O líder da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, informou os Estados-membros que a organização corre o risco de um “colapso financeiro iminente”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem falado repetidamente sobre a crise de liquidez cada vez mais grave da organização.
Contudo, este é o seu aviso mais contundente até agora, surgindo num contexto em que os Estados Unidos, o seu principal contribuinte, se estão a afastar.
A crise está a aprofundar-se, ameaçando a execução de programas e pondo em risco o colapso financeiro. E a situação irá deteriorar-se ainda mais num futuro próximo.
Escreveu António Guterres, numa carta dirigida aos embaixadores, com a data de 28 de janeiro, citada pela Reuters.
ONU poderá ficar sem liquidez até julho
Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e económico e coordenar a ajuda humanitária.
Com uma saída oficializada este ano, os Estados Unidos cortaram o financiamento voluntário a agências da ONU e recusaram-se a efetuar pagamentos obrigatórios.
O Presidente do país Donald Trump, descreveu a organização como tendo “grande potencial”. Contudo, uma vez que este não está, na sua perspetiva, a ser concretizado, lançou uma alternativa, de nome Conselho de Paz.
Um ano depois de o Presidente Donald Trump ter anunciado que os Estados Unidos estavam a findar um compromisso de 78 anos, o país abandonou, oficialmente, a Organização Mundial da Saúde, na semana passada.
Na sua carta recente, Guterres afirmou que “as decisões de não cumprir as contribuições avaliadas, que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado, foram agora formalmente anunciadas”. No entanto, não especificou a que Estado ou Estados se referia.
No ano passado, o secretário-geral da ONU lançou uma task force reformista, conhecida como UN80, procurando reduzir custos e melhorar a eficiência. Para esse efeito, os Estados concordaram em reduzir o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para 3,45 mil milhões de dólares.
Ainda assim, Guterres alertou, na carta, que a ONU poderia ficar sem liquidez até julho.
Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e económico e coordenar a ajuda humanitária.
Quais as potenciais consequências?
Um colapso financeiro da ONU teria consequências sérias, podendo afetar tanto a própria organização como a estabilidade internacional.
Entre os principais impactos estão os seguintes:
- Paralisação de programas humanitários
Muitos programas da ONU, como ajuda alimentar, vacinação, fornecimento de água potável e assistência a refugiados, dependem de financiamento regular. Sem fundos, milhões de pessoas em situações vulneráveis poderiam deixar de receber apoio essencial.
- Comprometimento das operações de manutenção da paz
As missões de paz da ONU em zonas de conflito dependem de financiamento estável, pelo que um colapso financeiro poderia levar à retirada ou redução de forças, aumentando o risco de escalada de conflitos e instabilidade em regiões já frágeis.
- Impacto sobre os direitos humanos e diplomacia
Agências da ONU que monitorizam violações de direitos humanos ou mediam conflitos entre Estados poderiam ver suas atividades suspensas, enfraquecendo a diplomacia multilateral e o cumprimento de normas internacionais.
Além destes, a incapacidade de gerir as suas finanças de forma sustentável poderia prejudicar a reputação da ONU como um fórum global confiável e capaz de liderar iniciativas internacionais.
Mais do que isso, num efeito dominó, o colapso financeiro poderia reduzir drasticamente a capacidade de outros organismos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), de operar e atingir metas globais de saúde, educação e desenvolvimento.
Por fim, uma vez que muitos problemas internacionais, como crises humanitárias, migrações forçadas e pandemias, exigem coordenação internacional, a liderança da ONU assegura coordenção de esforços e garante que os Estados-membros não atuam isoladamente. Sem a organização, poderíamos assistir a um aumento das tensões e desigualdades globais.