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Reno, Google e ADAS: a nova era da condução inteligente da Renault

A Renault tem assumido um papel visível na transformação da experiência de condução com duas frentes claramente percetíveis a bordo: o ecossistema multimédia OpenR Link (com Google integrado) e o novo avatar conversacional Reno, que junta capacidades generativas e comandos de voz contextualizados.


Renault quer os carros como extensões dos smartphones

Os sistemas atuais já não são meros rádios com ecrã: são plataformas conectadas que alojam aplicações (via Google Play), navegação em tempo real, gestão do veículo e serviços digitais. No caso da Renault, o OpenR Link integra Google Maps, Google Assistant e o Google Play, permitindo usar apps como Waze, Spotify ou EasyPark diretamente no ecrã do carro.

Essa integração faz com que comandos por voz como “Ok Google, leva-me a…” ou “Ok Google, baixa a temperatura para 20 °C” funcionem de forma nativa e sem depender exclusivamente do telemóvel.

Para o condutor isto significa menos distração (comandos por voz abrangentes), maior personalização (perfis ligados à conta Google) e atualizações contínuas de serviços sem ter de ir à oficina – isto muda a relação custo/benefício do veículo ao longo do tempo e transforma o carro numa plataforma de serviços.

Reno: o avatar conversacional que torna o carro “mais humano”

A Renault lançou o Reno, um avatar/assistente integrado que combina reconhecimento de voz e IA generativa (a Renault anuncia integração com modelos como o ChatGPT-4o mini e parcerias tecnológicas para reforçar a conversação).

O Reno não se limita a executar comandos; oferece recomendações contextuais (por exemplo, sugerir agendar uma recarga, indicar como otimizar autonomia) e tem exemplos explícitos de interação como “Ei Reno, agenda o carregamento para quinta-feira” ou “Ei Reno, como posso maximizar a autonomia do carro?”.

Esta camada de conversação aumenta a utilidade dos serviços a bordo e aproxima o assistente do utilizador ao memorizar preferências e contexto.

Do ponto de vista de UX, a combinação Reno + Google Assistant dá ao condutor dois níveis de interação: comandos funcionais (via Google) e diálogo contextual (via Reno). Em veículos com o avatar ativo, o carro passa a ser um assistente de viagem pró-ativo – não só reage, como antecipa.

Segurança ativa e ADAS da Renault

A “inteligência” do carro também atua para proteger vidas. Os Advanced Driver Assistance Systems (ADAS) da Renault cobrem três áreas – segurança, condução e estacionamento – usando câmaras, radares e LIDAR (em alguns casos), e algoritmos que monitorizam trajetória, distância e situações de risco.

Funções como Active Driver Assist (regulação adaptativa de velocidade com manutenção de faixa e Stop & Go), travagem automática de emergência, assistência de manutenção de faixa e alertas de colisão são hoje padrão em muitos modelos. A Renault divulgou modelos como o Boreal com até 24 ADAS destinados a melhorar significativamente a segurança em viagem.

Além disso, conceitos como Safety Score e Safety Coach (que avaliam o comportamento do condutor e sugerem melhorias) mostram que a tecnologia se expande do controlo em tempo real para o treino e feedback – um passo para reduzir incidentes relacionados com erro humano.

Condução assistida: aliviar o esforço sem retirar responsabilidade

Os sistemas de condução assistida evoluem em dois vetores: reduzir esforço (assistência em autoestrada e tráfego denso) e aumentar a segurança (intervenção em emergência). As soluções atuais conseguem gerir a velocidade, manter distância e centrar o veículo na faixa, parando e arrancando automaticamente em tráfego congestionado.

No entanto, é essencial perceber que a tecnologia exige supervisão humana: as classificações europeias (Assisted Driving Gradings) distinguem entre “vehicle assistance” e “driver engagement“, refletindo que muitos sistemas aliviam carga mas não dispensam a atenção do condutor.

Na prática, os benefícios são palpáveis: menos tempo perdido com navegação manual, menos stress em autoestrada, melhores rotas elétricas com planeamento de carregamento integrado e interação por voz que permite gerir chamadas, música e clima sem tocar no ecrã.

Há, naturalmente, desafios: privacidade (dados do utilizador e partilha com terceiros), dependência de conectividade, heterogeneidade de comandos por idioma/país e – crucial – a necessidade de regulamentação clara sobre níveis de automação e responsabilidade em caso de incidente.

 

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