O crescente apetite energético da inteligência artificial (IA) está a atingir níveis preocupantes, levando visionários da tecnologia como Elon Musk e Jeff Bezos a olhar para o espaço em busca de uma solução. A proposta, embora ambiciosa, é levar os gigantescos centros de dados que alimentam a IA para fora do nosso planeta.
A necessidade de transição dos centros de dados para o espaço
É um facto consensual que a IA exige um consumo de energia que se está a tornar cada vez mais problemático, sobretudo a dois níveis. Por um lado, pelos custos económicos associados à manutenção dos centros de dados e, por outro, pelo seu impacto ambiental.
Para os grandes nomes da tecnologia, a segunda questão é frequentemente uma preocupação secundária; o que realmente impulsiona a inovação é a viabilidade económica e a escalabilidade. O objetivo é não só universalizar os seus serviços, mas também expandi-los a uma escala que os recursos energéticos da Terra dificilmente conseguirão suportar. É neste contexto que figuras como Elon Musk e Jeff Bezos começam a explorar a possibilidade de deslocalizar os centros de dados para o espaço.
Esta ideia foi recentemente destacada num artigo do The Wall Street Journal, que compilou algumas das visões destes empresários. Com as suas empresas SpaceX e Blue Origin, Musk e Bezos ambicionam democratizar as viagens espaciais e, eventualmente, estabelecer colónias humanas na Lua ou noutros locais.
Nesses cenários futuros, a IA seria não só útil, como também mais fácil de alimentar. A lógica é simples: se os centros de dados vierem a necessitar de uma quantidade de energia tão colossal, apenas o Sol poderá fornecê-la de forma sustentável e direta.
O insaciável apetite energético da IA
Porque é que a IA consome tanta energia? A resposta reside na sua capacidade de processar um volume abismal de dados em simultâneo. Quando colocamos uma questão ao ChatGPT, por exemplo, o sistema analisa milhares de milhões de parâmetros e informações extraídas da Internet para formular uma resposta coerente.
Se pedirmos a uma IA que crie uma imagem, esta examina o trabalho de milhões de artistas para compor algo que corresponda ao nosso pedido. Deixando de lado as questões éticas sobre a utilização de dados para treino, o que é inegável é que este processamento massivo de informação ultrapassa em muito a capacidade de um computador convencional.
É aqui que entram os grandes centros de dados. Estas infraestruturas consomem enormes quantidades de energia para processar a informação e, devido ao seu funcionamento intensivo, geram um calor extremo. Consequentemente, necessitam de sistemas de refrigeração muito eficientes, que, por sua vez, também são grandes consumidores de energia.
À medida que a IA evolui, os centros de dados atuais tornam-se insuficientes, obrigando à construção de novas e maiores instalações. O resultado? Um aumento exponencial da procura energética. Prevê-se que, a prazo, nem os combustíveis fósseis nem as energias renováveis disponíveis na Terra serão suficientes para satisfazer esta procura.
A proposta radical de Musk e Bezos
É este o dilema que inspira as ideias multimilionárias de Jeff Bezos e Elon Musk. Se o planeta não tem energia suficiente para os centros de dados de IA, a solução não é regular a tecnologia ou construir menos infraestruturas. A solução, para eles, é levar os centros de dados para fora do planeta.
Esta é a resposta “simples” defendida não só por Bezos e Musk, mas também por outros líderes do setor, como Sundar Pichai, o diretor executivo da Alphabet. Embora os pormenores de como estes centros de dados espaciais seriam construídos ainda sejam apenas uma ideia conceptual, o princípio fundamental é claro: aproveitar a energia solar diretamente da fonte.
Isto poderia ser alcançado através de satélites equipados com painéis solares que captariam a energia do Sol de forma contínua e sem a interferência da atmosfera terrestre. Naturalmente, esta abordagem levanta novas preocupações, como o potencial aumento do lixo espacial, mas esse parece ser um problema secundário face ao objetivo principal de garantir uma fonte de energia praticamente ilimitada.
Ao que tudo indica, este é o futuro para o qual nos encaminhamos. Com recursos financeiros suficientes, as barreiras tecnológicas tornam-se transponíveis. Se os recursos na Terra se esgotam, o espaço apresenta-se como a nova fronteira a explorar.
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