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Robô com patas de aranha promete imprimir uma casa de 200 m² num único dia

Charlotte é um robô de construção concebido para construir casas de até 200 m² em apenas um dia, com uma velocidade equivalente a 100 pedreiros. Melhor ainda é que utiliza materiais reciclados.


7 pontos basilares:

  • Robô construtor com forma de aranha.
  • Casa de 200 m² em 24 horas.
  • Material reciclado: vidro, areia e tijolo.
  • Impressão 3D em obra, sem intervenção humana.
  • Emissões nulas se usar matéria-prima local.
  • Resistente ao fogo e a inundações.
  • Resposta direta à crise da habitação.

Charlotte: o robô construtor que pode mudar a forma como edificamos

A automatização na construção está em desenvolvimento há anos, mas Charlotte representa um salto qualitativo.

Este robô autónomo, criado pela startup australiana Crest Robotics em parceria com a Earthbuilt Technology, promete erguer casas completas de 200 m² num único dia, utilizando materiais reciclados e de baixo impacto ambiental.

A promessa não é apenas rapidez: é também sustentabilidade e adaptação.

Tecnologia e inovação ao serviço do planeta

Ao contrário de outros robôs de construção centrados em tarefas específicas, Charlotte funciona como uma unidade autónoma e integrada.

Graças a um sistema de impressão 3D por extrusão, deposita camada após camada um composto de areia, vidro reciclado e tijolo triturado, formando estruturas sólidas, resistentes e sustentáveis.

O seu design biomimético, com patas articuladas semelhantes às de uma aranha, permite-lhe mover-se e elevar-se sobre o terreno, adaptando-se a diferentes condições sem necessidade de maquinaria adicional.

Isto reduz o consumo energético, a logística em obra e a dependência de transporte pesado, fatores decisivos na redução das emissões de CO₂ na construção.

Habitações mais acessíveis e resilientes

Charlotte não oferece apenas velocidade. As casas que constrói são projetadas para resistir a inundações e incêndios, dois fenómenos que, com o agravamento das alterações climáticas, afetam milhões de pessoas todos os anos.

Além disso, a sua capacidade de operar com materiais disponíveis localmente permite reduzir custos e emissões associadas ao transporte, algo vital em comunidades rurais ou zonas afetadas por desastres.

A abordagem modular e simplificada pode não satisfazer todos os gostos arquitetónicos, mas responde a uma necessidade urgente: a escassez global de habitações dignas e acessíveis.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), mais de 1,6 mil milhões de pessoas vivem em condições inadequadas.

Soluções como Charlotte podem aliviar essa pressão, sobretudo em regiões com défice de mão de obra ou infraestrutura limitada.

Visão a longo prazo: do campo ao espaço

Os criadores de Charlotte também olham para lá do planeta. O seu design compacto, autónomo e resistente torna-o ideal para missões em ambientes extremos, como a Lua ou Marte.

A ideia não é tão futurista quanto parece: a NASA e outras agências já estudam formas de utilizar materiais disponíveis in situ (como o regolito lunar) para imprimir estruturas no espaço. Charlotte poderia encaixar perfeitamente nessa estratégia.

Por agora, o seu uso está pensado para contextos terrestres. Mas os primeiros protótipos, já apresentados em feiras tecnológicas, marcam o início de uma transformação real na forma de construir.

Em países como a Austrália ou o México, existem já planos piloto para explorar esta tecnologia em projetos de habitação social e de recuperação pós-desastre.

Potencial deste robô

A tecnologia por detrás de Charlotte pode contribuir para um modelo de construção mais respeitador do ambiente e mais equitativo, se for implementada de forma inteligente.

Algumas aplicações práticas e realistas incluem:

Charlotte não resolverá todos os problemas habitacionais nem substituirá por completo os métodos tradicionais. Mas oferece uma via concreta e escalável para construir mais depressa, de forma mais limpa e mais justa.

Num mundo que precisa de soluções urgentes, é exatamente o tipo de inovação que pode fazer a diferença.

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