Pplware

FORGE: como os EUA querem combater o domínio da China em minerais críticos

Esta quarta-feira, os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram novas iniciativas para mobilizar aliados para a criação de um bloco comercial dedicado aos minerais críticos, procurando contrariar o domínio da China num mercado vital para a tecnologia e a defesa.


Numa reunião sobre minerais críticos, que contou com representantes de 54 países, da Comissão Europeia e com altos responsáveis da administração de Donald Trump, foram discutidos detalhes desta nova frente comercial que procurará combater o domínio da China.

Após o encontro, na quarta-feira, os EUA anunciaram a assinatura de acordos bilaterais sobre minerais críticos com 11 países, reforçando 10 pactos semelhantes celebrados nos últimos cinco meses. As negociações foram, também, concluídas com mais 17 nações.

Os objetivos destes acordos passam pelo seguinte:

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a proferir o discurso de abertura durante a Conferência Ministerial sobre Minerais Críticos no Departamento de Estado, em Washington, DC, EUA, no dia 4 de fevereiro de 2026. Crédito: Jonathan Ernst/Reuters, via CNBC

EUA não querem que a China concentre minerais críticos

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que presidiu à reunião, anunciou a criação do chamado Forum on Resource Geostrategic Engagement (FORGE), uma parceria destinada a coordenar políticas e projetos relacionados com minerais críticos.

Temos vários países que já aderiram, e muitos mais que esperamos que o façam. O objetivo do FORGE é fomentar a colaboração e construir uma rede de parceiros em todo o mundo.

O FORGE vai complementar uma iniciativa anterior entre os EUA e nove parceiros, chamada Pax Silica, sobre a qual informámos aqui.

Conforme explicado, enquanto a Pax Silica se centra na proteção das cadeias de abastecimento ligadas à Inteligência Artificial, o novo FORGE foi concebido como uma plataforma mais ampla para coordenar políticas de minerais críticos, preços e desenvolvimento de projetos.

Aquando do anúncio, Rubio alertou para os riscos associados à concentração de minerais críticos num único país, incluindo alavancagem geopolítica e potenciais perturbações causadas por pandemias ou instabilidade.

Os metais de terras raras são essenciais ao desenvolvimento de indústrias-chave, especialmente a tecnológica, energética, médica, aeroespacial e militar, bem como em termos geopolíticos. Em 2024, um gráfico já mostrava o esmagador domínio da China na produção destes metais.

Domínio da China tem sido reforçado pela evolução tecnológica

Nos últimos anos, a China tem usado o seu domínio de mercado na extração e refinação da maioria dos minerais críticos como ferramenta geopolítica, restringindo seletivamente as exportações, segundo a CNBC.

Neste cenário, o secretário de Estado dos EUA critiou, também, as “práticas injustas”, como subsídios estatais, que prejudicam concorrentes e tornam projetos economicamente inviáveis.

Vamos estabelecer preços de referência para os minerais críticos em cada fase da produção. Para os membros [do FORGE], estes preços de referência funcionarão como um piso, mantido através de tarifas ajustáveis para preservar a integridade dos preços.

Disse o vice-presidente, JD Vance, em declarações separadas, afirmando que os EUA pretendem “eliminar o problema de pessoas a inundarem os nossos mercados com minerais críticos baratos para prejudicar as nossas fabricantes nacionais”.

EUA preparam outra iniciativa: Project Vault

Antes da reunião, na segunda-feira, o Presidente Donald Trump anunciou o Project Vault, uma reserva de 12 mil milhões de dólares, apoiada por 10 mil milhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA e por dois mil milhões em fundos privados, destinada a estabilizar preços e apoiar fabricantes.

A reserva incluirá minerais críticos como terras raras, lítio e cobre.

 

Leia também:

Exit mobile version