Pplware

Microsoft rendeu-se ao Linux e lançou o Azure Linux 4.0, a sua distribuição própria

O Linux nunca foi bem recebido no universo do Windows e da própria Microsoft. Isso tem mudado ao longo dos anos, de forma a integrar os sistemas. Já mostrámos isso várias vezes e agora surge mais uma proposta e uma nova aposta. A Microsoft lança o Azure Linux 4.0, a sua própria distribuição Linux de propósito geral, e conclui a sua maior transformação na história.


Microsoft rende ao Linux de forma clara

Numa mudança ideológicas e estratégicas, a empresa que outrora rotulou o software livre como o grande inimigo a ser derrotado acabou por adotar o seu código para garantir o seu próprio futuro financeiro. Na Open Source Summit, a Microsoft deixou toda a comunidade sem palavras ao anunciar o lançamento do Azure Linux 4.0, a sua primeira distribuição Linux de propósito geral.

É uma distribuição Linux criada pela Microsoft, mas diferente das que a maioria das pessoas conhece. Não foi feita para ser instalada no portátil, aberta num browser ou utilizada para tarefas quotidianas como o Windows 11, por exemplo. O Azure Linux é um sistema operativo que funciona em segundo plano e foi concebido para servir de base para outros sistemas, aplicações e serviços na nuvem.

Durante anos, foi chamado CBL-Mariner, um nome muito técnico que poucos se lembrariam. A Microsoft decidiu mudá-lo para o Azure Linux para deixar claro o seu propósito: ser a distribuição Linux que suporta grande parte da sua infraestrutura de cloud. Por outras palavras, a base sobre a qual muitos dos serviços executados no Azure são construídos.

Trouxe a público o interessante Azure Linux 4.0

Nasceu com a ambição de se tornar um sistema operativo completo e acessível para qualquer cliente da sua cloud. A questão aqui é que plataformas tão importantes e amplamente utilizadas como o Microsoft 365, o GitHub e a infraestrutura OpenAI que alimenta o ChatGPT são construídas sobre as bases do Linux e Kubernetes. Longe da vista, o Azure Linux 4.0 baseia-se no Fedora e opera com recurso a pacotes RPM.

A principal vantagem deste sistema é a sua completa integração vertical. Um dos pontos mais importantes é que a Microsoft controla todo o ciclo de vida do sistema, desde quais os pacotes incluídos até à forma como são atualizados. Com menos software instalado, existem menos pontos de ataque ao sistema. Como foi concebido para serviços críticos, são aplicadas políticas mais rigorosas desde o início.

Graças ao Azure Linux 4.0, qualquer utilizador pode configurar uma máquina virtual com a segurança de ter um sistema protegido, com um ciclo de suporte garantido de dois anos e atualizações de segurança mensais que são acionadas automaticamente. Por outro lado, embora sejam todas distribuições Linux, o Azure Linux não está ao mesmo nível do Ubuntu ou do Fedora.

Uma distribuição dedicada aos mais puristas

Estas distribuições são concebidas para serem versáteis: pode ser usada num portátil, num desktop ou num servidor. O Azure Linux não tem nada disto. Não há ambiente de trabalho, janelas ou rato. Tudo é gerido através de texto, digitando comandos, e isso foi feito intencionalmente. Com tudo isto, a Microsoft deixou bem claro que não pretende invadir o território dos seus parceiros.

O Azure Linux não foi concebido para substituir outras opções como o Ubuntu ou o Red Hat. De referir que a distribuição Linux da Microsoft está disponível no GitHub. Aí encontra-se o ISO para as arquiteturas x86-64 e ARM64. Embora desenvolvidas em parte pela comunidade, a Microsoft lança-as, garantindo que cumprem padrões de qualidade.

Exit mobile version