Num conflito interno relativamente à imigração, os Estados Unidos da América (EUA) estarão a recorrer à Inteligência Artificial (IA) para identificar imigrantes e verificar o estatuto das pessoas detidas.
Conforme avançado, o Serviço de Imigração e Controlo Alfandegário dos EUA, mais conhecido como ICE, está a utilizar uma aplicação que permite identificar pessoas através de reconhecimento facial e impressões digitais.
Para o efeito, os agentes só precisam de apontar a câmara do telemóvel para o rosto do indivíduo.
De nome Mobile Fortify, a aplicação utiliza tecnologia da Alfândega e Proteção de Fronteiras, originalmente concebida para verificar a identidade das pessoas que entram no país.
Imigrantes são identificados com impressões digitais e imagens faciais
Conectada a uma base de dados que inclui informações biométricas de todas as pessoas que entram nos EUA, a app, descrita como secreta, é usada para verificar o estatuto migratório das pessoas detidas pelo ICE.
A aplicação Mobile Fortify oferece aos utilizadores capacidades de verificação de identidade biométrica em tempo real utilizando impressões digitais sem contacto e imagens faciais capturadas pela câmara de um telemóvel emitido pelo ICE sem um dispositivo de recolha secundário
Diz um e-mail interno enviado aos agentes de imigração dos EUA, conforme avançado pelo 404 Media, um órgão de comunicação social independente, fundado por jornalistas de tecnologia.
Agentes do ICE batem à porta de uma residência durante uma operação, em Chicago, Illinois, no dia 26 de janeiro de 2025. Crédito: Christopher Dilts/Bloomberg via Getty Images via Axios
Conforme descrito, a Mobile Fortify capta imagens faciais e impressões digitais sem a necessidade de dispositivos adicionais, como um leitor. Para verificar a identidade, conecta-se a dois bancos de dados federais:
- Traveler Verification Service, que compara o rosto com imagens tiradas em postos de fronteira;
- Seizure and Apprehension Workflow, um banco de dados com informações de registos e detenções de indivíduos.
Além disso, a app tem ainda uma função avançada que permite cruzar os dados com as informações do sistema ATS, uma ferramenta usada pelos agentes de fronteira para identificar viajantes e cargas de alto risco.
O ATS analisa o risco, com base em dados como o país de origem ou histórico de viagens, bem como o assento ou a comida que escolheram no voo.
Há outra aplicação a ser usada nos EUA, mas para “bloquear” o ICE
Segundo o TechCrunch, uma aplicação ficou viral, recentemente, chegando até aos primeiros lugares no ranking da App Store da Apple nos EUA.
Disponível para iPhone, a app ICEBlock foi criada com a intenção de “fazer algo para combater” as deportações de imigrantes conduzidas pela administração de Donald Trump, e permite que os utilizadores denunciem anonimamente quando veem agentes do ICE.
A maioria dos utilizadores está em Los Angeles, onde as rusgas do ICE se tornaram comuns nas últimas semanas, segundo reportado pela CNN.
A app viralizou, após declarações da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, que criticou a CNN por destacar uma app que alerta os utilizadores sobre avistamentos de agentes do ICE e avisou o desenvolvedor para “ter cuidado”.
Com a ICEBlock, os utilizadores podem partilhar legalmente informações sobre onde viram o ICE num raio de 8 km da sua localização e a app envia notificações quando agentes são avistados perto da localização do utilizador.
O TechCrunch confirmou que a aplicação não recolhe nem armazena quaisquer dados do utilizador.