Pplware

Queda de Boeing 787 da Air India causa mais de 200 mortos

Um trágico incidente abalou o mundo da aviação esta quinta-feira, com o despenhamento de um Boeing 787 Dreamliner da Air India pouco após a descolagem. A aeronave, com destino a Londres, transportava 242 pessoas.


O Boeing 787 Dreamliner: um pilar da aviação moderna sob escrutínio

O Boeing 787 Dreamliner, uma das principais inovações tecnológicas da Boeing no século XXI, viu-se envolvido num grave acidente. Este modelo, que iniciou o seu serviço comercial em 2011 com a companhia All Nippon Airways, conta já com mais de 1000 unidades entregues a diversas transportadoras aéreas globais.

Entre as suas operadoras encontram-se gigantes da aviação como a Qatar Airways, British Airways, Singapore Airlines e a própria Air India, que detém aproximadamente trinta destes na sua frota.

De acordo com os dados da Aviation Safety Network, até ao voo AI171, o Dreamliner orgulhava-se de um ótimo historial, sem registo de acidentes fatais em voos comerciais. Esta trajetória tinha solidificado a sua reputação como uma aeronave de vanguarda, eficiente e de elevada fiabilidade para rotas de longo curso.

O portal FlightGlobal refere que o avião fora entregue à Air India em janeiro de 2014. Contabilizava mais de 41.000 horas de voo e perto de 8000 ciclos de descolagem e aterragem, números considerados normais para uma aeronave com essa idade.

O desenvolvimento do 787 marcou uma viragem na filosofia de fabrico de aviões comerciais. A construtora norte-americana destaca, num documento sobre as suas iniciativas de inovação, que este é o primeiro modelo da Boeing projetado integralmente com uma estrutura onde predominam os materiais compósitos, como plásticos reforçados com fibra de carbono.

Esta abordagem permite uma redução de peso na ordem dos 20% comparativamente a fuselagens tradicionais, o que resulta numa diminuição do consumo de combustível e, consequentemente, numa maior autonomia de voo.

O que se conhece sobre o acidente até ao momento

O voo AI171 da Air India partiu do Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel, em Ahmedabad, às 13:39, hora local, com destino ao aeroporto de Londres Gatwick. A bordo seguiam 242 pessoas, incluindo passageiros e tripulação. Cerca de um minuto após a descolagem, o sinal da aeronave desapareceu dos sistemas de seguimento de voo, quando esta mal alcançara os 190 metros de altitude.

Segundo a Autoridade de Aviação Civil da Índia, a tripulação chegou a emitir um pedido de socorro (mayday), mas não houve qualquer comunicação subsequente.

A aeronave colidiu na zona residencial de Meghani Nagar, a oeste da cidade, num edifício que servia de residência a médicos. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram a cauda do avião na estrutura do imóvel.

Até ao momento, as autoridades confirmaram a recuperação de, pelo menos, 200 corpos e o transporte de vários feridos para unidades hospitalares da região.

Inicialmente, temia-se a inexistência de sobreviventes, mas posteriormente confirmou-se que, pelo menos, uma pessoa escapou com vida ao desastre: um cidadão de nacionalidade britânica, de acordo com informações veiculadas por órgãos de comunicação social locais como o Hindustan Times.

Entre os passageiros encontravam-se 169 cidadãos indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadiano. A Air India ativou um centro de atendimento de emergência e constituiu uma equipa de apoio destinada às famílias das vítimas. As operações no aeroporto de Ahmedabad foram temporariamente suspensas.

A Boeing já reagiu

Poucas horas após o acidente, a Boeing emitiu um comunicado oficial, no qual declarava estar em contacto com a Air India e ter acionado os seus protocolos de assistência técnica.

Estamos em contacto com a Air India relativamente ao voo 171 e encontramo-nos preparados para prestar o nosso apoio.

Afirmou a empresa. Manifestou igualmente as suas condolências às famílias das vítimas e a todo o pessoal envolvido nas operações de emergência.

Conforme mencionado anteriormente, a fabricante norte-americana não tinha, até esta data, registo de qualquer acidente fatal com o modelo 787 em operações comerciais.

Contudo, este desastre ocorre num período sensível para a Boeing, que permanece sob o olhar atento de organismos reguladores e do próprio setor aeronáutico, na sequência de uma série de incidentes associados a outras linhas de produção, com particular destaque para a família 737 Max.

Entre 2018 e 2019, dois acidentes fatais envolvendo esse modelo (na Indonésia e na Etiópia) resultaram na perda de 346 vidas e levaram à imobilização global de toda a frota Max. Mais recentemente, em janeiro de 2024, um door plug desprendeu-se em pleno voo de um 737 Max 9 operado pela Alaska Airlines, reacendendo as questões sobre a qualidade de fabrico.

É ainda demasiado cedo para se apurar com exatidão o que sucedeu com o voo AI171. As investigações a acidentes desta natureza exigem tempo, análises técnicas aprofundadas e cooperação internacional. De momento, não existem indícios suficientes para imputar responsabilidades, seja à companhia aérea, seja à fabricante.

 

Leia também:

Exit mobile version