O regresso à Terra da tripulação da nave Shenzhou-20, que se encontra na estação espacial Tiangong, foi adiado por tempo indeterminado. A causa aponta para um dos maiores perigos da exploração espacial moderna: uma possível colisão com lixo espacial.
Missão em pausa: culpa do lixo espacial?
A Agência Espacial Tripulada da China (CMSA, originalmente) confirmou a notícia esta manhã: o retorno dos três astronautas a bordo da Shenzhou-20 foi adiado indefinidamente, após surgirem suspeitas de que a nave possa ter sido atingida por um pequeno detrito espacial.
A tripulação, composta por Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jie, que tinha a sua aterragem prevista para hoje, na Mongólia Interior, permanece em segurança na estação espacial chinesa Tiangong, à qual a nave continua acoplada.
Tanto a tripulação como as equipas de engenharia em terra estão a analisar a situação para determinar a integridade da nave e avaliar os riscos associados à viagem de regresso. A preocupação principal não reside na sobrevivência imediata dos astronautas, que estão seguros a bordo da estação, mas sim na capacidade da sua nave de suportar a exigente manobra de reentrada na atmosfera terrestre.
Em órbita baixa, os objetos deslocam-se a velocidades hipersónicas que podem atingir os 28.000 km/h. A esta velocidade, até o mais pequeno fragmento de lixo pode ter consequências catastróficas ao colidir com componentes críticos, como o escudo térmico da nave ou o seu sistema de paraquedas, essenciais para uma aterragem segura.
Investigação em curso para determinar a extensão dos danos
Até ao momento, a CMSA não especificou a localização do suposto impacto nem os dados que levaram a esta suspeita sobre o lixo espacial. Sabe-se que as equipas estão a realizar verificações exaustivas de telemetria, a procurar possíveis fugas e a analisar os sistemas de propulsão e de navegação.
É altamente provável que o braço robótico de 10 metros da estação Tiangong seja utilizado para efetuar uma inspeção visual detalhada da cápsula Shenzhou-20. Caso seja necessário, não está descartada a realização de uma atividade extraveicular, ou caminhada espacial, para avaliar os danos de perto.
O que torna este incidente particularmente irónico é o facto de a própria tripulação da Shenzhou-20 estar plenamente ciente deste risco, tendo dedicado parte da sua missão de seis meses a mitigá-lo.
Em setembro, dois dos astronautas realizaram uma caminhada espacial de seis horas para instalar escudos de proteção adicionais contra detritos orbitais no exterior da estação Tiangong. Embora tenham reforçado a “casa” orbital, o impacto parece ter ocorrido precisamente na nave que os deveria trazer de volta em segurança.
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