Sob a liderança de Donald Trump, os Estados Unidos da América (EUA) têm decidido em prol do país, procurando potencializar a sua economia e, agora, a sua defesa, também: a atual administração lançou um projeto para uma Cúpula Dourada (em inglês, Golden Dome). Para que servirá?
Esta terça-feira, Donald Trump anunciou o desenvolvimento de um sistema de defesa antimíssil. De nome Cúpula Dourada, deverá proteger os EUA de possíveis ataques estrangeiros, quer por via de armas terrestres, quer através de armas espaciais.
Conforme anunciado pelo Presidente do país, “quando estiver totalmente construída, a Cúpula Dourada será capaz de intercetar mísseis mesmo que sejam lançados de outros lados do mundo, e mesmo que sejam lançados do espaço […] acabando para sempre com a ameaça dos mísseis à pátria americana“.
Na perspetiva do atual líder americano, os EUA devem ter um programa de defesa antimíssil para localizar e abater mísseis dirigidos a alvos domésticos, possivelmente enviados pela China, Rússia, Coreia do Norte ou outros adversários estratégicos estrangeiros, à semelhança da Cúpula de Ferro israelita.
Segundo Donald Trump, os republicanos concordaram em atribuir 25 mil milhões de dólares de financiamento inicial, para cobrir os custos iniciais de desenvolvimento, e o Canadá terá manifestado interesse em participar.
Presidente dos EUA, Donald Trump, a anunciar a Golden Dome ao lado do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington, nos EUA, no dia 20 de maio de 2025. Crédito: REUTERS/Kevin Lamarque
A supervisionar a implementação do projeto de defesa militar, que poderá custar 540 mil milhões de dólares em 20 anos, estará o general Michael Guetlein, da Space Force.
De acordo com o The Guardian, trata-se de uma personalidade vista como “competente e profundamente experiente em sistemas de defesa antimíssil e procurement“.
Além disso, sabe-se que Donald Trump quer que a Cúpula Dourada esteja operacional antes de deixar o cargo de Presidente dos EUA.
O que se sabe sobre esta Cúpula Dourada?
Para já, não muito. Desde logo, o aspeto, que ainda não foi clarificado.
Conforme a informação disponível, os funcionários do Pentágono elaboraram três propostas – pequena, média e grande – e Trump deverá decidir sobre uma delas, eventualmente, determinando-se, depois disso, o calendário e o custo.
Em termos gerais, no entanto, todas as ideias combinam intercetores de mísseis terrestres atualmente utilizados pelas forças armadas dos EUA com sistemas mais ambiciosos e de alta tecnologia. O objetivo passará por construir um programa de defesa baseado no espaço.
De facto, após regressar à Casa Branca, Donald Trump assinou uma ordem executiva que dava instruções ao Pentágono para desenvolver propostas para um “escudo de defesa antimíssil da próxima geração”, no sentido de atualizar as capacidades defensivas antimíssil dos EUA. Segundo disse, estas não sofriam alterações materiais há 40 anos.
A título de curiosidade, sabe-se que a Casa Branca tinha designado as opções para um sistema de defesa antimíssil baseado no espaço como Moonshot Plus e Moonshot Plus Plus.
Mais tarde, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, alterou-lhes o nome para opções de cúpula de prata, ouro e platina, com base nos três níveis, segundo dois antigos funcionários do Pentágono, citados pela imprensa.
Que empresas estarão envolvidas?
Com mais informação a surgir, eventualmente, espera-se que o projeto inclua uma parceria com os principais prestadores de serviços na área da defesa, nomeadamente com a SpaceX, uma vez que tem capacidade para fabricar foguetões para lançar cargas militares em órbita e satélites que podem fornecer ferramentas de vigilância e de seleção de alvos da próxima geração.
Além disso, deverá contar com empresas que fabricam material de guerra atualmente utilizado pelas forças armadas dos EUA.
Conforme a informação disponível, as capacidades de base do projeto dependerão dos sistemas existentes, incluindo os Thaad e Aegis Ashore, fabricados pela Lockheed Martin, e os mísseis terra-ar Patriot, fabricados pela Raytheon.