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Condução autónoma: o que significam os seis níveis de automação?

O conceito de condução autónoma está a passar da ficção científica para a realidade quotidiana. A Society of Automotive Engineers (SAE) estabeleceu uma norma de seis níveis para classificar esta tecnologia. Conheça-os a todos.


SAE

A SAE, uma entidade de engenharia americana que define normas técnicas para a indústria automóvel desde 1905, criou uma classificação com seis níveis. Estes descrevem a progressão da automação necessária para veículos autónomos. Embora alguns fabricantes já afirmem que os seus carros estão prontos para a autonomia total, questões legais e regulatórias ainda impedem a ativação generalizada desta tecnologia.

 

Níveis 0-2: Sistemas de apoio ao condutor

Os primeiros três níveis (0 a 2) não são considerados verdadeiramente autónomos, pois exigem sempre que o condutor humano supervisione e mantenha a responsabilidade pela condução.

0️⃣ Nível 0 – Sem automação 

O condutor é totalmente responsável pelo controlo do veículo (direção, travagem, aceleração), independentemente de ter uma caixa de velocidades manual ou automática. O carro pode incluir sistemas de aviso (como alerta de ângulo morto ou saída de faixa) ou mesmo travagem automática de emergência, mas como estas são intervenções momentâneas ou alertas, não contam como automação de condução.

1️⃣ Nível 1 – Assistência ao condutor

Neste nível, o veículo oferece pelo menos uma funcionalidade de assistência ativa, que interfere na direção ou na aceleração/travagem, em situações específicas. Exemplos comuns incluem o “cruise control” adaptativo (que mantém a distância para o carro da frente na autoestrada) ou a assistência à manutenção na faixa de rodagem (que corrige a direção se detetar um desvio).

2️⃣ Nível 2 – Assistência parcial

Este nível introduz os Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (ADAS, originalmente). O Nível 2 combina múltiplas funções do Nível 1. O carro pode, simultaneamente, controlar a direção, aceleração e travagem em cenários definidos (como autoestradas). Contudo, o condutor deve manter-se vigilante e pronto a intervir a qualquer momento. É frequentemente considerado um sistema “hands-off” (mãos fora do volante), mas exige “eyes-on” (olhos na estrada).

Níveis 3-5: A verdadeira condução automatizada

A partir do Nível 3, a responsabilidade pela condução começa a transitar do humano para a máquina, sob condições específicas.

3️⃣ Nível 3 – Automação condicional

Este representa um salto tecnológico significativo. Quando um sistema de Nível 3 está ativo, o carro assume a condução total (direção, travões, aceleração) em condições específicas e aprovadas. O condutor torna-se efetivamente um passageiro, podendo tirar as mãos do volante e os olhos da estrada (“hands-off” e “eyes-off”). No entanto, o condutor deve estar preparado para reassumir o controlo quando o sistema o solicitar; portanto, dormir uma sesta está fora de questão.

4️⃣ Nível 4 – Automação elevada

Um veículo de Nível 4 é considerado totalmente autónomo na maioria das circunstâncias, mas opera dentro de áreas “geo-limitadas” (geo-fenced). Nestas zonas, onde existem mapas HD detalhados e as condições meteorológicas o permitem, o veículo não exige intervenção humana. O condutor pode dormir. Embora ainda possa existir a opção de controlo manual, o sistema só a permitirá quando for seguro. Este nível é a base para os futuros “robotáxis”.

5️⃣ Nível 5 – Automação total

O nível máximo de automação. Um carro de Nível 5 é completamente automatizado, capaz de operar em qualquer estrada (ou até fora dela, dependendo do veículo) e em todas as condições, sem qualquer intervenção humana. Muitos destes veículos dispensarão totalmente o volante e os pedais.

O estado atual da tecnologia autónoma

A tecnologia evolui rapidamente, e a própria SAE, em conjunto com a Organização Internacional de Normalização (ISO, originalmente), clarificou recentemente as definições. Os Níveis 0 a 2 são agora formalmente designados como “sistemas de apoio ao condutor” (onde o humano conduz). Apenas os Níveis 3 a 5 são considerados “sistemas de condução automatizada” (onde o sistema conduz).

Atualmente, a maioria dos carros novos de fabricantes como a Tesla, Volvo, Mercedes ou Audi inclui funcionalidades de Nível 2. O famoso sistema “AutoPilot” da Tesla, por exemplo, é classificado como Nível 2.

O Nível 3 permanece controverso. Alguns especialistas, como os da Ford, consideram complexa a gestão da transição de controlo do carro para o humano, e por isso a empresa anunciou que planeia focar-se diretamente no Nível 4. Outros, como a Honda, já lançaram veículos com capacidade de Nível 3, embora a sua operação esteja extremamente limitada por lei (por exemplo, apenas no Japão, em trânsito lento).

Embora o sistema “Full Self-Driving” (FSD) da Tesla esteja em testes beta avançados, apesar do nome, será classificado como Nível 3 quando for lançado oficialmente. A autorização para sistemas de Nível 3 em vias públicas (como autoestradas e a baixas velocidades) está a ser lentamente implementada em várias regiões, mas a verdadeira autonomia (Nível 4 e 5) ainda está a alguns anos de distância.

 

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