A Europa deixou claro que o futuro do mercado das telecomunicações reside nos operadores que servem milhões de utilizadores. Bruxelas não quer mais operadores low cost e para isso prepara já as regras para que estes possam surgir e ter sucesso.
Europa não quer operadoras low cost
A União Europeia enfrenta um enorme desafio para se proteger da potencial chegada de gigantes chineses ou americanos das telecomunicações. O primeiro passo será atualizar os regulamentos para refletir os novos tempos. O mercado europeu está fragmentado em pequenos concorrentes nacionais que disputam os clientes numa guerra de preços. As operadoras low cost estão a ganhar terreno com tarifas extremamente simples.
A concorrência centra-se no preço em vez do investimento em infraestruturas ou serviços. Isto é agravado por um quadro regulamentar ultrapassado. António Costa, Presidente do Conselho Europeu, confirma que foi finalmente alcançado um acordo “para permitir um maior grau de concentração empresarial em determinados setores, como as telecomunicações, para atingir os níveis de investimento e inovação desejados”.
Os especialistas do setor têm alertado há anos que o atual modelo europeu dificulta investimentos maciços em novas infraestruturas. Os concorrentes estão a adotar a estratégia oposta, investindo milhões em redes e serviços de grandes grupos de telecomunicações dos Estados Unidos e da Ásia. A indústria europeia tem margens de lucro muito mais baixas e encargos regulamentares mais pesados.
Protege-se com gigantes das telecomunicações
A indústria europeia tem margens de lucro muito mais baixas e encargos regulamentares mais pesados. “A Europa precisa de dar um salto tecnológico e ter o seu próprio momento NASA”, comentou Marc Murtra, presidente da Telefónica, no último encontro de Davos, referindo-se ao “momento Sputnik” que deu início à corrida espacial.
Se os países da UE não despertarem a tempo, ficarão extremamente vulneráveis à chegada de grandes grupos de telecomunicações estrangeiros. Bruxelas pretende antecipar-se a esse momento. A China, os Estados Unidos e a Índia possuem um número de grandes empresas de telecomunicações que se contam pelos dedos de uma mão.
A Europa segue uma estratégia diferente, com os conglomerados a inundarem o mercado com dezenas de operadores que oferecem planos de fibra e de telemóvel muito semelhantes. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está empenhada na consolidação dos operadores nos países membros, mesmo correndo o risco de reduzir as opções no mercado.