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Administração Trump quer fotografar todas as pessoas que saem dos EUA de carro

A administração do presidente norte-americano Donald Trump delineou planos ambiciosos para intensificar a vigilância nas fronteiras terrestres dos EUA. A medida visa a implementação de um sistema de reconhecimento facial abrangente para todos os indivíduos que deixem o país por via terrestre.


Trump expande a vigilância biométrica às saídas do país

A agência norte-americana de Alfândegas e Proteção de Fronteiras (CBP, originalmente) pretende implementar um sistema para monitorizar todos os indivíduos que saem do país em veículos.

Conforme noticiado pela Wired, o plano da agência contempla a captação de fotografias de todas as pessoas em automóveis que se dirijam para o México ou Canadá por via terrestre, abrangendo inclusivamente os passageiros nos bancos traseiros.

Este programa recorrerá à tecnologia de reconhecimento facial para cruzar as imagens captadas com documentos de viagem, como passaportes e vistos. Uma porta-voz da CBP, Jessica Turner, indicou à Wired que, embora não fosse imediatamente claro se o sistema de vigilância seria utilizado para rastrear “autodeportações”, essa possibilidade não estaria descartada para o futuro.

Não quer dizer que não venha a acontecer no futuro, dada a evolução da situação das autodeportações.

Afirmou Turner.

Entre as táticas de “autodeportação” promovidas pela administração Trump, contava-se a oferta de pagamentos de 1000 dólares a imigrantes indocumentados para que abandonassem o país voluntariamente.

Adicionalmente, foram registados cerca de 6000 imigrantes vivos, com liberdade condicional temporária, como legalmente falecidos, o que implicou o cancelamento dos seus números de Segurança Social, inviabilizando a sua capacidade de trabalhar ou auferir benefícios.

Grandes desafios tecnológicos para os EUA

O plano de fotografia nas saídas espelharia um programa semelhante que a CBP estava a desenvolver para os postos de entrada fronteiriços. Uma outra reportagem da Wired, divulgada no início da mesma semana, revelou que a agência solicitou a empresas tecnológicas propostas sobre como poderiam monitorizar todos os indivíduos que entrassem no país por via terrestre, incluindo passageiros nas filas mais recuadas dos veículos.

A CBP recorreu a gigantes tecnológicas devido à performance insatisfatória das suas próprias tentativas. Um teste recente do sistema num posto de travessia entre o Texas e o México demonstrou que as câmaras da CBP apenas cumpriam os requisitos de validação por correspondência facial em 61% dos casos.

Estas iniciativas surgiam num contexto de deterioração da aprovação das políticas de imigração do Presidente Trump. Uma sondagem de finais de abril, conduzida pelo WaPo-ABC News-Ipsos, revelou que a sua taxa de aprovação nesta matéria apresentava um défice de sete pontos percentuais (em fevereiro, registava um saldo positivo de dois pontos).

Paralelamente, uma sondagem do NYT-Sienna College, também de finais de abril, indicou que 53% dos eleitores registados consideravam que Trump tinha “ido longe demais” na aplicação das leis de imigração.

 

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