O plano de iluminar a Terra com espelhos a partir do espaço, mesmo quando o sol se põe, e fornecer energia solar ininterruptamente, parece promissor, especialmente à medida que a procura pela energia solar aumenta. Contudo, ergue, ao mesmo tempo, preocupações…
De forma arrojada, a Reflect Orbital está a desenvolver uma constelação de satélites equipados com espelhos gigantescos com o objetivo de refletir a luz solar para locais específicos na Terra, mesmo após o pôr do sol.
Conforme informámos, em agosto, a tecnologia pretende resolver o problema da intermitência da energia solar, permitindo que as centrais fotovoltaicas continuem a gerar eletricidade durante a noite.
Uma vez posicionados na órbita baixa da Terra, os “sóis artificiais”, com um peso de apenas 16 kg por satélite, irão direcionar a luz para os clientes na Terra, que podem solicitar a iluminação através de uma plataforma online.
Recentemente, a startup californiana solicitou uma licença à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (em inglês, FCC) para lançar um satélite de teste que refletirá a luz solar, sob pedido, em qualquer local. Este foi um dos primeiros passos antes de criar uma constelação de quase 4000 satélites até 2030.
A Reflect Orbital procura que o seu sistema de satélites forneça luz solar no escuro, dando forma a uma fonte de energia que pode ser implementada globalmente, mesmo nas regiões mais difíceis de alcançar, e permitindo reduzir a dependência de combustíveis fósseis para energia.
No seu website, a empresa apresenta o seu serviço em duas vertentes:
- Luz, por via do qual irá fornecer a experiência de luz do dia à noite; fornecer iluminação sustentável à noite para áreas rurais e urbanas, explorações agrícolas e instalações industriais; ajudar na resposta a emergências noturnas; e ajudar em operações de defesa;
- Energia, por via do qual planeia criar energia e redirecioná-la para centrais solares.
Recentemente, também, a Reflect Orbital anunciou que, até à primavera de 2026, iniciará as suas experiências limitadas de iluminação World Tour em 10 locais “icónicos” e, posteriormente, começará a fornecer os seus serviços de forma mais ampla.
Preocupações sobre fonte de energia ininterrupta começam a ganhar força
À primeira vista, o plano de enviar luz solar à noite para que as explorações agrícolas, por exemplo, possam continuar a funcionar parece pertinente e até inofensivo. No entanto, a comunidade científica já começou a expressar preocupações.
Iluminar o solo à noite com 4000 satélites brilhantes deste tipo é potencialmente devastador para a astronomia ótica terrestre de última geração.
Afirmou Anthony Tyson, cientista-chefe do Observatório Rubin, citado pela Bloomberg.
Afinal, a luz solar emitida por um satélite cobriria uma área de pelo menos sete quilómetros de diâmetro e seria muito mais brilhante do que a Lua, segundo uma análise, citada pelo Digital Trends.
O plano da Reflect Orbital agravará, também, a Síndrome de Kessler, uma teoria que diz que, à medida que a massa dos objetos na órbita baixa da Terra aumenta devido à poluição espacial, as probabilidades de eles colidirem uns com os outros aumenta simultaneamente.
Depois, outro problema é o céu. Para que a tecnologia da Reflect Orbital funcione, a empresa precisa de céu limpo nos locais para onde deseja redirecionar a luz solar.
Saiba mais sobre o plano da Reflect Orbital: