Conhecido por muitos como o “padrinho do SaaS”, Jason Lemkin partilhou que chegou o momento de explorar ao máximo as capacidades da Inteligência Artificial (IA) no local de trabalho, admitindo que substituiu praticamente toda uma equipa por agentes.
Fundador da SaaStr, a maior comunidade do mundo de executivos de empresas B2B, Jason Lemkin partilhou que deixará de contratar humanos para o seu departamento de vendas, conforme reportado pelo Business Insider.
No Lenny’s Podcast, explicou que, em vez disso, a SaaStr decidiu apostar totalmente em agentes de IA, definidos como assistentes virtuais capazes de realizar tarefas de forma autónoma. Estes agentes analisam problemas, desenham planos e executam ações sem necessidade de intervenção humana.
Segundo Lemkin, a SaaStr conta, agora, com 20 agentes de IA a automatizar tarefas que antes eram realizadas por uma equipa de 10 representantes de sales development e account executives.
Jason Lemkin, fundador da SaaStr e conhecido como o “padrinho do SaaS” (sigla para Software as a Service, ou Software como Serviço).
Como os agentes de IA aprendem com os melhores
A transição de uma força de trabalho totalmente humana para uma baseada em agentes foi rápida, conforme contado: em maio, a empresa tinha apenas um agente de IA em produção, utilizado para tarefas digitais variadas.
Nesse mês, durante o SaaStr Annual, dois representantes de sales development altamente remunerados abandonaram subitamente a empresa, acelerando a decisão de apostar na IA.
Segundo Lemkin, na altura, o raciocínio foi simples: contratar outro representante júnior a 150.000 dólares por ano, que acabaria por sair, não compensava, tendo em conta que um agente de IA podia desempenhar o mesmo papel de forma consistente.
Ao Business Insider, via e-mail, Amelia Lerutte, chief AI officer da SaaStr, revelou que a empresa começou a aumentar o número de agentes em produção, em junho.
Na altura tínhamos apenas um agente não essencial com o Delphi, mas não avançámos de dois para mais de 20 até início de junho. Foi uma decisão consciente, após a saída dos colaboradores, de realocar parte (mas não toda) da despesa com pessoal para agentes.
No escritório da SaaStr, os 10 postos de trabalho que antes pertenciam a humanos na equipa de go-to-market estão, agora, identificados com nomes de agentes, como “Quali for qualified”, “Arty for artisan” e “Repli for Replit”.
Uma das vantagens é que os agentes são treinados com base nos melhores colaboradores humanos, podendo extrapolá-los.
Treina um agente com o teu melhor colaborador e o melhor guião, depois, esse agente pode tornar-se na versão do teu melhor vendedor.
Explicou o fundador da SaaStr.
Riscos e oportunidades dos agentes de IA
Apesar das vantagens, os agentes de IA não estão isentos de riscos. Um dos maiores é a segurança, uma vez que os agentes que acedem a aplicações muitas vezes precisam de permissões a nível do sistema operativo, criando potenciais pontos vulneráveis para ciberataques.
Segundo Harry Farmer, investigador sénior do Ada Lovelace Institute, alerta que, “para funcionar na sua totalidade e aceder a aplicações, os agentes de IA muitas vezes precisam de acesso ao sistema operativo do dispositivo em que estão a correr”.
Ainda assim, Lemkin acredita que esta tecnologia oferece produtividade semelhante à humana, com a vantagem de ser mais eficiente e escalável, tal como software.
A aposta da SaaStr mostra que o futuro das vendas pode passar por equipas híbridas ou até totalmente digitais, com agentes de IA a assumir papéis que pertenciam antes exclusivamente humanos.
Leia também: