O “banco central dos bancos centrais”, como o Banco de Pagamentos Internacionais é conhecido, alertou que os países de todo o mundo precisam de falar a mesma língua em termos de stablecoins, por forma evitar uma grave fragmentação dos mercados.
Num discurso feito no Japão, o diretor geral do BIS, Pablo Hernandez de Cos, afirmou que o potencial das stablecoins para minar as políticas monetária e orçamental, provocar tensões nos mercados financeiros e dificultar o combate ao financiamento ilícito tornava a coordenação global de “importância crítica”, conforme citado pela Reuters.
O banco central dos bancos centrais há muito que expressa preocupações relativamente às stablecoins.
Na perspetiva de Pablo Hernandez de Cos, a ausência de coordenação global resulta em “quadros regulatórios divergentes para as stablecoins entre jurisdições”. Estas, por sua vez, poderão “conduzir a uma grave fragmentação dos mercados ou permitir uma arbitragem regulatória prejudicial”.
Uma stablecoin é um tipo de criptomoeda cujo valor é fixado a um ativo estável, normalmente uma moeda tradicional como o dólar ou o euro. Ao contrário do Bitcoin ou do Ethereum, o seu preço não oscila, o que a torna mais previsível e adequada para pagamentos digitais do dia a dia.
Esforço pelas stablecoins deve ser global
Estas declarações surgem numa altura em que os Estados Unidos e outras economias de relevo procuram criar quadros regulatórios para as stablecoins, tentando equiparar-se a países como os Emirados Árabes Unidos e Singapura, que já dispõem de regulamentação em vigor.
Conforme reiterado pelo diretor geral do BIS, as “corridas” às stablecoins poderiam desencadear tensões nos mercados, embora esse risco pudesse ser “muito reduzido” caso os emitentes de stablecoins tivessem acesso a mecanismos semelhantes a seguros de depósitos ou a linhas de crédito de bancos centrais.
Aliás, a Tether e a Circle, emitentes das duas maiores stablecoins do mundo, que representam cerca de 85% dos 315 mil milhões de dólares em circulação a nível global, apresentam igualmente características que as aproximam de “títulos financeiros em vez de moeda”.
Neste aspeto, funcionam atualmente mais como fundos negociados em bolsa do que como moeda.
Explicou o diretor geral do BIS, Pablo Hernandez de Cos, acrescentando que “a migração de depósitos bancários para stablecoins poderá também ser menos acentuada se estas não forem remuneradas e o custo de oportunidade de as deter for elevado, como sucede em períodos de taxas de juro altas”.
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