A ascensão meteórica da NVIDIA, impulsionada pela inteligência artificial (IA), deixou gigantes históricas como a Intel numa posição delicada. O caminho para a recuperação é longo, e o CEO da empresa de Santa Clara está bem ciente disso…
Uma maratona contra a concorrência
A Intel atravessa uma fase de reestruturação profunda, uma crise que se tornou inegável com o advento da IA generativa. A empresa, outrora líder incontestada do mercado de semicondutores, viu-se marginalizada na revolução da IA, um contraste gritante com o sucesso da NVIDIA, cuja avaliação de mercado atingiu recentemente valores astronómicos superiores a 4 biliões de dólares.
Internamente, a perceção é clara: a corrida foi perdida no curto prazo e é irrealista tentar alcançar a NVIDIA no imediato. Lip-Bu Tan, o atual CEO da Intel, tem vindo a sublinhar esta realidade junto dos seus colaboradores. A estratégia passa por abandonar a ilusão de uma vitória rápida e adotar uma mentalidade de “maratona”.
O foco está agora em objetivos a longo prazo e numa “execução impecável”, reconhecendo que as soluções imediatas teriam um impacto nulo ou muito reduzido.
Ten enfatizou ainda a necessidade de a empresa recuperar a agilidade e a rapidez que caracterizam concorrentes diretos como a AMD e a própria NVIDIA, admitindo que a Intel se tornou “demasiado lenta e burocrática” ao longo dos anos.
Reestruturação, despedimentos e perda da liderança pela Intel
Para reverter o cenário atual, a Intel deu início a uma nova vaga de despedimentos em massa que irá afetar milhares de trabalhadores a nível global. Estes cortes abrangem todas as áreas da corporação e visam uma reorganização interna e uma redução de custos significativa. Espera-se um ajuste considerável na divisão de foundry services, ao mesmo tempo que a empresa anunciou o encerramento da sua unidade de negócio dedicada ao setor automóvel.
A dura realidade é que, segundo o próprio CEO, a Intel já não figura entre as 10 maiores empresas de semicondutores do mundo.
Há 20 ou 30 anos, éramos os líderes indiscutíveis. Creio que o mundo mudou e já não estamos nesse top 10.
Afirmou Tan, numa declaração que, segundo um porta-voz, se referia principalmente à capitalização bolsista da empresa e não necessariamente à sua capacidade tecnológica ou cultura interna.
O panorama para a Intel poderia ser radicalmente diferente. No final do ano passado, veio a público uma história que ilustra uma oportunidade de negócio monumentalmente perdida. Em 2005, Paul Otellini, então CEO da Intel, propôs a aquisição da NVIDIA, liderada por Jensen Huang, por uma verba que poderia chegar aos 20 mil milhões de dólares.
Contudo, após intensas negociações e deliberações, o conselho de administração da Intel rejeitou a proposta. Na altura, a NVIDIA já era uma empresa promissora, mas ninguém poderia prever a sua ascensão estratosférica. Hoje, a gigante verde vale mais de 200 vezes essa quantia.
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