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A Europa está a esforçar-se para ajudar a Ucrânia a encontrar um substituto à Starlink

Apesar de Elon Musk ter prometido não cortar a rede Starlink à Ucrânia, após um “bate boca” no X com o ministro polaco, a verdade é que a Europa não pode confiar. E os especialistas dizem que a uma “manta de retalhos” de infraestruturas europeias poderia ajudar a substituir o serviço – pelo menos parcialmente.


Starlink é um serviço poderoso, mas pode ser usado politicamente

O homem forte, agora conselheiro sénior da Casa Branca, Elon Musk, prometeu, este domingo, manter o acesso da Ucrânia à sua rede de satélites Starlink.

Estas foram as promessas após uma acesa troca de palavras com o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco.

Apesar destas respostas, a Europa parece não estar confiante:

E como poderá a Europa substituir a Starlink?

Segundo o Financial Times, quatro das maiores empresas de satélites da Europa estão em conversações com os líderes europeus sobre a forma de reforçar a ligação à Internet na Ucrânia: a francesa Eutelsat, a luxemburguesa SES, a espanhola Hisdesat e a Viasat, proprietária da empresa britânica Inmarsat.

A Ucrânia tem estado fortemente dependente do serviço de Internet por satélite desde o início da guerra.

Não só as infraestruturas da Internet podem ser facilmente danificadas pelos combates, como os militares russos utilizam frequentemente técnicas de “empastelamento” que bloqueiam as ligações.

Mykhailo Fedorov, o ministro ucraniano da digitalização, disse ao FT que cerca de 40.000 terminais Starlink estão a ser utilizados em todo o país.

A notícia surge depois de, no mês passado, ter surgido a informação de que os EUA tinham ameaçado cortar o acesso à Starlink se a Ucrânia não aceitasse um acordo que lhe desse acesso a recursos minerais.

O CEO da SpaceX, Elon Musk, nega, chamando à Reuters, que primeiro publicou os rumores, “mentirosos das notícias antigas”, numa publicação no X.

Alternativa virá em tempo útil? Há quem não acredite

Apesar da importância da Starlink para as infraestruturas ucranianas, a Europa poderia ainda fornecer uma solução parcial se o acesso à Starlink fosse cortado.

O FT refere que “uma manta de retalhos” de serviços europeus pertencentes a empresas europeias poderia fornecer apoio, por exemplo, para operações críticas como infraestruturas governamentais ou cuidados de saúde.

No entanto, esta abordagem teria limitações significativas. Lluc Palerm Serra, diretor de investigação da consultora Analysys Mason, disse ao FT que nenhuma destas alternativas possíveis “pode oferecer o nível de fornecimento que a Starlink tem”.

Atualmente, a Eutelsat é uma das poucas redes de satélites capazes de fornecer uma cobertura global de Internet que possa competir com a Starlink.

O preço das suas ações disparou desde a discussão pública entre Donald Trump e o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, na semana passada.

IRIS² poderá ser o concorrente da Starlink

A Europa está a fazer progressos no sentido de criar a sua própria infraestrutura de Internet por satélite para reduzir a sua dependência da Starlink, mas poderá demorar muito tempo até que estes planos se concretizem.

A União Europeia planeia lançar a IRIS², a sua rede de satélites de órbita baixa, em 2027, mas não se espera que esteja operacional antes do início da década de 2030.

Mas não são apenas os líderes europeus que estão preocupados com a possibilidade de a Ucrânia perder o acesso à conetividade vital.

Nas últimas semanas, surgiram esforços nas redes sociais como o Reddit e o X, com pessoas a encorajar os utilizadores a boicotar a Starlink se esta cortar o acesso ao país devastado pela guerra.

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