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China terá “hackeado os telemóveis de altos funcionários” do Reino Unido durante anos

Hackers apoiados pelo Estado chinês terão comprometido as comunicações de altos funcionários do Reino Unido, segundo avançado pelo The Telegraph. O ataque levanta a possibilidade de espiões terem lido mensagens de texto, ouvido chamadas ou acedido a metadados dos telemóveis.


Conforme reportado pelo The Telegraph, a China invadiu os telemóveis de altos funcionários de Downing Street durante vários anos, expondo as suas comunicações privadas a Pequim.

A informação avança que hackers pagos pelo Estado chinês visaram os telemóveis de assessores de Boris Johnson, Liz Truss e Rishi Sunak, entre 2021 e 2024.

Ainda que não se saiba se os telemóveis dos próprios primeiros-ministros foram hackeados, uma fonte bem informada disse ao jornal que a invasão visou “diretamente o coração de Downing Street”.

Mais do que isso, o ataque levanta a possibilidade de espiões chineses terem lido mensagens de texto, ouvido chamadas ou acedido a metadados dos telemóveis.

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido entre julho de 2019 e setembro de 2022.

Fontes de inteligência norte-americanas indicaram que a operação de espionagem chinesa, de nome Salt Typhoon, continua em curso. Por isso, Keir Starmer e a sua equipa podem, também, ter sido expostos.

Agências de inteligência descreveram Pequim como um dos adversários mais agressivos na guerra cibernética, com o antigo chefe de inteligência israelita, Yuval Wollman, a chamar a Salt Typhoon “um dos nomes mais proeminentes” em ciberespionagem.

A vice-conselheira de segurança nacional dos Estados Unidos, Anne Neuberger, disse, ao The Telegraph, que a invasão global fazia parte de “uma das campanhas talvez mais bem-sucedidas na história da espionagem”, com os hackers capazes de “gravar chamadas telefónicas à vontade”.

Contudo, não é claro que informações os hackers chineses obtiveram dos telemóveis de Downing Street.

Rishi Sunak, primeiro-ministro do Reino Unido entre outubro de 2022 e julho de 2024.

Oposição aponta falta de ação do Governo britânico

O MI5 emitiu um alerta ao Parlamento, em novembro, sobre a ameaça de espionagem chinesa, e críticos afirmam que o Partido Trabalhista comprometeu a segurança nacional ao adotar uma postura suave na esperança de garantir acordos comerciais com a China.

Quantas mais provas é que este Governo precisa antes de deixar de bajular Xi e erguer-se como o grande país que somos, defendendo-nos? O Partido Trabalhista está a recompensar atos hostis contra o nosso Estado.

Questionou Alicia Kearns, do British Conservative Party.

Afinal, o primeiro-ministro britânico visitará a China esta semana numa tentativa de reforçar a relação comercial e de investimentos com Pequim, enquanto o Governo britânico aprovou planos para uma mega-embaixada chinesa, em Londres.

China rejeita acusações

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China rejeitou as acusações como “infundadas” e “sem evidência”.

Um porta-voz da embaixada chinesa disse, conforme citado, que “a China é uma defensora firme da cibersegurança e uma das maiores vítimas de ciberespionagem e ataques”.

Temos sido resolutos no combate a todos os tipos de atividades cibernéticas malignas de acordo com a lei, e nunca encorajamos, apoiamos ou toleramos ataques cibernéticos.

O porta-voz disse ainda que o país é “fortemente contra a prática de politizar questões de cibersegurança ou acusar outros países sem provas”.

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