em qualquer outro a partir do Android 5.0 Lollipop)
- Monitorização do nível de fitness, com alertas periódicos de inactividade
- Controlo da distância percorrida (pedómetro) e calorias queimadas
- Monitorização da qualidade do sono
- Alarme inteligente
- Histórico de dados
- Alerta de chamada, mensagem e de meta diária atingida
- Configuração do pulso em utilização
- Alerta de vibração para meta atingida ou chamada telefónica
- Suporte para Android e iOS
Sensor de pulsação cardíaca
A exactidão e precisão da medição deste tipo de sensores, que mede a variação do fluxo sanguíneo, sempre foi questionável. Embora sejam capazes de boas medições, as condições e a forma com que são utilizados nem sempre garantem um bom resultado e, por essa razão, o valor obtido deve ser sempre considerando com alguma desconfiança.
Para haver termo de comparação, além dos testes efectuados com a Mi Band 2, também foi utilizada a Samsung Gear Fit2 e um aparelho electrónico de medição de tensão arterial, partindo do princípio (óbvio) que a melhor leitura seria feita pelo aparelho de medição de tensão arterial (sem esquecer a contagem manual durante 15 segundos).
Os resultados obtidos pela Mi Band 2 e pela Gear Fit2 não impressionaram mas, pelo menos, garantem uma margem de erro minimamente estável, ou seja, considerando por exemplo uma pulsação cardíaca real de 70 ppm, é comum que qualquer uma das Bands possa devolver um valor extremo de 60 ou 80 ppm, afastando-se muito raramente dessa faixa de cerca de +/- 10. Isto pode dever-se ao curto espaço de tempo utilizado pelas pulseiras para fazer a medição, que é de cerca de 5 segundos, podendo assim levar a um erro maior.
Monitorização de actividade física
A motivação principal para utilizar uma smartband deste tipo é a monitorização de actividade física, contabilizada além dos passos dados durante todo o dia.
Assim, no histórico da actividade, é possível identificar uma actividade desportiva separadamente da actividade normal, no entanto, não é possível perceber exactamente a duração de uma corrida.
Vamos imaginar que, no final de um dia de trabalho, chega de carro a casa, troca de roupa (10 minutos) e se desloca a caminhar (5 minutos) até um parque para fazer uma corrida (30 minutos). No final da corrida volta a fazer uma caminhada de regresso a casa (5 minutos) e depois toma um duche. O resultado desta actividade vão ser 50 minutos, com a soma de todos os passos feitos a caminhar e a correr.
Ora, para quem quer ter uma noção real da corrida que fez, não é possível fazê-lo com esta app. Existem aplicações de terceiros (como a Notify & Fitness for Mi Band) capazes de contornar estes pontos menos bons da aplicação Mi Fit oficial e fornecer dados mais reais das actividades físicas.
Note-se ainda que é possível sincronizar toda a informação da app Mi Fit para o serviço Google Fit. Quanto a actualizações, num período de cerca de 1 mês o firmware da Mi Band 2 foi actualizado pelo menos 2 vezes e a app Mi Fit também sofreu outras tantas actualizações, evidenciando que estão a ser feitos esforços para melhorar a prestação desta smartband.
Se ainda não conhece a aplicação Mi Fit nem a forma como a Mi Band pode interagir com o smartphone, veja o vídeo abaixo onde tudo é mostrado em pormenor.
Vídeo de demonstração do funcionamento
Veredicto
A Mi Band 2 melhorou a todos os níveis, comparando com as versões anteriores, e continua a um preço bastante acessível. É uma das melhores smartbands nesta faixa de preço. É capaz de monitorizar o sono com grande precisão e fazer uma contagem dos passos relativamente boa. A inclusão do ecrã é sem dúvida a grande novidade desta Mi Band 2, embora que a incidência directa da luz solar prejudique a leitura da informação lá mostrada.
Utilizando a aplicação Mi Fit oficial, deverá esperar uma autonomia superior a 20 dias (até 25 dias). Se utilizar opções que exigem mais da Mi Band (como “Heart rate sleep assistant”), então a autonomia poderá descer para 15 a 18 dias, e poderá descer ainda mais se utilizar outros recursos de aplicações de terceiros, como a leitura periódica da pulsação cardíaca.
O sensor de pulsação cardíaca não é muito fiável e nem sempre obtém leituras, mesmo quando achamos que a Mi Band 2 está colocada correctamente e que o braço se encontra na posição correcta.
Se pratica desporto regularmente e com muita intensidade, então deve procurar um dispositivo mais fiável para a monitorização da actividade física e da pulsação cardíaca que, obviamente, irá para um preço significativamente superior.
Se, por outro lado, procura um gadget moderno, capaz de notificar de chamadas, de desbloquear o smartphone e de servir de relógio, então por cerca de 25€ esta é a escolha acertada.
A Xiaomi Mi Band 2 está disponível por 20€, a partir da China e sem custos de alfândega.
O Pplware agradece à Gearbest a cedência da Xiaomi Mi Band 2 para análise.